Arquivos Mensais: maio 2021

O I Simpósio de Cinema e História da UFS começa no dia 07/06 e está imperdível!

Organizado pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema da Universidade Federal do Sergipe, o I Simpósio de Cinema e História será gratuito, 100% online e aberto a todos os interessados de qualquer lugar do Brasil. O evento terá início no dia 07/06, durará até o dia 10/06 e será transmitido pelo YouTube, no canal do PPGCINE UFS.

Para realizar a sua inscrição, basta se cadastrar no SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas) clicando no link abaixo e prosseguir:

Inscrição para o I Simpósio de Cinema e História da UFS

As conferências e mesas-redondas serão apresentadas e mediadas pelo corpo docente do PPGCINE e professores convidados da UFRJ e UFF. Estarão em pauta temas relevantes para pesquisas e produção de conhecimento, como: diálogos entre a narrativa cinematográfica e a narrativa historiográfica, e as condições do filme como fonte histórica.

São discussões e reflexões muito importantes para pensarmos tanto a situação atual do cinema quanto do ensino de História no Brasil, cuja desvalorização leva o país aos mais baixos índices de referência em arte, cultura e educação.

Acesse a página principal do evento e confira a programação

Como NÃO ser um crítico

Como bom fã de Liga da Justiça que sou desde criança, fui assistir ao filme de Zack Snyder no cinema em 2017, antes de ser lançado o corte do diretor. Tinha achado Batman versus Superman um fiasco lamentável, porém decidi dar uma chance, uma vez que nutria memórias afetivas por aqueles heróis que fizeram parte da minha infância: gostava de assistir aos desenhos na televisão, tinha brinquedos, revistas em quadrinhos, camiseta e também havia visto alguns dos filmes mais antigos.

A expectativa era enorme. A simples ideia de que seria lançado um filme inédito da Liga da Justiça soava como um evento histórico no cinema.

Mas como vocês sabem, não foi bem assim.

Tanto na opinião do público quanto da crítica, o fracasso foi absoluto, e, ainda que os números alcançados pela bilheteria tenham sido um dos maiores daquele ano, acredito que o filme perdeu a grande oportunidade de superar todos os recordes e ser o mais lucrativo de todos os tempos.

Tinha de tudo para dar certo, porém o boca a boca foi implacável e nem o investimento pesado em marketing foi capaz de levar mais pessoas às salas de cinema e melhorar os lucros.

Mas uma coisa que me chamou a atenção na época foi a crueldade desrespeitosa e anti-ética da parte de muitos críticos, que chegavam a se referir ao filme como “lixo”.

Sim, eu concordo cem por cento que o resultado final entregou uma grande decepção, porém acredito que certas condutas mancham e banalizam o ofício da crítica, que é sim muito importante para o meio artístico como um todo, principalmente quando se escreve para um jornal ou site de grande alcance.

Naquela época eu estava no segundo ano da faculdade de cinema e sabia o quão estressante e trabalhoso era estar em um set de filmagem. Isso porque eu só participei de trabalhos acadêmicos e uns poucos curtas fora da universidade.

Nunca estive em uma superprodução, mas basta ficar até o fim dos créditos para ver quantas pessoas deram duro para que o filme fosse concluído e chegasse às salas de cinema de todo o mundo (ou quase).

Para no fim das contas ser chamado de lixo, como se não houvesse o menor valor para todos os profissionais envolvidos.

Também foi na faculdade que eu aprendi sobre diferentes tipos de críticas e as intenções por trás de cada uma delas. A mais conhecida de todas é aquela dedicada ao público que ainda não assistiu: você abre o jornal ou acessa o site e lê sobre o filme que está em cartaz no cinema ou no catálogo de alguma plataforma de streaming, deparando-se com a opinião de um profissional – que muitas vezes é um/a autor/a com grande bagagem de filmes assistidos, mas sem experiência em set – que lhe dirá se vale a pena ou não gastar o seu dinheiro e tempo assistindo.

Geralmente, esses textos são rasos e bastante vagos sobre os motivos do filme em questão ser bom ou ruim, sem abordar muitos outros pontos importantes além do roteiro ou, quando muito, da fotografia.

Até que faz sentido, pois a grande maioria do público não é especialista em edição, mixagem de som ou direção de arte, portanto não é tão produtivo se alongar nessas questões.

