Arquivos Mensais: agosto 2021

VOCÊ PRECISA OUVIR O ÁLBUM ULTRALEVE, DE EDGAR!

Tem música que definitivamente não combina com volume baixo. Por isso, quando ouvir o novíssimo álbum Ultraleve, do novíssimo Edgar, recomendo botar a amplitude do som lá no talo para melhor proveito.

Recém saído do forno, Ultraleve é um paliativo para quem ficou traumatizado com a paulada que foi a mensagem de Ultrassom, de 2018. A proposta do Novíssimo é que o lançamento seja o volume dois de uma sequência que se inicia com o álbum anterior, então a gente pode esperar que daqui alguns anos venha outro trabalho ultrafoda do rapper paulista.

É tanta coisa pra falar sobre esse álbum tão incrível que eu tô até um pouco perdido. A vontade mesmo é escrever uma tese, analisando faixa por faixa, casando as letras com o contexto social e cultural do presente momento. Só não ia dar certo porque eu ficaria dançando o tempo inteiro ao invés de escrever. Porém, quando as futuras gerações perguntarem como foi viver durante as décadas de 2010/20, uma das minhas respostas será apresentar o trabalho do Edgar.

O ritmo é envolvente, gostoso mesmo de se ouvir, e utiliza efeitos que deixam o ouvinte à beira do transe. As letras chamam a atenção por vários fatores, mas o principal é a criatividade na hora de expor um problema social, político ou ambiental, característica presente nos maiores nomes que fazem do rap brasileiro um dos melhores do mundo.

A pauta é quente, a pauta é urgente. As canções abrem inúmeras possibilidades de interpretação e se valem de maneiras muito interessantes de abordar temas como diversidade, meio ambiente, alienação, idolatria à políticos, desigualdade, inclusão e violência. Uma leitura inteligente sobre um Brasil moribundo.

Assim como os destaques anteriores, Ultraleve é para ser ouvido por diferentes públicos. As faixas misturam vários estilos, sendo os principais o rap, o pop, o funk, a eletrônica e, percepção meio leiga da minha parte, arrisco dizer que percebi uma pegada de axé em algumas canções.

Outro grande trunfo do álbum é a participação da artista Elisapie na faixa A Procissão dos Clones, na qual canta em língua nativa da nação indígena esquimó inuit, e de Kunumi MC na Que a Natureza nos Conduza, na qual canta em guarani. A representatividade presente na parceria com ambos os artistas fortalece muito o discurso de Edgar.

As críticas sociais expressas através de rimas e metáforas cirúrgicas talvez tenham ainda mais força do que os livros de história, sociologia e filosofia, que explicarão em textos o momento atual. Ultraleve contempla com precisão os pensamentos de milhões de brasileiros que não sabem como expressá-los de maneira lúcida.

Em poucos versos, Edgar fala por mim o que eu não seria capaz de expressar em várias páginas. E fala muito mais pela parcela mais numerosa da população, que sente na pele as várias formas de violência de cada dia. Ouvir as palavras de Edgar é ouvir a voz de um país em luta e em luto. É também se juntar à luta.

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Sucesso de público anula a qualidade? Achamos que não

Alguns meses atrás, perguntei no meu Facebook se, na opinião das pessoas, existia diferença entre “é bom” e “eu gosto”, me referindo à qualquer expressão artística. Dezenas de pessoas se engajaram com a publicação, todas dizendo que existe sim diferença.

E os exemplos foram dos mais variados: cinema de vanguarda como qualidade, blockbuster como apreciação; literatura clássica como qualidade, romance como apreciação; música erudita como qualidade, pop como apreciação. Filmes de super heróis foram os mais citados e houve até comparação com comidas saudáveis e fast foods.

Enfim, muitas respostas interessantes.

Dentre os exemplos citados como “eu gosto”, todos eram conhecidíssimos sucessos de público. Mas mesmo assim não são considerados bons, o que nos leva a uma reflexão ainda mais interessante.

Algum tempo atrás falei sobre algumas desvantagens e desafios que os artistas eruditos enfrentam. Diz respeito à recepção do público: muitos respeitam, confirmam a autoridade e estudam sobre, mas poucos realmente apreciam, e isso se deve à maneira como o/a autor/a da obra em questão escolhe se comunicar.

