Arquivos Mensais: junho 2021

Você nunca mais sofrerá com bloqueio criativo depois dessa dica

Quando eu fazia faculdade de cinema, o professor de roteiro propôs uma atividade estimulante que eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha posto em prática até então: brainstorm (tempestade de ideias). Também é justo chamá-la de shitstorm, porque uma boa ideia é como uma moeda engolida por uma criança: você só encontra alguma coisa de valor depois que mexe muito na merda.

Assim funcionou a dinâmica: na turma inteira, com seus vinte alunos, cada um teria o prazo de uma hora para fazer brotar trinta ideias (!) enquanto ouvia uma musiquinha alternativa para ajudar a fluir a criatividade. Não precisávamos criar estruturas de roteiros completos, claro, mas apenas uma única frase que explicasse do que aquilo se tratava e que posteriormente seria desenvolvida com maior dedicação – ou apenas ignorada mesmo.

“Esse safado tá é com preguiça de dar aula”, pensariam alguns. Mas o andamento da atividade tomou rumos interessantes.

No começo era um bloqueio completo, quase um surto de pânico generalizado. Maaaas, como as ideias não precisavam ser necessariamente sacadas geniais, absolutamente qualquer coisa a nossa volta podia ser convertida num insight em potencial.

“Saqueadores invadem universidade e estudantes concentrados os ignoram”.

“Padre do balão é encontrado palestrando num evento de coaching”.

Nesse nível.

Aos poucos fui perdendo o receio de ter ideias ruins e simplesmente deixei que a imaginação fluísse, de tal modo que algumas boas ideias timidamente começaram a surgir. Ao final de uma hora, quase todos os alunos conseguiram ter as trinta ideias, e quem não teve trinta teve vinte e poucas, o que não deixa de ser um número expressivo.

Mesmo aqueles que diziam ter pouca ou nenhuma afinidade com a escrita de roteiro conseguiram. Aquela atividade me rendeu nove ideias com as quais me empolguei e me interessei por desenvolvê-las, e eu tive uma sensação de alívio imensa, pois havia encontrado uma solução para os bloqueios criativos que uma hora ou outra acabaria enfrentando.

Ah, então você está querendo me dizer que é só parar e pensar?

SIM!

Sabe qual é o erro de quem para e pensa mas não consegue ter ideias? A pressa. A impaciência. O desespero.

Enquanto você está tentando parir uma ideia por conta própria, não tem ninguém te obrigando a continuar o exercício por mais quarenta e cinco minutos. As pessoas desistem rápido e se desesperam quando começam a ter ideias ruins que aparentemente só atrapalham, mas não entendem que isso faz parte do processo.

Disseque a ideia: por que ela é ruim? Como eu poderia melhorá-la?

Aí você pensa nas suas referências e tenta se inspirar nos seus filmes, séries, livros favoritos. Pensa nos personagens, nos conflitos, nas reviravoltas.

Você simplesmente pensa. E uma boa ideia vem.

E quem fortalece suas referências soluciona o bloqueio criativo com mais facilidade, por isso é importante ler bastante.

Nas atividades seguintes, selecionamos as nossas ideias preferidas para dar corpo a elas: elaboramos sinopse, argumento, escaleta e desenvolvimento de personagens, ao mesmo tempo em que aproveitávamos sugestões dos outros colegas.

Ter ideias é fácil e todo mundo consegue com algum esforço.

E a verdade é que temos ideias em potencial todos os dias. Elas surgem em situações bastante corriqueiras e nem sempre as identificamos como tal. Por exemplo, quando você vê um motoqueiro dando grau e torce pra ele cair, ou escuta ao acaso uma conversa entre duas pessoas na fila do supermercado e tenta imaginar o contexto.

O simples ato de observar o mundo à sua volta é uma maneira extremamente eficaz de ter ideias novas, sem depender unicamente de raros insights, de momentos “eureca” ou drogas.

Ficou interessado/a? Quer fazer?

Então tira aí uma hora do seu dia, deixa o celular no silencioso ou desligado, tente ter trinta ideias e poste nos comentários dessa página – e não se preocupe com a possibilidade de alguém tentar roubar a sua, pois quem fizer o exercício vai conseguir ter a própria ideia e se empolgar tanto com ela que não vai pensar em outra coisa.

Funciona pra roteiro de filme, literatura, música, pintura, tudo.

Mas se você estiver tentando desenvolver uma história completa, com começo, meio e fim, será preciso seguir mais algumas etapas.