O foco do texto é mais comercial e muitas vezes tende a ser apelativo, o que pode até provocar traumas em muitos profissionais de arte em geral, pois, após uma apresentação de teatro, dança, música e ou exposição, também se anseia para ler a opinião pública no dia seguinte.

E claro, nem sempre artistas acertam, mas quando são chamados de lixo em praça pública, não se sentem muito estimulados a tentar mais uma vez e buscar crescer na profissão.

É triste ver como às vezes alguns críticos amargurados e prepotentes destroem sonhos.

Um outro ponto negativo da crítica comercial, na minha opinião, mesmo quando a mesma não viola nenhum senso de ética, é que ela tenta antecipar ao leitor uma experiência muito particular. E não, não estou falando de dar spoilers.

Acontece que a interação entre espectador e obra é sim muito pessoal. Por isso evito saber as opiniões alheias antes de assistir um filme ou uma apresentação, pois acredito que assim a minha experiência será mais sincera, sem sentir que devo achar que é bom ou ruim com base no gosto de outras pessoas.

Sendo assim, me vejo muito mais inclinado à aceitar um outro tipo de crítica: aquela com o propósito de prolongar essa experiência. Nesse caso, tudo bem a crítica ser negativa (desde que não insulte até a quinta geração dos artistas envolvidos) ou dar spoilers, mas é importante que ela deixe bem claro o porquê, ou que consiga explicar exatamente o que torna a arte abordada uma obra de qualidade.

Este tipo de crítica pode se apropriar de elementos da análise técnica e sensível, abranger questões filosóficas, históricas, ou sociais, além de permitir uma liberdade mais criativa na elaboração do texto.

Não se trata de mera expressão de opinião, mas sim de fundamentos consistentes que legitimam o/a autor/a enquanto autoridade naquele assunto.

São textos muito mais interessantes, e quando digo que os mesmos prolongam a experiência da sua interação com a obra, significa que você pode conhecer um outro ponto de vista sobre o qual não havia pensado antes, o que te fará perceber que a mesma pode ser muito mais rica e englobar uma quantidade muito maior de camadas que talvez tenham passado despercebidas.

E nem precisam ser teses complicadas que esmiúçam o quadro a quadro de um filme, podem ser textos ensaísticos bem dinâmicos de quatro ou cinco páginas.

Ao contrário do que acreditam os adeptos à crítica destrutiva e sádica, a arte precisa ser cada vez mais incentivada.

Artistas novos vão errar em algum momento.

Os bons críticos dirão, direta ou indiretamente, como podem melhorar, enquanto os críticos ruins não serão capazes de sustentar seus argumentos para além do próprio gosto pessoal e saudosismo, e dirão que eles devem procurar outra profissão.

Mesmo quando exercida de forma amadora, a arte ainda é essencial para o desenvolvimento de muitas das nossas habilidades cognitivas e visão de mundo. A crítica amadora, por outro lado, não faz a menor falta. Pelo contrário, estaríamos melhores sem ela.

Mas todo mundo pode continuar aprendendo e melhorando, se tiver vontade. E é mais fácil ter vontade quando não sentimos que todos estão contra nós.

Veja também:

7 motivos para se juntar ao ARTE LOCAL agora mesmo

O Arte Local veio para oferecer vantagens tanto para realizadores quanto para o público.

Nossa missão é ser uma ponte entre você e o seu sonho.

Entenda melhor quais são essas vantagens na prática e como trabalharemos para garantir que a sua experiência dê bons resultados.

1 – É de graça

Não inventamos a roda. Já existem sites com propostas semelhantes à nossa, porém eles costumam cobrar por um plano de assinatura. Isso limita o uso de alguns recursos e acaba não sendo tão vantajoso.

Aqui é comissão zero!

Queremos somente seu engajamento, participação ativa no site e nas redes sociais, marcando amigos e convidando todo mundo para conhecer o nosso (e o seu) trabalho.

2 – Referências

Vivem te dizendo para apoiar os artistas locais, certo? Mas nem sempre você sabe quem são, o que fazem, onde se apresentam, onde vendem etc. Às vezes as principais mídias privilegiam uns e outros, sem oferecer oportunidades para iniciantes.

Através do Arte Local, você se conecta e conhece artistas em sua cidade e região pela ferramenta de busca.

Escolha a cidade que quiser. Se algum artista de lá estiver cadastrado, você terá acesso ao trabalho do mesmo.