Como havia escrito no mesmo texto: quanto maior o estudo teórico, quanto mais difícil a aplicação técnica e quanto mais detalhadamente forem planejados os recursos de linguagem, mais direcionada a obra estará aos especialistas. E como bem sabemos, a grande maioria não é especialista.

Por exemplo: Limite, clássico filme brasileiro de Mário Peixoto (1931), não possui diálogos e utiliza a iluminação e os enquadramentos como recursos de linguagem. No dia a dia, estamos acostumados com o uso da fala para nos comunicar, e qualquer mudança na iluminação significa somente que vai chover ou que você não pagou a conta de luz.

Limite, filme de Mário Peixoto

É difícil, causa estranhamento e exige esforço. Mas ninguém pode negar que o filme tem qualidade, pois a equipe que participou de sua realização precisou de muito conhecimento para comunicar uma ideia através das variações de luzes e sombras.

E não foram muitos os filmes daquela época que sobreviveram ao tempo e ao esquecimento: ainda nos dias de hoje, Limite é uma obra cultuada, respeitada e admirada pela grande maioria dos cineastas, professores e estudantes de cinema. Segue sendo estudada e debatida em círculos acadêmicos e nunca deixou de inspirar novos artistas.

Por outro lado, um filme como Os Vingadores, um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, é considerado um filme sem qualidade. Isso porque a fotografia, iluminação, edição, figurino, cenografia, sonoplastia e até os efeitos especiais, cumprem papéis exclusivamente técnicos e não desempenham nenhuma função enquanto recurso de linguagem. O roteiro segue a narrativa clássica mais popular do mundo, com começo, meio e fim, centrado em uma jornada que leva os personagens principais à resolução de um problema.

Ou seja, o que manda é o roteiro, enquanto todo o resto precisa somente ser de tecnologia de última geração para garantir a maior qualidade visual e sonora possível.

Mesmo assim, milhões de pessoas choraram na sala de cinema. Riram, gritaram, aplaudiram e sentiram uma adrenalina indescritível. Uma experiência de imersão completa.

E ainda insistimos em dizer que não tem qualidade.

Será que a capacidade de comover, impactar e conquistar milhões de pessoas pelo mundo todo, não pode ser considerada um indicador de qualidade?

É aí que a reflexão começa a ganhar novas camadas: afinal, o que é qualidade?

Me veio à memória uma cena do filme Whiplash (Damien Chazelle, 2014), na qual ocorre aquele inesquecível diálogo entre o protagonista Andrew (Miles Teller) e seus familiares na mesa de jantar. Quando ele revela a ambição de se tornar o melhor baterista do mundo, um dos seus primos pergunta se isso não é relativo. Prontamente, Andrew diz um “não” seco e mau humorado, sem paciência para leigos.

Nessa parte do diálogo, o primo de Andrew confundiu qualidade e apreciação. Para quem é leigo em qualquer assunto relacionado às artes em geral, “melhor” significa “aquele que eu gosto mais”.

E aí você pode me perguntar: “mas e se o melhor baterista do mundo em questão não fosse apreciado por ninguém? Ainda seria o melhor?”

A resposta é sim. Porque continuarão existindo especialistas que o reconheçam como tal, gostem ou não.

Mas será que é possível haver qualquer artista no mundo que realmente lide bem com a ideia de receber um zero em apreciação?

Nada motiva mais uma pessoa a insistir em uma carreira artística se não a paixão – e se for a fama, essa pessoa definitivamente precisa se preocupar com a apreciação acima de tudo. E sempre que nos apaixonamos por uma obra de arte, queremos compartilhá-la com os outros, queremos que também amem aquilo que amamos e compreendam o que sentimos.

E a verdade é que, à medida em que a paixão esmaece ao longo do tempo – o que é normal –, segue-se em busca de outros objetivos, que podem ir desde o sucesso comercial a mais restrita admiração dos especialistas.

Ainda é bastante comum hoje em dia ouvir de muita gente que tudo o que é popular não presta. É verdade que as banalidades sobram na boca do povo, as coisas são assim desde que o mundo é mundo. Mas seguir defendendo a ideia de que o sucesso de público é, por regra, um extremo oposto de qualidade, é conversa pra boi dormir.

A verdade é que o entretenimento é tão importante para a saúde física e mental dos seres humanos quanto a bagagem intelectual que adquirimos com as obras de arte menos populares. A mente precisa descansar, o corpo precisa dançar e o riso precisa se soltar.

