PARTE 2: DOIS COMPORTAMENTOS QUE SABOTAM SUA CARREIRA – EVITE-OS A QUALQUER CUSTO!

Se você leu a parte 1, está ciente de que o/a artista que deseja se firmar em uma carreira enfrenta duas categorias diferentes de obstáculos: a primeira diz respeito à assuntos externos e mais complexos, como a desvalorização e o pouco interesse, enquanto que a segunda se trata das manias individuais, más atitudes e teimosia.

Para que o texto não ficasse extenso demais, selecionamos apenas dois comportamentos na parte 1, e agora entregamos na sua mão a parte 2, com mais dois comportamentos que você precisa evitar para salvar qualquer possibilidade de levar sua carreira adiante.

1 – Não continuar aprendendo

Este comportamento na verdade pode sabotar o sucesso de qualquer carreira em qualquer setor, e com os artistas não é diferente. Seus estudos e prática de aperfeiçoamento de técnicas não terminam com a conclusão do seu curso ou faculdade. Na verdade, o processo de evolução de uma pessoa só deve acabar na hora da morte.

Não importa se você se formou em Harvard, continue aprendendo. Não importa se você foi aprendiz do espírito do próprio Da Vinci, continue aprendendo.

Sei que é humanamente impossível ter acesso à toda a infinidade de conhecimento existente no mundo, mesmo se peneirarmos em uma área de interesse bastante específica. Porém, todo nosso aprendizado ao longo da vida precisa ser constantemente reforçado, expandido e inovado, pois aquilo que menos exercitamos tende a cair no esquecimento mais rápido.

Nem tudo é como andar de bicicleta.

Seria ótimo conseguir ler todos os livros e artigos, assistir a todos os cursos e dominar todas as possíveis técnicas que fariam de nós profissionais muito melhores. E eu entendo que não é todo mundo que se sente motivado/a a passar o resto da vida respirando arte e se dedicando ao ofício integralmente, desde o momento em que acorda até a hora de dormir. Daí você pode até argumentar que tem um parente, amigo/a ou conhecido/a que se entrega de corpo e alma e até hoje não conseguiu vingar.

Tudo bem, tentar até a exaustão não vai garantir, eu sei disso.

Mas não dar o máximo de si é uma garantia de que vai dar tudo errado.

Mas antes de fechar esse blog e começar a baixar centenas de pdf’s desesperadamente, é importante ter em mente que só se especializar naquilo em que você atua também não é o bastante.

Variar é necessário.

Na minha época de faculdade, era muito comum e lamentável ver estudantes alimentando picuinhas infantis entre os cursos nas redes sociais. Aluno de cênicas torcendo o nariz pro curso de cinema, e vice-versa. Aluno de música torcendo o nariz pro curso de dança, e vice-versa. Você pode estar pensando: “Mas como assim? São cursos que se complementam, um enriquece a formação do outro, eles deviam se unir”.

E eu concordo cem por cento. Achava ridículo. Era universidade pública, todo mundo se ferrando igualmente com os incessantes cortes de verba, mas as bonecas tavam lá alimentando umas rivalidades inventadas e sem o menor sentido.

Agora sejamos sinceros: você espera ver qualidade no trabalho de um profissional de cinema que já fez uma caralhada de cursos disso e daquilo, leu a bibliografia completa do Bazin e do Eisenstein, mas nunca leu uma única linha sobre teatro na vida?

Imagina essa pessoa tentando se comunicar com um/a ator/iz no set, sem conseguir passar a ideia.

Um desastre total.

Mas se todos agissem como adultos, tivessem mais curiosidade e menos vaidade, se matriculassem em disciplinas dos outros cursos, fizessem mais contatos e experimentassem algo diferente daquilo que estão acostumados, teriam chances muito maiores de se tornarem profissionais melhores após se formarem.

Faz sentido?

Ótimo, agora chega de explicar o óbvio. Também não é só fazer uma salada de todos os cursos de artes existentes que vai salvar sua carreira. Os conhecimentos que você vier a adquirir precisam acompanhar as mudanças do mundo, e o mundo está mudando muito rápido. Concorde ou não com as transformações ao seu redor, ao menos saiba do que elas se tratam.

Agora que já tomou bronca por torcer o nariz pro curso do coleguinha, que tal não torcer o nariz pra tecnologia?

Um exemplo muito comum é a resistência à aderência ao meio digital. Mesmo quem nasceu muito antes dos anos 90, já se acostumou à tecnologia digital e usa computador, internet, tem redes sociais, smartphones e estão vendo o futuro virar passado.

Porém, ainda existe uma parcela de conservadores – e não me refiro ao posicionamento político e ou econômico – que resiste à aplicação de recursos digitais na realização artística.

Por exemplo, há cineastas que até hoje só filmam em película. Estão errados por isso?

Nem sempre.

Nesse caso em particular, a imagem gravada em película realmente difere da imagem digital, o que pode ser mais adequado para o filme >>>DEPENDENDO DA PROPOSTA ESTÉTICA<<< na qual o mesmo pretende contar a história.

