A arte pode prosperar no Brasil e há 2 passos simples para você seguir

“Mas isso não dá dinheiro.” “Você vai morrer de fome.” “Como é que você vai pagar as contas com isso?” “Por que você não estuda pra um concurso? Seu primo tá ganhando 6 mil por mês.” “Mas vai trabalhar também ou só vai fazer arte?”

A partir do momento em que você declara a intenção de seguir uma carreira como artista, surgirão essas palavras de desincentivo por todos os lados. Vai ouvir isso dos seus pais, tios, avós, seu irmão da sétima série e até de alguns professores e amigos, e isso vale tanto para músicos/as, atores/izes, pintores/as, qualquer que seja a expressão artística de sua afinidade. Numa perspectiva mais otimista, alguém te dirá: “ótimo, mas você vai ter que sair do Brasil pra se dar bem nessa área.”

Se algum dia você já manifestou esse desejo e ninguém tentou te convencer a fazer medicina, direito ou engenharia ao invés de cinema ou artes visuais, os outros 99% da classe artística brasileira te invejam e muito. Mas não é esse o mérito que eu pretendo abordar hoje.

O mundo aprecia artes desde a pré-história. Então por que estão tentando nos desencorajar?

Bom, o que nos dizem não é totalmente mentira. Atores e atrizes vivem altos e baixos, ainda que o teatro exista desde a Grécia antiga. O cinema enfrenta crises com uma grande frequência, embora milhares de filmes sejam produzidos todos os anos no mundo inteiro. E a música então, que ninguém para de ouvir?

Por outro lado, seguro mesmo é trabalhar para os bancos, empresas multinacionais e governos, que frequentemente se envolvem nos mais diversos escândalos, sonegam bilhões em impostos e criam dívidas impagáveis.

A verdade é que todos os setores, até mesmo os mais essenciais à sobrevivência da espécie humana, são sujeitos à graves crises e instabilidade. Sendo assim, por que justo a arte é encarada como um dos mais frágeis? A lógica parece não bater.

Muitas das nossas principais despesas são cobradas mensalmente: aluguel, luz, água, gás, internet, fatura do cartão de crédito, e por aí vai. Sendo assim, precisamos receber um pagamento previsível todos os meses para poder arcar com essas despesas sem o risco de acumular dívidas, ter tais serviços cortados ou até mesmo sermos despejados/as de nossas moradias com uma mão na frente e outra atrás.

O que proporciona esse tal salário fixo é um emprego “formal”, de carteira assinada e que contribua com o INSS, para garantir nossa aposentadoria. Se um/a artista vende o produto de seu trabalho hoje, nem sempre terá muita certeza de que o venderá amanhã, e o mesmo vale para uma apresentação ou gravação.

É agora que a gente chega à pergunta que vale um milhão: o que é preciso mudar para que artistas possam enfim conquistar a tão sonhada estabilidade, ou a mínima expectativa de crescimento na carreira que seja?

Aquele parente mais otimista que te aconselhou a tentar a sorte na gringa talvez tenha sacado que o assunto é político. Afinal, em outros países onde a arte e a cultura prosperam, o investimento é significativo. Editais de financiamento, produção de eventos, incentivo… completamente o oposto de como opera o governo brasileiro. Enfim, não vou entrar em detalhes de como isso funciona porque também não é o objetivo desse texto. Mas supondo que um dia o governo pense em mudar essa realidade, a transformação seria lenta.

E os boletos não esperam.

Artistas precisam trabalhar e ou vender o produto de seu trabalho hoje, para comer hoje e pagar as contas no dia dez.

Mas existem soluções ao seu alcance e eu posso garantir que são extremamente simples. O prazo é um tanto longo – não muito, mas exige paciência.

Você está manuseando uma ferramenta poderosa nesse exato momento.

Isso mesmo.

Se Thor tinha Mjolnir, você tem a internet.

Qualquer curso de vendas e negócios fala sobre oferta e demanda. As dicas abaixo são direcionadas à um único objetivo: aumentar a demanda. A oferta de produtos e serviços de arte no Brasil não é alta, mas mesmo assim é desproporcionalmente maior do que a baixa demanda.

E vender pela internet nunca foi tão fácil quanto hoje.

1 – Apreciadores: divulguem

Seu/a amigo/a, conhecido/a ou parente artista entende que talvez você não tenha dinheiro para comprar a tela, disco ou livro que ele/a produziu. Talvez até entenda e aceite, sem o menor rancor, que aquela arte não seja do seu agrado.

Mas vamos encarar os fatos: você aprecia todos os artistas que estão hiperexpostos na mídia hoje em dia? Compra de qualquer pessoa famosa no Brasil? Desconfio que não, mas aquele famoso está lá fazendo sucesso mesmo assim, com uma legião de fãs, goste você ou não.

Tem quem goste.

E pode ser esse o caso de seu/a amigo/a, conhecido/a ou parente artista: você não gosta, mas entre os seus 500 amigos no facebook, 700 seguidores no instagram, 100 seguidores no twitter, existe uma grande possibilidade de que alguém goste.