Em outras palavras, quanto mais pessoas são impactadas pelos sucessos de público classificados como sem qualidade, maior é o bem que seus respectivos autores trazem ao mundo.

E proporcionar alegria, bem estar e prazer para um grande número de pessoas, é sim uma arte. E o seu valor é imensurável.

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3 maneiras de usar as plataformas de streaming sem procrastinar

Maratonar séries é um hábito cada vez mais comum, e o marketing das principais plataformas de streaming é muito eficiente em nos incetivar a assistir cada vez mais. Mas é tanto conteúdo que parece tão interessante, que só devorando uma temporada inteira num único dia para conseguir acompanhar. E nem assim.

Quem não está “em dia” com as séries costuma se sentir pressionado/a, mesmo sabendo que elas vão continuar ali no catálogo por um bom tempo (principalmente se for original daquela plataforma). Como vocês bem sabem (ou assim espero), esse hábito não é saudável nem física e nem mentalmente, sem falar da inversão de prioridades.

É ótimo que haja excelentes e imensos catálogos de filmes e séries a preços tão acessíveis, pois nos permite dedicar mais tempo para apreciar uma boa obra de audiovisual. Porém, essa dedicação não pode ocupar todo o nosso tempo – ainda precisamos estudar, trabalhar, fazer exercícios, sair ao ar livre e nos relacionar com as outras pessoas.

Além do mais, uma maratona não é a maneira ideal de absorver uma série e interagir com a mesma. O envolvimento precisa ser gradual, pois informação excessiva de uma única vez sempre é mal processada.

Ou seja, no fim das contas, será como não ter assistido nada. E você terá desperdiçado um tempo valioso. Por isso, segue as dicas:

1 – Dois episódios por dia, no máximo

Ou um filme. Não é uma corrida, não vale um prêmio e você não precisa assistir mais do que isso em um único dia. Pode ser naquele intervalo do almoço, durante uma pedalada na academia, ou no ônibus, se o seu trajeto for longo. Ou qualquer hora do dia se você não trabalha nem estuda em tempo integral, mas é muito importante que não seja muito perto do seu horário de dormir – caso seja uma série de ação, suspense, ou qualquer gênero que provoque uma descarga de adrenalina excessiva.

É inclusive saudável que você dedique um tempo do seu dia ao lazer, para não se sobrecarregar. Em uma ou duas semanas você terá terminado uma temporada sem que isso atrapalhe suas atividades cotidianas. E convenhamos, é bem mais interessante ir assistindo aos poucos, digerindo bem os acontecimentos, refletindo mais sobre os personagens. A experiência é mais completa, e é pra isso que os roteiristas trabalham tanto.

Comer um bolo inteiro é indigesto. Uma fatia te alimenta.

2 – Ative as legendas em inglês

Ou qualquer outro idioma que você esteja aprendendo/melhorando.

Assistir filmes e séries estrangeiras é ótimo para familiarizar e fixar muitas palavras e expressões em outras línguas. Desafie-se a fazê-lo sem o texto em português facilitando a sua vida. Você treina não apenas a sua escuta, como também a leitura, a atenção e a agilidade.

Até porque uma frase mal traduzida – e já vi muitas – às vezes compromete o sentido de um diálogo inteiro.

Vá além e busque pelo país cuja língua você estuda na ferramenta de busca, e encontre títulos interessantes dos quais nunca ouviu falar. Surpreenda-se!

3 – Assista documentários

Que fique bem claro, não tenho a intenção de desmerecer a ficção, que é excelente em formar opiniões, moldar visões de mundo, estimular a criatividade, te inspirar a ser uma pessoa melhor e levar uma vida mais interessante, ou simplesmente proporcionar lazer te entretendo.

Embora existam em vários formatos e linguagens diferentes, os filmes e séries documentais agregam à sua vida inúmeras possibilidades de conhecimento sobre diversos assuntos. Não será “procrastinação” se você tiver aprendido algo novo ou se aprofundado em algum estudo.

Pode não ser tão gostoso de assistir quanto as séries de ficção, mas tem para todos os gostos: história, política, cultura, ciência, natureza, esportes, música, curiosidades… tem de tudo, você com certeza vai encontrar algo que seja do seu agrado.

O streaming veio para tornar o audiovisual mais acessível, democrático e, claro, trazer conteúdos inéditos. O que prejudica é a maneira como se escolhe utilizar. Modere e seja responsável.