3 – Visibilidade

Assim como, conforme o item anterior, você poderá encontrar artistas em sua cidade, também encontrarão o seu portfólio.

A ferramenta de busca é um item simplificador, pelo qual a maioria dos visitantes terá preferência. Estando cadastrado/a, você estará em evidência e, consequentemente, em vantagem.

O catálogo é democrático, você e o artista mais famoso da sua cidade acabarão dividindo a mesma página.

4 – Oportunidades

Sua arte pode ser a coisa mais brilhante do mundo. Mas se ninguém a conhece, como você será pago/a por ela?

No seu espaço no catálogo você pode divulgar sua loja (se tiver uma), deixar seu e-mail, insta, face ou whats para contato. Quem gostar vai querer comprar, firmar parceria ou quem sabe até um contrato.

Selecione o melhor do seu portfólio e se destaque.

5 – Conteúdo

Toda semana a gente vai postar um texto (talvez mais) expressando pontos de vista, filosofias de vida, dicas e recomendações sobre o meio artístico em geral.

E o que propomos é um diálogo aberto. Levaremos seus comentários e opiniões a sério.

Discutiremos sobre aquilo que você quer e precisa entender melhor a respeito da sua carreira.

6 – Destaques

Selecionaremos, mensalmente, um/a dos/as artistas cadastrados/as que serão destaque no site e dedicaremos um artigo exclusivo, no qual falaremos sobre seu trabalho.

Os critérios podem variar desde o engajamento que o mesmo gerou em sua página ou algo mais específico que nos tenha chamado a atenção.

Teremos nossas próprias “capas de revista”, com o glamour que merecem.

7 – Dedicação

A rotina de muitos brasileiros é uma loucura, e talvez você se esqueça de vir conferir as novidades em nosso site. Não queremos que isso aconteça.

Você só precisa cadastrar o seu e-mail e nos dedicaremos a mantê-lo/a por dentro. Sem spam, sem chateação. Só notificações, no máximo alguma orientação.

Conteúdo de qualidade na sua caixa de entrada toda semana.

Ajude-nos a alcançar artistas de todo o Brasil!

Cadastre-se em nosso catálogo de artistas locais agora mesmo!

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Ver também:

Conheça o Festival Tela Curta Cachoeiro, que estréia dia 24/05

Segunda-feira, dia 24/05, o Brasil terá a oportunidade de conhecer o mais novo festival de curta metragens, o Tela Curta Cachoeiro (@telacurtacachoeiro). Sua primeira edição contará com a exibição de 20 filmes, cada um com duração de no máximo 15 minutos e produzidos com recursos atípicos no cinema tradicional, como celulares, tablets, micro câmeras etc.

Organizada pelo Cineclube Jece Valadão (@cineclubejecevaladao), da cidade de Cachoeiro de Itapemirim-ES, a primeira edição selecionou filmes realizados em todas as regiões do Brasil, de norte a sul. O objetivo do evento é valorizar a produção cinematográfica em formatos novos e mais acessíveis, debater sobre as propostas de linguagem e dar visibilidade a novos/as artistas.

A exibição dos filmes, as oficinas e os debates serão 100% online e gratuitos. Você pode acompanhar a programação do festival pelo link abaixo:

1º Festival Tela Curta Cachoeiro

É uma proposta interessante tanto para estudantes e cineastas iniciantes com poucos recursos ao alcance, quanto para profissionais mais experientes que tenham interesse em conhecer novos formatos e novos talentos. E claro, amantes de cinema e audiovisual em geral.

Anote na sua agenda e participe desta experiência!

Já visitou Ouro Preto? Sua foto pode ser selecionada para a exposição!

Berço do Aleijadinho, a cidade mineira Ouro Preto movimenta anualmente um grande número de turistas vindos de todo o Brasil. Cartão postal bastante conhecido do estado, é um dos destinos favoritos de muitos apaixonados e curiosos pela história e cultura do Brasil, além de encantar por suas construções de arquitetura barroca que sempre rendem maravilhosas fotografias.

Se você ainda não visitou Ouro Preto, aproveite a primeira oportunidade que surgir. Mas se já visitou, você pode inscrever uma de suas fotos para a Exposição Virtual Meu Cartão Postal de Ouro Preto, composta por imagens do acervo da Universo Produção (@universoproducao) e também enviadas pelo público.