Agora vamos dar corpo à história estruturando melhor uma ideia.

É preciso identificar e deixar bem claro o problema, a ação e a resolução. Ou seja, o que os personagens farão para tentar alcançar seus objetivos, sejam quais forem. Vamos trabalhar isso no exemplo do padre do balão:

Problema: um padre quer sumir no mundo.

Ação: faz uma viagem usando apenas balões.

Resolução: recomeça a vida como coach em outro país.

Esse exercício pode transformar a sua perspectiva sobre aquela ideia que você escreveu mas não gostou, por achar que a mesma seria ruim ou desinteressante. A linha solitária que explica do que se trata uma história não é o mais importante, mas sim a maneira como se conta. Serão os acontecimentos que farão o leitor ou espectador gostar ou desgostar.

Nas próximas etapas, a frase única será desenvolvida até se tornar um parágrafo, que em seguida se tornará um resumo e tão logo um argumento, onde o problema, a ação e resolução serão mais bem pensados e terão suas motivações explicadas.

Mas não é disso que vou falar por enquanto, pois o mais importante é que não lhe falte bagagem para o básico.

Também é comum, quando temos uma ideia, pensarmos o seguinte: “esse filme já existe”.

Você pode achar que talvez existam histórias demais sobre campeões de boxe, mas não dá pra dizer que Rocky e Touro Indomável são iguais, por exemplo, ou que a história que você tem em mente ficará igual – a não ser que esteja pensando em cometer plágio.

Talvez o seu campeão viva em uma distopia futurista e precise se disfarçar de robô para sobreviver ao governo que quer matá-lo, e para sustentar o disfarce precisará enfrentar um robô de verdade no ringue. (Pode ficar com essa ideia pra você se quiser).

Toda ideia que, a princípio, parece ruim, pode ficar ótima durante o desenvolvimento.

Tive um bloqueio criativo durante o andamento da ideia. E agora?

Já passei por essa situação e tentei buscar algumas soluções na internet. Eis as principais sugestões: fazer algo não relacionado à criação – como dar uma volta pelo bairro, parar pra assistir um filme, soldar um toldo etc –, isolar todas as distrações – como whatsapp e instagram –, mudar o ambiente de trabalho, ouvir música ou simplesmente deixar o projeto de molho por algum tempo e retomá-lo depois.

São sugestões interessantes e que fazem sentido, mas a verdade é que processos criativos e recepção de estímulos são coisas individuais. O que funcionou pra você pode não funcionar pra mim e vice versa.

É preciso testar mais de uma solução para descobrir qual realmente condiz com o seu método e funciona de verdade pra você.

Foi em uma sessão de arteterapia – prometo que postarei sobre isso mais pra frente – que eu encontrei minha alternativa favorita: experimentar contar a mesma história utilizando outros recursos.

Durante as sessões, éramos convidados a expressar uma ideia específica através de um exercício de colagem, por exemplo, e em seguida reproduzi-la através da pintura ou escrita.

Dê à sua ideia uma nova forma de ser contada.

Você perceberá que ela pode ser muito mais rica do que acredita.

Se estiver travado/a na escrita de um livro, comece a desenhar os personagens, esboce uma história em quadrinhos. Aquela nova linguagem vai mudar sua ótica, mesmo que você talvez não desenhe bem. Até bonequinho de palito vale.

Agora com a perspectiva de quadrinista, sua criatividade terá como referências as HQs que você já leu e a história tomará novos rumos que antes não faziam parte dos seus planos.

Experimente pintar um personagem, um lugar onde a história é ambientada ou uma sequência de acontecimentos, escrever a letra de uma música que tenha relação com o enredo, escalar o elenco que atuaria numa eventual adaptação para o cinema etc.

Há muitas possibilidades.

Seguindo essas dicas, você vai no máximo ficar em dúvida sobre as várias opções de rumos que seu livro ou roteiro poderão tomar.

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Angelita Cardoso: a artista plástica de São Paulo que você precisa conhecer

A obra autoral mistura técnicas de pintura, gravura, aquarela e desenho. Nas imagens a seguir, Angelita Cardoso (São Paulo/SP) expressa uma identidade artística autêntica e criativa, que traduz uma proposta intimista marcada pelo uso de cores que remetem à uma multiplicidade de sentimentos.