5 MOTIVOS PARA LER FURTADO QUER MATAR O PAI, DE BORGES DA VEIGA

Furtado Quer Matar o Pai é um livro 100% digital, realista, polêmico, intenso e subversivo. Uma pedrada na vidraça! Você vai poder ler pelo celular se quiser e o preço não vai nem fazer cócegas no seu bolso.

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Bota o fone no ouvido e assiste esse booktrailer que eu preparei com muito suor:

E se o vídeo ainda não te convenceu, então vamos falar sobre os cinco principais motivos para você conferir essa leitura. Segue o fio:

1 – PROTAGONISTA MARCANTE

Conforme a sinopse do livro, Julio Furtado é um estudante de 16 anos que sofre com a violência na escola e em casa. Seu objetivo principal é mudar de vida, mas toma más decisões no meio do caminho: arruma um emprego que detesta, gasta com o que não deve e desenvolve maus hábitos.

Por outro lado, Julio é um personagem forte que sempre toma a iniciativa para conquistar o que quer. A narrativa em primeira pessoa relata um ponto de vista sincero e completamente realista sobre a vida sofrida em um bairro humilde e as perspectivas não muito otimistas sobre o futuro.

Julio não é um herói, muito menos um santo: um ser humano com diversas qualidades e defeitos, todos muito bem destacados e escancarados. Uma pessoa incrivelmente real, cativante, que conquista e prende o leitor do início ao fim.

2 – AVALANCHE DE EMOÇÕES

É muito difícil para um autor classificar a própria obra em um único – ou dois, no máximo – gênero literário específico, e às vezes soa meio vago quando digo que Furtado Quer Matar o Pai é um livro de ficção transgressora e realismo sujo. É mais que isso.

Em menos de 200 páginas, são trabalhadas várias emoções. Posso prometer que o/a leitor/a vai sentir medo, raiva, indignação, curiosidade, comoção, euforia, aflição, vai dar altas risadas e terminar a leitura de queixo caído.

O livro foi escrito inteiramente pensando em despertar o “efeito caraca”, expressão que eu acabei de inventar (eu acho). É uma daquelas histórias que prometem te deixar pensando nela por vários dias.

3 – ENREDO ENVOLVENTE E DESFECHO SURPREENDENTE

O motivo anterior fala sobre a intensidade do livro, porém a qualidade do enredo tem um segredo que o torna muito mais interessante: o retrato fiel da realidade. A história de Furtado é completamente despojada de qualquer glamour ou luxo.

É inspirada na rotina de milhões de brasileiros estudantes e trabalhadores, que sofrem em busca de uma vida mais digna e enfrentam inúmeros obstáculos. A abordagem é honesta, sem estereótipos nem caricaturas ou soluções milagrosas.

Quanto ao final… acredito que, no decorrer da leitura, você irá imaginar várias possibilidades diferentes de como essa história pode terminar. Mas você vai errar em todas elas. Definitivamente, ninguém está esperando por esse final.

4 – ALTAS BAIXARIAS

Ah, mas pode apostar que essa história é cheia de coisa que não se deve dizer em família. E não adianta dizer que não gosta, eu sei que esse é o principal motivo de você assistir certos reality shows por aí.

Pois é, as pessoas – brasileiros, principalmente – sabem apreciar um mal feito. E os mal feitos na história do Furtado chegam a ser tão constrangedores que eu consigo imaginar direitinho o seu rosto ficando vermelho enquanto lê. Prometi que você daria risadas, e elas virão em momentos muito, mas muito errados.

A essa altura, desconfio que haja leitores/as perguntando: “tem hot”? Como eu posso dizer…? Tem hot, tem red, tem chili e tem peppers.

5 – ACESSIBILIDADE

Furtado Quer Matar o Pai está disponível exclusivamente no formato digital. Não precisa se deslocar até uma livraria, ou ficar aguardando um livro físico durante uma semana.

Pagou, tá disponível na hora e você já pode começar a ler pelo seu computador, kindle, tablet ou até pelo celular! E o preço? Uma pechincha! É mais barato que a gasolina.

Qualquer pessoa que tem um celular e gosta de uma boa história pode ler o e-book sem sentir na consciência o peso de estar gastando demais com livros. Tá fácil, tá barato e vale a pena! Por isso, acesse agora a Amazon para garantir o seu!

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