De acordo com a organização da exposição: “São fotos que traduzem os olhares sobre a cidade em alguns dos aspectos – cultural, social, patrimonial, arquitetônico”.

Mas fique atento/a pois você só tem até o dia 24/05 para enviar a sua foto, o que pode ser feito através do link abaixo:

Inscrição para a Exposição Virtual Meu Cartão Postal de Ouro Preto

Se inscreva e compartilhe seu olhar sobre essa cidade encantadora!

Ser erudito tem preço – e você pode estar pagando caro

Desde os tempos de escola, ainda no ensino fundamental, somos apresentados aos clássicos da literatura e aprendemos a respeitar a autoridade dos mesmos como tal. São vários títulos, como Os Miseráveis, Odisséia, Dom Quixote, Os Sertões, Os Lusíadas… Gente grande, só pra se ter uma ideia.

E ninguém se atreve a dizer que obras como essas não têm qualidade – na verdade até tem quem o diga, mas a gente chama de maluco –, porém, quando as lemos, temos muita dificuldade. A verdade é que poucos são os estudantes brasileiros que terminam o ensino médio apaixonados por literatura ou que aprenderam a cultivar o hábito de ler por hobby.

Como eu não tenho quinhentos anos de idade e, consequentemente, não tive tempo para ler todos os clássicos, vou me referir somente àquilo que conheço, portanto o que eu disser aqui não vale como regra.

Os livros citados acima são difíceis de ler principalmente por causa do vocabulário rebuscado e rico em palavras e expressões pouco ou nada cotidianas, além das técnicas de condução da história serem elaboradas com maior rigor.

No momento em que escrevo esse texto, tenho a informação de que a população brasileira é composta por aproximadamente 212 milhões de pessoas, mas eu não sei exatamente quantas delas são analfabetas – funcionais e não funcionais – ou quantas não terminaram o ensino primário.

Minha única certeza é que a porcentagem é alta e os números são expressivos, e isso significa que, se você tem a intenção de escrever como James Joyce, o seu público será muito restrito independentemente da sua habilidade em divulgar seu produto.

Quer dizer que você precisa mudar o seu jeito de fazer arte, abrir mão do estilo com o qual você se identifica e parar de praticar aquilo que acredita e gosta?

Não. De modo algum.

Mas é preciso estar ciente da impopularidade à qual você estará sujeito e não ficar botando a culpa nas pessoas, pois não será a sua obra que mudará certos hábitos, ou no governo, afinal sempre houveram artistas de sucesso apesar das inúmeras circunstâncias desfavoráveis.

O mesmo vale para música, quando você se senta em frente ao piano para tocar Chopin, ou para a pintura, quando a sua tela não retrata uma cesta de frutas.

Sejamos realistas, o concerto da orquestra sinfônica nunca estará mais cheio que um show de sertanejo universitário ou um baile funk – e pelo amor de Mozart, não poste vídeos dando chilique por causa disso enquanto promete se mudar de país –, assim como os quadros mais abstratos serão os menos apreciados num museu.

Quanto mais teoria for preciso estudar, quanto mais técnicas for preciso aperfeiçoar, quanto mais for preciso explicar para os outros que porra é aquilo que você tá fazendo, enfim, quanto mais erudita for sua arte, mais você estará se afastando de impactar um público de 212 milhões de pessoas.

Sabendo disso, como é possível me tornar um artista bem sucedido sem precisar mudar meu estilo?

Entenda que toda arte que exige um estudo reforçado, uma técnica difícil e um conceito pouco objetivo é direcionada à quem entende do assunto. Em outras palavras, eruditos se comunicam com especialistas.

Quem mais dedica seu tempo ao estudo dos clássicos é a elite intelectual. São os professores de literatura, música e artes visuais. São os estudantes universitários.

Um exemplo muito interessante desse artista no cinema é o Glauber Rocha. Um dos principais nomes do movimento conhecido por Cinema Novo durante a década de 60 no Brasil, Glauber dizia ter o objetivo de revolucionar a identidade cultural do povo brasileiro, de modo que sua expressão representasse as massas, gente comum e pobre. O discurso sempre foi bastante inclusivo e anti-elitista, e ele espumava contra as chanchadas e o entretenimento de má qualidade (palavras dele) que predominava nas salas de cinema e eram sucesso de público.