Artista plástica de talento incontestável, Angelita Cardoso percorreu um caminho expressivo através de exposições pelo Brasil, Portugal, Espanha, França e Alemanha por encantar amantes da arte com o conjunto de sua obra. Aberto à inúmeras possibilidades de leitura e interpretação, seu trabalho representa, sobretudo, retratos e corpos abstratos em suas formas, preenchidos por cores e sombras atípicas que se distinguem e comunicam ideias e sentimentos de intimidade.



Desde seu cadastro no catálogo do Arte Local, quando tive meu primeiro contato com a arte de Angelita, me impressionaram a força e o impacto das imagens. Vejo nos traços e nos contrastes os elementos de maior destaque e, consequentemente, que mais me chamaram a atenção por reforçar a proposta visual e tornar seu trabalho reconhecível em qualquer exposição, de modo a fortalecer sua marca autoral.

Siga Angelita Cardoso no Instagram

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Construir um portfólio x trabalhar de graça: você sabe a diferença?

Às vezes um artista acredita estar trabalhando de graça, enquanto na verdade está construindo um portfólio. E às vezes um artista acredita que está construindo um portfólio, enquanto na verdade está trabalhando de graça.

Confundir esses dois conceitos é bastante comum, compreensível e até perdoável, afinal há muitas semelhanças na prática. É preciso prestar atenção nas diferenças, e a principal é essa: um coloca pão na sua mesa e o outro te mata de fome. E não, a carga dramática dessa frase não é um exagero.

Existem conselhos que hoje em dia são aceitos quase mundialmente como verdade incontestável: estude e faça faculdade para ter um bom emprego, tenha inglês fluente para se destacar no mercado, faça cursos de computação para expandir suas habilidades etc. Essa é a construção de um currículo exemplar para que você possa concorrer à uma vaga numa grande empresa que pague bem e ofereça estabilidade.

Mas a hipotética empresa vai bancar o seu aprendizado? Não. O investimento vai sair do seu bolso – ou dos seus pais.

A mesma lógica vale para a construção de um portfólio – que é o currículo do artista. Um casal que deseja contratar um/a fotógrafo/a para o registro da cerimônia de casamento, por exemplo, não vai pagar pelas aulas, mas sim pelo conhecimento do/a profissional. E esse mesmo casal, que está com a cabeça na lua de mel, também não vai pagar para a banda aprender a tocar a marcha nupcial.

Em algum momento, tanto o/a fotógrafo/a quanto cada instrumentista da banda precisarão ter dedicado seu tempo e dinheiro para aprender o ofício e aperfeiçoar suas respectivas habilidades antes de se tornarem profissionais.

Até aí fica fácil de entender, certo?

Mas e quando um/a cliente deseja receber um serviço profissional de alguém que atua naquela área há anos e não se dispõe a pagar – ou oferece “divulgação”? Se você já foi à feira alguma vez na vida, tem a resposta na ponta da língua: moça bonita não paga, mas também não leva.

“Mas se eu não fizer, meu/a concorrente vai fazer”. Azar do/a seu/a concorrente, que não vai receber.

“Mas o cliente é meu amigo de infância”. Seu amigo de infância está disposto a pagar um boleto seu de aluguel ou te doar uma cesta básica numa situação de aperto por falta de trabalho?

“Mas eu vou poder comer e beber de tudo à vontade durante a cerimônia, só coisa fina e cara”. Assim como todos os outros cento e cinquenta convidados, só que o único ralando ali será você.

“Mas é um evento muito importante, muito especial, o matrimônio é sagrado”. Você não obrigou ninguém a casar.

“Mas o cliente tem quatro mil seguidores no instagram, seria uma ótima divulgação”. Quantas dessas quatro mil pessoas estão planejando um casamento nos próximos meses na sua cidade? Por quanto tempo o cliente vai manter a divulgação nas redes sociais de maneira ativa? Ele tem alguma experiência bem sucedida na área de marketing?

“Mas eu ainda não sou profissional, o cliente achou o profissional caro e eu ofereci de graça”. Então o cliente precisa estar ciente do risco do trabalho ficar ruim. E sem um portfólio que atesta a qualidade, o que garante que vale a pena contratar você?

O seu aprendizado e a construção do seu portfólio devem começar juntos. E uma vez que começam juntos, devem acompanhar um ao outro por toda a sua carreira. Ambos são progressivos e nunca estarão completamente finalizados enquanto você estiver estudando e trabalhando.

Fez sua primeira aula de desenho, desenhou uma batata e ficou feio? Põe no portfólio e deixa lá até fazer desenhos melhores.

