Construir um portfólio x trabalhar de graça: você sabe a diferença?

Às vezes um artista acredita estar trabalhando de graça, enquanto na verdade está construindo um portfólio. E às vezes um artista acredita que está construindo um portfólio, enquanto na verdade está trabalhando de graça.

Confundir esses dois conceitos é bastante comum, compreensível e até perdoável, afinal há muitas semelhanças na prática. É preciso prestar atenção nas diferenças, e a principal é essa: um coloca pão na sua mesa e o outro te mata de fome. E não, a carga dramática dessa frase não é um exagero.

Existem conselhos que hoje em dia são aceitos quase mundialmente como verdade incontestável: estude e faça faculdade para ter um bom emprego, tenha inglês fluente para se destacar no mercado, faça cursos de computação para expandir suas habilidades etc. Essa é a construção de um currículo exemplar para que você possa concorrer à uma vaga numa grande empresa que pague bem e ofereça estabilidade.

Mas a hipotética empresa vai bancar o seu aprendizado? Não. O investimento vai sair do seu bolso – ou dos seus pais.

A mesma lógica vale para a construção de um portfólio – que é o currículo do artista. Um casal que deseja contratar um/a fotógrafo/a para o registro da cerimônia de casamento, por exemplo, não vai pagar pelas aulas, mas sim pelo conhecimento do/a profissional. E esse mesmo casal, que está com a cabeça na lua de mel, também não vai pagar para a banda aprender a tocar a marcha nupcial.

Em algum momento, tanto o/a fotógrafo/a quanto cada instrumentista da banda precisarão ter dedicado seu tempo e dinheiro para aprender o ofício e aperfeiçoar suas respectivas habilidades antes de se tornarem profissionais.

Até aí fica fácil de entender, certo?

Mas e quando um/a cliente deseja receber um serviço profissional de alguém que atua naquela área há anos e não se dispõe a pagar – ou oferece “divulgação”? Se você já foi à feira alguma vez na vida, tem a resposta na ponta da língua: moça bonita não paga, mas também não leva.

“Mas se eu não fizer, meu/a concorrente vai fazer”. Azar do/a seu/a concorrente, que não vai receber.

“Mas o cliente é meu amigo de infância”. Seu amigo de infância está disposto a pagar um boleto seu de aluguel ou te doar uma cesta básica numa situação de aperto por falta de trabalho?

“Mas eu vou poder comer e beber de tudo à vontade durante a cerimônia, só coisa fina e cara”. Assim como todos os outros cento e cinquenta convidados, só que o único ralando ali será você.

“Mas é um evento muito importante, muito especial, o matrimônio é sagrado”. Você não obrigou ninguém a casar.

“Mas o cliente tem quatro mil seguidores no instagram, seria uma ótima divulgação”. Quantas dessas quatro mil pessoas estão planejando um casamento nos próximos meses na sua cidade? Por quanto tempo o cliente vai manter a divulgação nas redes sociais de maneira ativa? Ele tem alguma experiência bem sucedida na área de marketing?

“Mas eu ainda não sou profissional, o cliente achou o profissional caro e eu ofereci de graça”. Então o cliente precisa estar ciente do risco do trabalho ficar ruim. E sem um portfólio que atesta a qualidade, o que garante que vale a pena contratar você?

O seu aprendizado e a construção do seu portfólio devem começar juntos. E uma vez que começam juntos, devem acompanhar um ao outro por toda a sua carreira. Ambos são progressivos e nunca estarão completamente finalizados enquanto você estiver estudando e trabalhando.

Fez sua primeira aula de desenho, desenhou uma batata e ficou feio? Põe no portfólio e deixa lá até fazer desenhos melhores.

Fez um trabalho como profissional e o resultado ficou incrível? Perfeito, põe lá também e mostre o seu melhor.

Continue aumentando, continue melhorando. Isso mostra que você está em movimento, avançando, tomando um rumo, se desenvolvendo.

Os cursos são importantes para você aprender técnicas, conceitos, teorias e tudo o mais, mas acredito que mais de 90% do aprendizado do ofício acontece durante o trabalho.

É no ato.

E sabe por quê? Porque é pra valer.

Você está sendo pago/a e não pode errar, o que torna tudo mais especial.

O primeiro cachê é inesquecível.

Beleza, agora que você sabe que a construção do portfólio não é só uma etapa pré-profissionalização, e sim um processo contínuo, talvez esteja se perguntando qual é a hora certa para começar a se apresentar como profissional e recusar propostas de trabalho sem remuneração.

Muitas empresas de várias áreas quando anunciam uma vaga, exigem que o candidato possua algum tempo de experiência – embora poucas ofereçam oportunidades aos inexperientes, o que acaba deixando muita gente numa encruzilhada.

O/a cliente que pretende contratar o serviço de um/a artista, por outro lado, pode ser convencido/a apenas pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos durante algum curso e que estejam presentes no portfólio, mesmo que nunca tenha atuado profissionalmente no passado.

Mas será que você está preparado/a?

Você saberá liderar uma equipe quando precisar de auxiliares?

Você sabia que um/a cliente pode desistir se você não tiver uma maquininha de cartão de crédito?

Você sabe elaborar um contrato?

Você sabe identificar papo de caloteiro?

Você sabe lidar com críticas destrutivas?

Você se prepara para possíveis imprevistos?

Não sei se um curso ensina essas coisas.

Antes de se aventurar como profissional, é importante acompanhar a rotina de um/a. Como um estágio mesmo. Observe quais são as principais dificuldades, necessidades e obstáculos. Carregue peso. Conheça e domine a parte mais chata do trabalho, pois, embora aquele seja o seu sonho, nem tudo são flores.

Um/a artista profissional precisa não só do domínio técnico, da sensibilidade e da criatividade, mas também conhecer a malícia do mercado – o que é fundamental para todas as outras áreas. Por isso sabem o quão problemático é trabalhar de graça e reconhecem a importância dos estágios iniciais.

Trata-se de entender a diferença entre oportunidade e exploração, ter pulso firme diante do descrédito de muitos clientes e fazer entender que aquele é o seu meio de sustento, e não um mero passatempo como a maioria acredita.

Afinal, para muitos é inaceitável a ideia de amar sua profissão.

E isso precisa mudar.

Ainda não tem um portfólio? O Arte Local pode ser uma boa opção para começar.

O Arte Local não é somente um blog com dicas e recomendações. Também oferecemos um espaço gratuito para artistas locais ou em início de carreira exibirem seus trabalhos.

Sempre que um visitante do site buscar por artistas na sua cidade, seu trabalho estará lá em evidência e poderá ser acessado por pessoas de todo o mundo. Sem que você precise ficar divulgando incansavelmente.

Quer ver um exemplo? Acesso o nosso catálogo de artistas cadastrados e selecione um estado.

Se você já tem um portfólio, também pode se cadastrar gratuitamente. Os links serão exibidos na sua página.

Quer saber mais? Acesse a página de cadastro e entenda como funciona.

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