Acontece que ele não era um sujeito nada humilde, tinha mania de grandeza, dava carteirada de intelectual, tentava sabotar a carreira de outros cineastas que não pertenciam ao seu círculo, e a verdade é que ele foi um fracasso completo ao tentar se comunicar com aquele povo que acreditava estar representando através de sua arte.

Onde foi que ele vendeu seu peixe? Na França, na Itália, na Espanha…

O júri do festival de Cannes se deleitou com a visão daqueles jovens de classe média (pois tinham grana para passar meses viajando pelo exterior) sobre a situação de miséria em que muitos brasileiros viviam.

Agora me diz se alguém com fome entende Terra em Transe. Me diz se alguém que trabalhou na lavoura mais de dez horas num dia compreendia a proposta de linguagem narrativa em O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.

Os filmes que vieram depois então, ninguém nem ouviu falar.

O povão brasileiro não tinha a menor ideia de quem era Glauber Rocha e não estava interessado em assistir Deus e o Diabo na Terra do Sol até o fim. Queriam dar risadas com uma comédia pastelão, de preferência erótica. Queriam assistir novelas. Queriam ver o Pelé e o Garrincha.

Os artistas do Cinema Novo não estavam representando de verdade a fome do brasileiro, mas sim aquilo que eles – e os europeus – acreditavam que fosse.

Somente universitários e professores ainda falam sobre o Cinema Novo nos dias atuais. A elite intelectual.

Se você quer fazer cinema experimental, tem todo o meu apoio. É bacana de verdade. Mas entenda que seu filme não vai lotar uma sessão no cinemark.

Todos os movimentos chamados vanguardistas enfrentaram resistência por parte do público acostumado com as narrativas convencionais, e tudo bem acreditar que as pessoas deveriam conhecer mais as diferentes formas de expressão. Eu também acho isso.

Mas dá pra competir com a Disney? Com a Globo? Com a Netflix?

Spoiler: você vai fracassar se tentar.

É inútil querer mudar os hábitos da maioria da população.

Como eu já escrevi semanas atrás, seu público está por aí em algum lugar. Se a sua arte é erudita, culta, experimental, vanguardista, foque nos universitários. Não muito nos professores, que estão mais apegados às referências de sempre, mas nos estudantes.

Você pode acabar se tornando uma fonte de inspiração.

Não deixe de tentar divulgar sua arte no exterior, principalmente se você tiver mais referências estrangeiras do que brasileiras, afinal o Brasil definitivamente não é um exemplo de investimento no setor de cultura nem incentivador de produção artística.

Em outras palavras, não se desanime, a sua arte vai sobreviver. Mas só a qualidade não basta. Você ainda tem um trabalho de administração de marketing pesado pela frente.

Mãos à obra.

Veja também:

Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito. Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu

Sua evolução na fotografia começa amanhã!

Muito além do conhecimento técnico, do domínio dos recursos de uma câmera fotográfica, da habilidade em edição de imagens e pós-produção, o/a profissional da fotografia precisa buscar sempre ampliar seu repertório de referências artísticas.

Começa amanhã, 17/05, o curso online e gratuito @ Fotógraf@ Artista, ministrado pela fotógrafa Katarzyna Chiluta (@katarzynachiluta), também professora de Fotografia e História da Arte. Para participar é muito simples, basta inscrever seu e-mail no link abaixo:

Inscrição para o curso @ Fotógraf@ Artista

A artista defende que o recurso de maior valor para profissionais da fotografia é a bagagem cultural, e é nesse rumo que as aulas serão conduzidas. O perfil do Instituto Foto em Curso (@fotoemcurso) compartilha posts com excelente conteúdo, como referências, dicas, reflexões, ensino de técnicas e conceitos.

Veja os depoimentos nos destaques e confira as avaliações de quem já fez o curso. O feedback é positivo, por isso faça o seu cadastro ainda hoje.

Alunos e professores da UFF promovem exposição digital sobre Lima Barreto

No último 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, alunos/as e professores/as da Universidade Federal Fluminense inauguraram a exposição virtual Lima Barreto – Protesto Eterno, um estudo e homenagem ao escritor carioca.

Nascido em 13 de maio de 1881, Lima Barreto escreveu diversas obras importantes da literatura nacional, abordando personagens negros, pobres e satirizando a elite brasileira da época. Seu livro mais conhecido é Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Segundo os/as realizadores/as, o objetivo da exposição é dar ênfase na luta do autor pelo empoderamento da população negra e refletir sobre as sequelas sociais, provocadas pelo descaso do Estado desde a época da abolição e que reverberam na desigualdade dos dias atuais.