Fez um trabalho como profissional e o resultado ficou incrível? Perfeito, põe lá também e mostre o seu melhor.

Continue aumentando, continue melhorando. Isso mostra que você está em movimento, avançando, tomando um rumo, se desenvolvendo.

Os cursos são importantes para você aprender técnicas, conceitos, teorias e tudo o mais, mas acredito que mais de 90% do aprendizado do ofício acontece durante o trabalho.

É no ato.

E sabe por quê? Porque é pra valer.

Você está sendo pago/a e não pode errar, o que torna tudo mais especial.

O primeiro cachê é inesquecível.

Beleza, agora que você sabe que a construção do portfólio não é só uma etapa pré-profissionalização, e sim um processo contínuo, talvez esteja se perguntando qual é a hora certa para começar a se apresentar como profissional e recusar propostas de trabalho sem remuneração.

Muitas empresas de várias áreas quando anunciam uma vaga, exigem que o candidato possua algum tempo de experiência – embora poucas ofereçam oportunidades aos inexperientes, o que acaba deixando muita gente numa encruzilhada.

O/a cliente que pretende contratar o serviço de um/a artista, por outro lado, pode ser convencido/a apenas pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos durante algum curso e que estejam presentes no portfólio, mesmo que nunca tenha atuado profissionalmente no passado.

Mas será que você está preparado/a?

Você saberá liderar uma equipe quando precisar de auxiliares?

Você sabia que um/a cliente pode desistir se você não tiver uma maquininha de cartão de crédito?

Você sabe elaborar um contrato?

Você sabe identificar papo de caloteiro?

Você sabe lidar com críticas destrutivas?

Você se prepara para possíveis imprevistos?

Não sei se um curso ensina essas coisas.

Antes de se aventurar como profissional, é importante acompanhar a rotina de um/a. Como um estágio mesmo. Observe quais são as principais dificuldades, necessidades e obstáculos. Carregue peso. Conheça e domine a parte mais chata do trabalho, pois, embora aquele seja o seu sonho, nem tudo são flores.

Um/a artista profissional precisa não só do domínio técnico, da sensibilidade e da criatividade, mas também conhecer a malícia do mercado – o que é fundamental para todas as outras áreas. Por isso sabem o quão problemático é trabalhar de graça e reconhecem a importância dos estágios iniciais.

Trata-se de entender a diferença entre oportunidade e exploração, ter pulso firme diante do descrédito de muitos clientes e fazer entender que aquele é o seu meio de sustento, e não um mero passatempo como a maioria acredita.

Afinal, para muitos é inaceitável a ideia de amar sua profissão.

E isso precisa mudar.

Ainda não tem um portfólio? O Arte Local pode ser uma boa opção para começar.

O Arte Local não é somente um blog com dicas e recomendações. Também oferecemos um espaço gratuito para artistas locais ou em início de carreira exibirem seus trabalhos.

Sempre que um visitante do site buscar por artistas na sua cidade, seu trabalho estará lá em evidência e poderá ser acessado por pessoas de todo o mundo. Sem que você precise ficar divulgando incansavelmente.

Quer ver um exemplo? Acesso o nosso catálogo de artistas cadastrados e selecione um estado.

Se você já tem um portfólio, também pode se cadastrar gratuitamente. Os links serão exibidos na sua página.

Quer saber mais? Acesse a página de cadastro e entenda como funciona.

E claro, se você achou esse conteúdo útil, você também pode assinar para receber notificações no seu e-mail sempre que houver novidades por aqui. Sem spam, sem chateação. Postamos e você recebe um aviso. Simples assim. Basta preencher o campo abaixo com o seu endereço de e-mail:

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PARTE 2: DOIS COMPORTAMENTOS QUE SABOTAM SUA CARREIRA – EVITE-OS A QUALQUER CUSTO!

Se você leu a parte 1, está ciente de que o/a artista que deseja se firmar em uma carreira enfrenta duas categorias diferentes de obstáculos: a primeira diz respeito à assuntos externos e mais complexos, como a desvalorização e o pouco interesse, enquanto que a segunda se trata das manias individuais, más atitudes e teimosia.

Para que o texto não ficasse extenso demais, selecionamos apenas dois comportamentos na parte 1, e agora entregamos na sua mão a parte 2, com mais dois comportamentos que você precisa evitar para salvar qualquer possibilidade de levar sua carreira adiante.