Quem tá errado mesmo é aquele outro que torce o nariz pro cinema digital porque sempre filmou em película, se recusa a trabalhar de outra forma sem ser a que ele conhece e ainda sobe nos tamancos pra falar que aquilo não é cinema de verdade.

Sério, eu não tenho uma gota de paciência com caga-regra.

Enfim, esse daí não está fazendo uma escolha estética. Ele não está nem tentando. Não quer dar uma chance à novidade por implicância sem sentido.

O fato é que hoje existem incontáveis alternativas, não apenas no modo de produção, mas também de distribuição e circulação. Talvez o exemplo mais popular atualmente sejam as plataformas de streaming: os mais conservadores podem até dizer que Netflix não é cinema de verdade e que os originais não deveriam concorrer em premiações, mas vão ter que aguentar o tapão do Cuarón depois.

Não tenho certeza se foi em 2019, mas me lembro bem de quando um tema de redação foi a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Naquela tarde, milhões de estudantes refletiram por algumas horas sobre o alto número de cidades brasileiras que não possuem uma sala de cinema. Por muitas décadas, essa escassez e má distribuição de salas de cinema pelo país foram um grande obstáculo para quem sonhava em exibir seu filme nas telonas.

Hoje não ficou nada mais fácil conquistar este espaço, principalmente quando se concorre com as superproduções hollywoodianas ou as comédias da Globo Filmes.

Mas a internet é uma alternativa.

Não tem o mesmo glamour, mas está aí disponível – por mais que as empresas provedoras dificultem o serviço – e nós podemos divulgar todo tipo de conteúdo audiovisual, investir barato no marketing e há a boa chance de que seja um sucesso.

Não significa que você deve desistir de vez da maneira “tradicional” de se exibir um filme e migrar definitivamente para a mais fácil. Significa apenas que avaliar as novas opções pode salvar sua carreira.

Vale lembrar que são anos bem difíceis para o setor de cultura no Brasil.

Sendo assim, você terá muito a ganhar quando aprender mais sobre marketing digital, administração, contabilidade, economia, gestão de tecnologia, sistemas para internet etc.

Não interessa se você acha isso chato, monótono e escolheu ser artista justamente pra ter uma rotina mais interessante. Não precisa seguir carreira nessas áreas e ir trabalhar em bancos ou escritórios.

É preciso conhecer, saber como funciona.

É assim que se vai direto à raiz do problema: adapte o seu trabalho (a sua arte) ao meio que te proporciona aquilo que lhe falta (oportunidades, estabilidade, dinheiro).

2 – Não ter presença na internet

Sim, esse tópico tem relação com o anterior, sobre não abrir as portas e dar as boas vindas para o novo. Mas, às vezes, não ter presença na internet pode ter outros motivos por trás.

Um deles, por exemplo, é a vergonha. Outro é usar errado, sem saber quais os melhores recursos que podem ser aplicados a seu favor.

Muita gente acredita que o Facebook é uma festa que já acabou e as pessoas estão começando a ir embora, por exemplo. Isso pode ser verdade para uma dúzia dos seus amigos, que preferiram manter só o Instagram e quando muito o Twitter. Porém, alguns bilhões de pessoas pelo mundo, contando com grande participação do Brasil, discordam.

O Face ainda é a rede social mais utilizada e nem sente cócegas com a “ameaça” do Insta, até por que ambas pertencem ao mesmo dono – assim como o Whatsapp.

Faça as pazes com ele, adicione sua tia que te chama de lindo, o indiano que te elogia em inglês, entre em grupos, faça amizade com desconhecidos que se interessam por arte e divulgue seu trabalho com frequência (sem adotar o método de testemunha de Jeová, é claro).

É muito mais fácil você encontrar seu público num site que foi bem sucedido em reunir bilhões de pessoas, do que em qualquer outro lugar, concorda?

Poste fotos do seu produto no Insta, faça stories interagindo com o mesmo, publique tuítes e, se possível, invista nos anúncios. Há muitos tutoriais no Youtube que ensinam as melhores estratégias para impulsionar suas publicações, e a vantagem é que você pode começar investindo pouquinho, aquele trocado que seria gasto com jujuba e estragaria seus dentes ao invés de um comercial de custo milionário na televisão.

Sabendo selecionar bem o seu público potencial, o retorno virá.

A lógica da alternativa é a mesma: pode ser que você encontre muito mais dificuldades enquanto tenta se mostrar ao mundo pelas vias “tradicionais”, mas a verdade é que as salas de cinema estão vazias (a não ser que você tenha participado de uma superprodução hollywoodiana), assim como os teatros, museus e galerias.

Mas o mundo inteiro está na internet, onde o acesso à arte é muito mais democratizado. Suas possibilidades são muito maiores e, se a timidez é um obstáculo, uma hora ou outra você precisará confrontá-la.

É fácil publicar vídeos no Youtube, lançar ebooks, vender online, e até as grandes empresas multimilionárias que movimentam quantias exorbitantes de dinheiro, como os bancos, precisam marcar presença online desenvolvendo e melhorando constantemente seus aplicativos, serviços e investindo no marketing digital.

Questão de sobrevivência.

Se essa falta de adaptação ameaça os maiores negócios, que chances teriam os artistas independentes e em início de carreira?

Como NÃO vender sua arte

Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

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