Não custa tentar. O público desse artista pode estar nas suas redes sociais. Alguém entre os seus contatos talvez queira comprar.

E se não funcionar, a intenção foi mais do que válida. Pode ter certeza que o/a artista que você tentou ajudar será grato/a pela sua atitude.

Caso o/a artista em questão seja você, mantenha o foco mais na sua divulgação ao invés de pedir diretamente que comprem. As vendas são consequência da visibilidade que você alcança.

2 – Compradores: compartilhem sua experiência

Ao contrário do exemplo anterior, que não pôde ou não quis, você comprou uma arte. Agora use a criatividade para continuar ajudando o/a artista. Sua experiência não precisa se limitar à compra e “consumo”.

Existem muitas excelentes estratégias para vender um produto, serviço, ou até mesmo a imagem pessoal de alguém, mas a mais eficiente de todas elas continua sendo o boca a boca.

É simples: confiamos muito mais na experiência de alguém que conhecemos do que na promessa dos vendedores. Isso porque sabemos que aos vendedores interessa a comissão da venda, enquanto a nós consumidores interessa uma experiência positiva com o produto.

E quem é que entende de experiência com produtos? Outros consumidores.

É aí que você entra.

Uma maneira de compartilhar que torna qualquer produto muito mais interessante é o unboxing: todo mundo ama receber uma encomenda, e, mesmo quando a mesma não é pra gente, nós ficamos curiosos para ver o que a pessoa vai tirar daquela caixa. Por isso, quando comprar uma arte, grave o desempacotamento e publique em suas redes sociais, marcando o/a artista.

Eu por exemplo, sempre que vejo um unboxing, imagino que a pessoa vai tirar de lá um novo iphone ou um vidro de perfume da Carolina Herrera. Mas se for um livro ou disco, também vou ficar curioso para saber o título, se for uma pintura eu vou querer ver os detalhes de perto.

E os seus seguidores que estiverem assistindo também terão essa mesma curiosidade.

Outra dica é: compartilhar a sua interação com a obra. Abrir o pacote você já abriu, já exibiu.

Mas e aí, é bom?

Se você comprou um livro, cite um dos seus trechos favoritos.

Se você comprou um disco, poste o refrão de uma música.

Se você comprou uma pintura, mostre como ficou bonita na sua parede.

Se você foi à uma apresentação de teatro ou dança, poste vídeos curtos ou fotos no feed.

Faça isso duas ou três vezes por semana e compartilhe o link, para que outras pessoas entre os seus contatos também possam comprar.

“Ah mas eu só tenho 50 seguidores, se eu compartilhar não vai fazer a menor diferença.”

Pode ser que faça. Mas como eu disse anteriormente, a intenção e o esforço têm muito valor.

Sabe por que são pouquíssimos os brasileiros que vão aos museus, aos teatros e que leem por hobby? Sabe por que a demanda de produtos de arte é tão baixa no Brasil?

Porque não se trata do produto que você compra, mas sim do valor que aquilo agrega à sua vida.

Muita gente acredita que o marketing e a propaganda fazem lavagem cerebral nas pessoas e criam nelas necessidades que antes não existia.

Mas não é disso que se trata.

É sobre ressignificar necessidades e desejos latentes. Embora muita gente acredite que arte é algo supérfluo e inútil, a arte nos conecta àquilo pelo qual sentimos que vale a pena viver.

Pode ser numa obra de arte que você encontre o status que busca em outros objetos para satisfazer sua vaidade. Ou o entretenimento que você precisa para aliviar o estresse de um dia cansativo.

Ou quem sabe é na arte que está sua visão de mundo, mas que você nunca soube como expressar. E lá está ela em um livro, na letra de uma música ou em uma performance.

A arte agrega um valor imensurável à vida das pessoas.

Elas só precisam descobrir.

Se você acredita que não precisa de arte, eu posso responder dizendo que você não precisa de um terno da Armani, de uma BMW ou uma bolsa Victor Hugo. Ainda que você não tenha todas essas coisas, talvez você as queira.

Ao invés de desperdiçar tempo falando mal de artistas que você não gosta, exalte os que você gosta e os ajude a crescer. Isso desperta o interesse, gera curiosidade e pode converter uma venda ou outro compartilhamento.

E caso o/a artista em questão seja você, peça dos compradores uma avaliação, incentive depoimentos mais humanizados. Compartilhe os feedbacks positivos e mostre que há pessoas apreciando o seu trabalho.

Como eu prometi, são passos extremamente simples. Vão resolver todos os problemas da arte e da cultura no Brasil? Óbvio que não.

Muitos dos obstáculos envolvem questões políticas que estão além do nosso alcance. Mas aumentar a demanda é um objetivo palpável, e, mesmo não salvando o mundo, você não tem nada a perder. E eu sei que nem todo mundo vai aderir, mas comece você a adotar esse hábito. Faça sua parte. Faça a diferença.

Agora é com vocês.

Espalhem essa ideia.

Espalhem arte.

Como NÃO vender sua arte

Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

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