1 – Não continuar aprendendo

Este comportamento na verdade pode sabotar o sucesso de qualquer carreira em qualquer setor, e com os artistas não é diferente. Seus estudos e prática de aperfeiçoamento de técnicas não terminam com a conclusão do seu curso ou faculdade. Na verdade, o processo de evolução de uma pessoa só deve acabar na hora da morte.

Não importa se você se formou em Harvard, continue aprendendo. Não importa se você foi aprendiz do espírito do próprio Da Vinci, continue aprendendo.

Sei que é humanamente impossível ter acesso à toda a infinidade de conhecimento existente no mundo, mesmo se peneirarmos em uma área de interesse bastante específica. Porém, todo nosso aprendizado ao longo da vida precisa ser constantemente reforçado, expandido e inovado, pois aquilo que menos exercitamos tende a cair no esquecimento mais rápido.

Nem tudo é como andar de bicicleta.

Seria ótimo conseguir ler todos os livros e artigos, assistir a todos os cursos e dominar todas as possíveis técnicas que fariam de nós profissionais muito melhores. E eu entendo que não é todo mundo que se sente motivado/a a passar o resto da vida respirando arte e se dedicando ao ofício integralmente, desde o momento em que acorda até a hora de dormir. Daí você pode até argumentar que tem um parente, amigo/a ou conhecido/a que se entrega de corpo e alma e até hoje não conseguiu vingar.

Tudo bem, tentar até a exaustão não vai garantir, eu sei disso.

Mas não dar o máximo de si é uma garantia de que vai dar tudo errado.

Mas antes de fechar esse blog e começar a baixar centenas de pdf’s desesperadamente, é importante ter em mente que só se especializar naquilo em que você atua também não é o bastante.

Variar é necessário.

Na minha época de faculdade, era muito comum e lamentável ver estudantes alimentando picuinhas infantis entre os cursos nas redes sociais. Aluno de cênicas torcendo o nariz pro curso de cinema, e vice-versa. Aluno de música torcendo o nariz pro curso de dança, e vice-versa. Você pode estar pensando: “Mas como assim? São cursos que se complementam, um enriquece a formação do outro, eles deviam se unir”.

E eu concordo cem por cento. Achava ridículo. Era universidade pública, todo mundo se ferrando igualmente com os incessantes cortes de verba, mas as bonecas tavam lá alimentando umas rivalidades inventadas e sem o menor sentido.

Agora sejamos sinceros: você espera ver qualidade no trabalho de um profissional de cinema que já fez uma caralhada de cursos disso e daquilo, leu a bibliografia completa do Bazin e do Eisenstein, mas nunca leu uma única linha sobre teatro na vida?

Imagina essa pessoa tentando se comunicar com um/a ator/iz no set, sem conseguir passar a ideia.

Um desastre total.

Mas se todos agissem como adultos, tivessem mais curiosidade e menos vaidade, se matriculassem em disciplinas dos outros cursos, fizessem mais contatos e experimentassem algo diferente daquilo que estão acostumados, teriam chances muito maiores de se tornarem profissionais melhores após se formarem.

Faz sentido?

Ótimo, agora chega de explicar o óbvio. Também não é só fazer uma salada de todos os cursos de artes existentes que vai salvar sua carreira. Os conhecimentos que você vier a adquirir precisam acompanhar as mudanças do mundo, e o mundo está mudando muito rápido. Concorde ou não com as transformações ao seu redor, ao menos saiba do que elas se tratam.

Agora que já tomou bronca por torcer o nariz pro curso do coleguinha, que tal não torcer o nariz pra tecnologia?

Um exemplo muito comum é a resistência à aderência ao meio digital. Mesmo quem nasceu muito antes dos anos 90, já se acostumou à tecnologia digital e usa computador, internet, tem redes sociais, smartphones e estão vendo o futuro virar passado.

Porém, ainda existe uma parcela de conservadores – e não me refiro ao posicionamento político e ou econômico – que resiste à aplicação de recursos digitais na realização artística.

Por exemplo, há cineastas que até hoje só filmam em película. Estão errados por isso?

Nem sempre.

Nesse caso em particular, a imagem gravada em película realmente difere da imagem digital, o que pode ser mais adequado para o filme >>>DEPENDENDO DA PROPOSTA ESTÉTICA<<< na qual o mesmo pretende contar a história.

Quem tá errado mesmo é aquele outro que torce o nariz pro cinema digital porque sempre filmou em película, se recusa a trabalhar de outra forma sem ser a que ele conhece e ainda sobe nos tamancos pra falar que aquilo não é cinema de verdade.

