O álbum Olho de Vidro, da JADSA, é IMPACTANTE e você PRECISA ouvir!

O que foi isso que eu acabei de ouvir? Parece MPB, tem umas guitarras e é meio psicodélico. Mas será que não é Soul? Tem uma pegada de jazz também, talvez um blues. Não sei, só sei que soa familiar, mas não me lembro de já ter ouvido algo parecido. E é muito bom.

Lançado pela Balaclava Records, Olho de Vidro é o álbum de estréia da cantora Jadsa, após os EPs Godê (2015, em parceria com Tropical Selvagem) e TAXIDERMIA vol. I (2020, em parceria com João Milet Meirelles). Sem dúvida alguma, o melhor lançamento de 2021 até o momento.

Segundo a breve biografia da cantora de Salvador-BA (que também é compositora, guitarrista e produtora musical) apresentada no Spotify, suas principais influências nacionais são Jards Macalé, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, além de se inspirar nos estadunidenses Jimi Hendrix, Janis Joplin, Alabama Shakes e Khruangbin.

Essas informações ajudam a elucidar uma certa familiaridade que percebemos ainda na introdução. Jadsa soube criar algo completamente novo através de referências muito bem estabelecidas e estudadas, que encontram vida em sua voz marcante, criatividade na composição das letras e jogos rítmicos, que brincam com pausas e variações de tons.

E sabe de uma coisa? Ela não está abaixo de nenhuma de suas influências. Se estivéssemos nos anos 60, Jadsa estaria dividindo o palco com os maiores nomes do Woodstock.

Propomos um desafio para vocês, leitores e leitoras. É muito provável que vocês tenham amigos e familiares que enchem a boca para falar que música brasileira não presta. Faça-os ouvir Olho de Vidro do começo ao fim e cale-os para sempre. Aprecie suas expressões boquiabertas quando cair a ficha de que estão ouvindo um fenômeno que, com toda a certeza, entrará para a história da cultura nacional.

Se não mudarem de ideia, desistam. É porque já morreram por dentro.

Escutei Jadsa pela primeira vez em apresentação na TV Cultura, e imediatamente soube que seria ela o próximo destaque no Arte Local. Não poderia deixar de compartilhar esse som com vocês e acredito que o mundo todo precisa conhecê-la. O site ainda não tem esse alcance, mas estou fazendo a minha parte.

O álbum é como uma jornada que nos convida a explorar a fundo nossos próprios sentimentos. As canções conduzem a diferentes sensações, semelhante a um efeito hipnótico, que fazem com que o ouvinte experimente uma imersão quase completa em momentos que vão da calmaria à euforia. Não serve como mero som ambiente pra ficar tocando no elevador, você precisa parar pra ouvir e se entregar à experiência.

Não é qualquer lançamento morno nem tímido. É intenso. Ousado. Brabo. Pedrada. Classudo.

Com duração de 46 minutos, Olho de Vidro conta com 14 faixas sem economizar em criatividade e personalidade. O som tem pegada e convence o ouvinte dos sentimentos que a artista expressa, entregando um repertório de poesia vocalizada e genialmente instrumentalizada.

A maior riqueza do álbum consiste em valer-se do que há de melhor em cada estilo. Daí a dificuldade em tentar identificar um gênero em particular no início. Parece que ainda somos muito apegados à ideia de que certos ritmos não se misturam, e que portanto devemos escolher somente um e vestir sua camisa.

Mas Jadsa é muito bem sucedida em provar que essas fusões podem entregar resultados incríveis, e Olho de Vidro é uma aula que deve inspirar todos aqueles que pretendem evoluir enquanto artistas.

Se você é daquelas pessoas que gostariam de ter nascido em outra época para acompanhar o começo da carreira de algum ídolo e marcado presença nos melhores shows, as gerações futuras sentirão inveja é de você que teve o privilégio de testemunhar o primeiro lançamento da Jadsa.

E quero ver alguém ter a coragem de me olhar nos olhos e dizer que estou exagerando.

Procurei onde comprar um CD físico – pra pedir um autografado, lógico – e infelizmente não achei. Mas não tem jeito, esse formato ainda vai acabar caindo em desuso mesmo. Por isso, corre lá no Spotify, no Deezer, Amazon Music, YouTube, porque tá lá de bandeja pra você curtir.

Agora vou contar uma história aqui meio em off: alguns anos atrás, minha madrinha viajou pra Itália e me contou sobre um restaurante com bastante fluxo turístico, onde tinha um cantor que parecia conhecer pelo menos uma música de cada país. A galera falava de onde era, ele tocava uma música de lá. Brabo mesmo. Lá foi minha madrinha inventar de falar que era brasileira, e adivinha? O cara começou: “Nossa, nossa, assim você me mata”. Ela não sabia onde enfiar a cara.

Imagina ela voltando nesse lugar daqui uns anos e encontrando o mesmo cantor. E se ao invés de repetir o hit mais constrangedor do Brasil, ele simplesmente fechasse os olhos, respirasse fundo e dissesse pra banda: “Nossa hora chegou. Vamos tocar aquela.” “Aquela?”, “Sim, aquela. Caprichem”. E de repente começam a tocar Sem Edição, da Jadsa. Os outros turistas vão ficar de queixo caído, aplaudir de pé e comentarem entre si: música brasileira é mesmo boa, hein!

Tô sonhando? Tô não! Tira esse dedo do nariz e usa pra compartilhar, manda o som pra todos os seus amigos, pra sua família, ouve sem fone no ônibus, põe como toque no seu celular, canta alto na fila do banco.

Façam esse álbum viralizar! O mundo tá precisando de boas novidades.

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