A exposição, que conta com vídeos, fotografias, ilustrações, e gravuras produzidas por artistas da UFF, está muito interessante, merece a sua visita e pode ser vista através do link abaixo:

Exposição Lima Barreto – Protesto Eterno

QUEM É SURYA? E POR QUE VOCÊ PRECISA CONHECÊ-LA?

Canta, toca, compõe, atua, escreve, desenha e pinta. É graduada em Cinema e conseguiu provar que é sim possível desenvolver várias habilidades e fazer tudo bem feito.

A paranaense e multitalentosa Surya (@surya_music) estreou oficialmente no mundo da música com o EP Moletom (2018), que nos apresenta cinco canções em dezesseis minutos, nos quais são mesclados diferentes estilos que entregam ao ouvinte uma obra de poesia muito bem ritmada e voz marcante. Mais do que um cartão de visita, Moletom é o prelúdio de uma carreira brilhante que veio para ficar e conquistar o coração dos brasileiros.

E a repercussão não poderia ter sido outra: arte feita com paixão tem a magia de contagiar o público, e os curitibanos receberam Moletom com carinho e aprovação, movimentando a agenda da cantora com apresentações em festivais, entrevistas para jornais, revistas, programas de rádio e canais do Youtube.

Moletom (Surya, 2018)

Foi em 2020 que o Brasil recebeu um baita presente: após cinco singles (Casa de Flores, Dancing Spell, Goodbye, Stop! I’m Gonna Cut My Hair, e Soul Whispers), foi lançado o álbum Amor, L’amour, Love, em dois volumes que totalizam dezoito canções em uma hora e dois minutos, além de contar com mais dois singles de 2018 (Lígia e Vortex).

Com letras em português, inglês e francês, o álbum tem a variação entre estilos como um dos pontos mais fortes: samba raiz, música popular brasileira, jazz e blues, todos trabalhados sobre excelentes referências, algumas brasileiras e outras estrangeiras, mas sem deixar faltar com a autenticidade. A primeira canção já é suficiente para que você se dê conta de que está diante de algo gigante, testemunhando o nascimento de um ícone da música nacional.

Em entrevistas, Surya enfatiza que o amor a que se refere nas canções não se limita somente ao romântico, e o significado de suas letras alcançam uma abrangência muito mais ampla: ela canta sobre o amor por si mesmo/a, pela vida, pela mãe, pelo mundo… Assim como eu, ouvintes se sentirão compreendidos/as na medida em que querem e precisam. Coisas que só a arte é capaz de fazer.

E sim, você pode ouvir o álbum pelo spotify, pelo site e comprar o CD na loja da cantora. Não importa se você não gosta de samba, você vai gostar do álbum. Não importa se você não gosta de música popular brasileira, você vai gostar do álbum. Não importa se você não gosta de jazz, você vai gostar do álbum.

Amor, L’amour, Love (Surya, 2020)

Também em 2020, após receber prêmios em vários festivais, o longa metragem Alice Júnior (dirigido por Gil Baroni) foi adicionado ao catálogo da Netflix, tornando mais acessível à milhões de brasileiros seu trabalho audiovisual de maior visibilidade como atriz. O filme conta a história da estudante Alice (interpretada por Anne Mota), que enfrenta os preconceitos e desafios de adaptação à uma escola conservadora. Surya interpreta a carismática Taísa, amiga de Alice, que também não se sente à vontade com as regras e fundamentalismo religioso.

Por vários motivos que não vou contar – eu não dou spoiler, pode ir lá assistir -, a participação de Taísa é marcante e essencial para o desenvolvimento e desfecho da história, e a escolha de Surya para o papel foi acertada devido à sua entrega, boa leitura da personagem, boa atuação e entrosamento com o elenco. Também é importante destacar o valor de Alice Júnior para a visibilidade e representatividade trans no cinema nacional.

Anne Mota, Surya Amitrano e Matheus Moura, no filme Alice Júnior

Em um dos raros dias de sorte que tenho na vida, comprei o último volume do livro Se Deixar Eu Viro Poesia, publicação independente da Surya com 56 páginas e um lindo trabalho de capa e ilustrações de Stephani Heuczuk. Fiz a compra pelo site e pedi para receber o livro e o CD autografados, e assim os recebi. Segundo a autora, o livro é dividido em cinco capítulos: granizo, chuva, vento, sol e anunciação.