Sério, eu não tenho uma gota de paciência com caga-regra.

Enfim, esse daí não está fazendo uma escolha estética. Ele não está nem tentando. Não quer dar uma chance à novidade por implicância sem sentido.

O fato é que hoje existem incontáveis alternativas, não apenas no modo de produção, mas também de distribuição e circulação. Talvez o exemplo mais popular atualmente sejam as plataformas de streaming: os mais conservadores podem até dizer que Netflix não é cinema de verdade e que os originais não deveriam concorrer em premiações, mas vão ter que aguentar o tapão do Cuarón depois.

Não tenho certeza se foi em 2019, mas me lembro bem de quando um tema de redação foi a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Naquela tarde, milhões de estudantes refletiram por algumas horas sobre o alto número de cidades brasileiras que não possuem uma sala de cinema. Por muitas décadas, essa escassez e má distribuição de salas de cinema pelo país foram um grande obstáculo para quem sonhava em exibir seu filme nas telonas.

Hoje não ficou nada mais fácil conquistar este espaço, principalmente quando se concorre com as superproduções hollywoodianas ou as comédias da Globo Filmes.

Mas a internet é uma alternativa.

Não tem o mesmo glamour, mas está aí disponível – por mais que as empresas provedoras dificultem o serviço – e nós podemos divulgar todo tipo de conteúdo audiovisual, investir barato no marketing e há a boa chance de que seja um sucesso.

Não significa que você deve desistir de vez da maneira “tradicional” de se exibir um filme e migrar definitivamente para a mais fácil. Significa apenas que avaliar as novas opções pode salvar sua carreira.

Vale lembrar que são anos bem difíceis para o setor de cultura no Brasil.

Sendo assim, você terá muito a ganhar quando aprender mais sobre marketing digital, administração, contabilidade, economia, gestão de tecnologia, sistemas para internet etc.

Não interessa se você acha isso chato, monótono e escolheu ser artista justamente pra ter uma rotina mais interessante. Não precisa seguir carreira nessas áreas e ir trabalhar em bancos ou escritórios.

É preciso conhecer, saber como funciona.

É assim que se vai direto à raiz do problema: adapte o seu trabalho (a sua arte) ao meio que te proporciona aquilo que lhe falta (oportunidades, estabilidade, dinheiro).

2 – Não ter presença na internet

Sim, esse tópico tem relação com o anterior, sobre não abrir as portas e dar as boas vindas para o novo. Mas, às vezes, não ter presença na internet pode ter outros motivos por trás.

Um deles, por exemplo, é a vergonha. Outro é usar errado, sem saber quais os melhores recursos que podem ser aplicados a seu favor.

Muita gente acredita que o Facebook é uma festa que já acabou e as pessoas estão começando a ir embora, por exemplo. Isso pode ser verdade para uma dúzia dos seus amigos, que preferiram manter só o Instagram e quando muito o Twitter. Porém, alguns bilhões de pessoas pelo mundo, contando com grande participação do Brasil, discordam.

O Face ainda é a rede social mais utilizada e nem sente cócegas com a “ameaça” do Insta, até por que ambas pertencem ao mesmo dono – assim como o Whatsapp.

Faça as pazes com ele, adicione sua tia que te chama de lindo, o indiano que te elogia em inglês, entre em grupos, faça amizade com desconhecidos que se interessam por arte e divulgue seu trabalho com frequência (sem adotar o método de testemunha de Jeová, é claro).

É muito mais fácil você encontrar seu público num site que foi bem sucedido em reunir bilhões de pessoas, do que em qualquer outro lugar, concorda?

Poste fotos do seu produto no Insta, faça stories interagindo com o mesmo, publique tuítes e, se possível, invista nos anúncios. Há muitos tutoriais no Youtube que ensinam as melhores estratégias para impulsionar suas publicações, e a vantagem é que você pode começar investindo pouquinho, aquele trocado que seria gasto com jujuba e estragaria seus dentes ao invés de um comercial de custo milionário na televisão.

Sabendo selecionar bem o seu público potencial, o retorno virá.

A lógica da alternativa é a mesma: pode ser que você encontre muito mais dificuldades enquanto tenta se mostrar ao mundo pelas vias “tradicionais”, mas a verdade é que as salas de cinema estão vazias (a não ser que você tenha participado de uma superprodução hollywoodiana), assim como os teatros, museus e galerias.

Mas o mundo inteiro está na internet, onde o acesso à arte é muito mais democratizado. Suas possibilidades são muito maiores e, se a timidez é um obstáculo, uma hora ou outra você precisará confrontá-la.

É fácil publicar vídeos no Youtube, lançar ebooks, vender online, e até as grandes empresas multimilionárias que movimentam quantias exorbitantes de dinheiro, como os bancos, precisam marcar presença online desenvolvendo e melhorando constantemente seus aplicativos, serviços e investindo no marketing digital.

Questão de sobrevivência.

Se essa falta de adaptação ameaça os maiores negócios, que chances teriam os artistas independentes e em início de carreira?

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A importância do seu engajamento com o Arte Local

Impactar o setor artístico de um país gigante como o Brasil não é trabalho para uma só pessoa. Nem para uma modesta equipe.

É preciso mobilizar milhares de pessoas.

Mas não são somente os números que importam.

Importa a consciência de que o setor vai mal no Brasil e isso precisa mudar.

Despertar essa consciência é fácil. Nós seres humanos amamos a arte e precisamos dela.

Não exige muito empenho, apenas o mínimo.

Artista ou não, você e a equipe do Arte Local estão unidos por um interesse em comum: ajudar a aumentar a visibilidade e as oportunidades para artistas locais e iniciantes.

Para que isso aconteça, o Brasil precisa conhecer o Arte Local, que ainda é uma iniciativa muito jovem.

Sua participação nesse processo de crescimento é muito simples, não leva nem 5 minutos e faz uma grande diferença: siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook. Para os visitantes e interessados, números importam e ajudam a aumentar a credibilidade.

Compartilhe: estratégia nenhuma de marketing supera a eficácia do boca a boca. Faça o Arte Local chegar ao maior número de pessoas possível.

Marque seus amigos: você com toda certeza conhece alguém com muito talento, pouco reconhecimento e que merece ser visto/a pelo Brasil inteiro.

Cadastre seu e-mail: a arte prospera quando passa a fazer mais parte do dia a dia das pessoas. É preciso haver constância. Por isso te avisaremos toda semana, sem falta, quando houver conteúdo novo. No seu e-mail, sem spam e sem chateação.

Podemos contar com esses poucos minutinhos do seu dia para transformar a vida de nossos/as artistas?

Você tem 10 dias para inscrever seu curta no FestCurtasBH

Você conhece o Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte? Pois esta pode ser uma excelente oportunidade para exibir o seu trabalho. O FestCurtasBH foi criado em 1994 e chega à sua 23ª edição em 2021, exibindo, revelando e premiando diversos talentos.

Se você tem um filme com duração de até 45 minutos, o mesmo está apto e pode ser inscrito no festival através do link abaixo. Mas fique atento/a ao prazo, pois as inscrições se encerram no dia 13 de junho.

Quero me inscrever no FestCurtasBH

Além da exibição de curtas contemporâneos e históricos, abrangendo diversos formatos, gêneros, nacionalidades e linguagens, o festival, que ocorrerá do dia 4 ao dia 14 de novembro, também conta com a realização de seminários, debates, cursos e eventos especiais.

Saiba mais sobre a história do festival, veja os catálogos e confira os artistas premiados de todas as edições no site: https://www.festcurtasbh.com/

Convide seus amigos e participe!

O álbum Olho de Vidro, da JADSA, é IMPACTANTE e você PRECISA ouvir!

O que foi isso que eu acabei de ouvir? Parece MPB, tem umas guitarras e é meio psicodélico. Mas será que não é Soul? Tem uma pegada de jazz também, talvez um blues. Não sei, só sei que soa familiar, mas não me lembro de já ter ouvido algo parecido. E é muito bom.

Lançado pela Balaclava Records, Olho de Vidro é o álbum de estréia da cantora Jadsa, após os EPs Godê (2015, em parceria com Tropical Selvagem) e TAXIDERMIA vol. I (2020, em parceria com João Milet Meirelles). Sem dúvida alguma, o melhor lançamento de 2021 até o momento.

Segundo a breve biografia da cantora de Salvador-BA (que também é compositora, guitarrista e produtora musical) apresentada no Spotify, suas principais influências nacionais são Jards Macalé, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, além de se inspirar nos estadunidenses Jimi Hendrix, Janis Joplin, Alabama Shakes e Khruangbin.

Essas informações ajudam a elucidar uma certa familiaridade que percebemos ainda na introdução. Jadsa soube criar algo completamente novo através de referências muito bem estabelecidas e estudadas, que encontram vida em sua voz marcante, criatividade na composição das letras e jogos rítmicos, que brincam com pausas e variações de tons.