“’(…) os poemas passeiam pela vida e seus estágios: imaginação, realidade, amor, falta de amor, medo, entrega e coragem. Com ilustrações e capa de Stephani Heuczuk, este pequeno livro é um convite ao refletir, mas, principalmente, ao sentir.”

Até o momento em que escrevo esse texto, o livro físico está indisponível em estoque, mas você pode comprá-lo em versão digital. Porém, acredito que se a demanda for muita, pode rolar uma nova edição. Vai depender de vocês pedirem por uma. Fica a dica.

Se Deixar eu Viro Poesia, livro de Surya Amitrano

Agora lhes convido a conhecer o portfólio (@surya_illustrations), onde frequentemente ela posta suas pinturas, desenhos e ilustrações; e também a página de textos e crônicas em seu blog, onde podemos conhecer um pouco melhor do seu talento como escritora.

Tá na mão: mais de vinte músicas de qualidade pra você adicionar na sua playlist e escutar mais de mil vezes, um filme pra assistir com a crush, um livro pra te inspirar e fazer refletir sobre a vida de maneira poética, várias opções de presente pra fazer aquela moral com a sogra. A única coisa que te peço é pra compartilhar. Vamos fortalecer o trabalho de uma artista incrível, fazer chegar à todas as regiões do país – e fora também, manda o link pro seu amigo gringo – e ajudar a crescer a visibilidade dos próximos que serão apresentados aqui no site.

Quem pode se cadastrar no Arte Local?

Nosso trabalho abrange as mais diversas formas de expressão artística de maneira includente. Portanto, todos e todas são bem vindos/as.

É importante, no momento do cadastro, fornecer o máximo de informações possível para que tudo fique bem organizado.

1 – Artistas visuais

Você pode exibir desenhos, pinturas, grafites, fotografias e ilustrações em geral, podendo ser tanto manual quanto digital. É obrigatório que as imagens apresentadas em seu portfólio e loja sejam originais, de sua autoria.

Reproduções técnicas de outras obras já existentes, ou plágio, não são aceitas.

2 – Artistas plásticos/as

Esculturas, artes gráficas, artesanatos artísticos, tatuagens, entre outras. Nessa categoria, vale a mesma regra das artes visuais: o conteúdo apresentado precisa ser original.

No caso de tatuagens, porém, entendemos que o trabalho é escolhido, na maioria das vezes, por clientes, portanto será permitido apresentar imagens que possuem direitos autorais – desde que a tatuagem em questão tenha sido feita por quem está apresentando o portfólio.

3 – Artistas cênicos/as

Atores e atrizes, dançarinos e dançarinas, produção, direção, roteiro, cenografia e operação de recursos técnicos.

Será necessário enviar um link do material em vídeo (público e sem senha). Vale para apresentações, ensaios ou testes.

Necessário especificar qual a função você exerceu.

4 – Cineastas

Direção, produção, roteiro, desenho de som, fotografia, direção de arte e edição.

Atores e atrizes devem se cadastrar na categoria Artes Cênicas, mesmo que já tenham trabalhado em Audiovisual.

Mesma regra: enviar um link público, sem senha e informar qual função exerceu.

5 – Músicos/as

Cantores/as, compositores/as e instrumentistas.

O conteúdo a ser enviado pode ser em formato de vídeo ou áudio, através de link do spotify, soundcloud, fica a seu critério.

Tanto artistas solo quanto bandas podem se cadastrar.

6 – Escritores/as

Ficção, poesia, não-ficção relacionada à artes, fanfics.

Pode ser livros, contos, crônicas ou poesias, romance, fantasia, terror, biografia de algum artista, história e teorias da arte etc. Livre.

No caso de haver personagens já existentes em outras histórias ou na vida real, a obra será categorizada como fanfic.

Você pode cadastrar link de wattpad ou outras plataformas, loja do seu livro e escrever uma sinopse no campo Informações adicionais.

Alguma dúvida?

Caso algum tópico precise ser esclarecido, basta mandar a sua pergunta na página de Contato, que responderemos no mesmo dia.

No mais, venha se juntar à iniciativa!

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