E sabe de uma coisa? Ela não está abaixo de nenhuma de suas influências. Se estivéssemos nos anos 60, Jadsa estaria dividindo o palco com os maiores nomes do Woodstock.

Propomos um desafio para vocês, leitores e leitoras. É muito provável que vocês tenham amigos e familiares que enchem a boca para falar que música brasileira não presta. Faça-os ouvir Olho de Vidro do começo ao fim e cale-os para sempre. Aprecie suas expressões boquiabertas quando cair a ficha de que estão ouvindo um fenômeno que, com toda a certeza, entrará para a história da cultura nacional.

Se não mudarem de ideia, desistam. É porque já morreram por dentro.

Escutei Jadsa pela primeira vez em apresentação na TV Cultura, e imediatamente soube que seria ela o próximo destaque no Arte Local. Não poderia deixar de compartilhar esse som com vocês e acredito que o mundo todo precisa conhecê-la. O site ainda não tem esse alcance, mas estou fazendo a minha parte.

O álbum é como uma jornada que nos convida a explorar a fundo nossos próprios sentimentos. As canções conduzem a diferentes sensações, semelhante a um efeito hipnótico, que fazem com que o ouvinte experimente uma imersão quase completa em momentos que vão da calmaria à euforia. Não serve como mero som ambiente pra ficar tocando no elevador, você precisa parar pra ouvir e se entregar à experiência.

Não é qualquer lançamento morno nem tímido. É intenso. Ousado. Brabo. Pedrada. Classudo.

Com duração de 46 minutos, Olho de Vidro conta com 14 faixas sem economizar em criatividade e personalidade. O som tem pegada e convence o ouvinte dos sentimentos que a artista expressa, entregando um repertório de poesia vocalizada e genialmente instrumentalizada.

A maior riqueza do álbum consiste em valer-se do que há de melhor em cada estilo. Daí a dificuldade em tentar identificar um gênero em particular no início. Parece que ainda somos muito apegados à ideia de que certos ritmos não se misturam, e que portanto devemos escolher somente um e vestir sua camisa.

Mas Jadsa é muito bem sucedida em provar que essas fusões podem entregar resultados incríveis, e Olho de Vidro é uma aula que deve inspirar todos aqueles que pretendem evoluir enquanto artistas.

Se você é daquelas pessoas que gostariam de ter nascido em outra época para acompanhar o começo da carreira de algum ídolo e marcado presença nos melhores shows, as gerações futuras sentirão inveja é de você que teve o privilégio de testemunhar o primeiro lançamento da Jadsa.

E quero ver alguém ter a coragem de me olhar nos olhos e dizer que estou exagerando.

Procurei onde comprar um CD físico – pra pedir um autografado, lógico – e infelizmente não achei. Mas não tem jeito, esse formato ainda vai acabar caindo em desuso mesmo. Por isso, corre lá no Spotify, no Deezer, Amazon Music, YouTube, porque tá lá de bandeja pra você curtir.

Agora vou contar uma história aqui meio em off: alguns anos atrás, minha madrinha viajou pra Itália e me contou sobre um restaurante com bastante fluxo turístico, onde tinha um cantor que parecia conhecer pelo menos uma música de cada país. A galera falava de onde era, ele tocava uma música de lá. Brabo mesmo. Lá foi minha madrinha inventar de falar que era brasileira, e adivinha? O cara começou: “Nossa, nossa, assim você me mata”. Ela não sabia onde enfiar a cara.

Imagina ela voltando nesse lugar daqui uns anos e encontrando o mesmo cantor. E se ao invés de repetir o hit mais constrangedor do Brasil, ele simplesmente fechasse os olhos, respirasse fundo e dissesse pra banda: “Nossa hora chegou. Vamos tocar aquela.” “Aquela?”, “Sim, aquela. Caprichem”. E de repente começam a tocar Sem Edição, da Jadsa. Os outros turistas vão ficar de queixo caído, aplaudir de pé e comentarem entre si: música brasileira é mesmo boa, hein!

Tô sonhando? Tô não! Tira esse dedo do nariz e usa pra compartilhar, manda o som pra todos os seus amigos, pra sua família, ouve sem fone no ônibus, põe como toque no seu celular, canta alto na fila do banco.

Façam esse álbum viralizar! O mundo tá precisando de boas novidades.

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