Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito.

Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu conhecimento teórico e repertório de referências. Até aí nenhuma dúvida. Porém, infelizmente, não há treino e leitura suficiente no mundo que vença um dos maiores – e muitas vezes o principal – obstáculos de um artista: o medo.

Não existe diferença entre o medo de não ficar perfeito e o medo de ficar ruim. Uma excelente obra pode às vezes ser admirada por milhões de pessoas, mas odiada por seu/a autor/a. Particularmente, acho muito triste quando isso acontece. E não é muito raro.

Mas por que mesmo uma grande aprovação parece não ser o suficiente para o convencer o/a próprio/a criador/a da obra em questão? Não há somente um único motivo possível e isso varia de acordo com cada pessoa.

Melhorar nossas habilidades artísticas com treino diário é como passar várias horas em frente ao espelho olhando o cabelo crescer. Ninguém vê o movimento do crescimento em tempo real, por isso podemos achar que nada está acontecendo. Pois a verdade é que está, e o resultado já será visível dentro de poucas semanas.

Por ser difícil perceber a nossa evolução enquanto artistas em tempo real, muitas vezes acreditamos que não melhoramos e, portanto, temos a mesma habilidade técnica de semanas, meses e até anos atrás.

Porém, se você passa duas semanas inteiras sem se olhar no espelho, seu cabelo vai parecer um tanto maior do que você se recordava. Só que o mesmo não vale para o seu desenvolvimento, pois, se você passa duas semanas sem praticar, não melhora durante esse hiato.

Outra possível razão é a cobrança excessiva: tendemos a adotar essa postura quando temos muitas – e excelentes – referências, nas quais nos inspiramos e cujos resultados almejamos. Se você olha para o seu trabalho e tenta se comparar a Michelangelo, Mozart ou qualquer outra autoridade incontestável da sua área, é óbvio que nunca vai parecer bom.

Significa que você precisa parar de buscar mais referências? Óbvio que não. Você está é no caminho certo.

Também há um outro grande problema, que é quando a autoestima de um/a artista é baixa por causa das influências externas. Como quando críticos amargurados chamam seu trabalho de lixo, por exemplo, ou quando a família desestimula, ou quando a pessoa se vê cercada de gente negativa que faz qualquer um se sentir inferior.

É complicado.

Pode até ser que a sua arte nunca chegue ao patamar que você deseja, porém há duas coisas a serem levadas em consideração: 1) isso não justifica você mantê-la inacabada, esquecida e muito menos abandonada; 2) se prestar atenção, conseguirá sim enxergar seu processo de evolução.

Sua arte não vai agradar todo mundo. Quanto mais cedo aceitar essa ideia, melhor.

Sua arte talvez não ganhe uma exposição no Louvre, nem o nobel da literatura ou o Oscar. Mas se é capaz de impactar, entreter, gerar reflexões e ou encantar, ainda que somente uma pequena quantidade de pessoas, é motivo suficiente para que exista. Quem esconde tesouro é pirata, e pirataria é crime.

Quanto a observar o próprio processo de evolução, depende da frequência com que você pratica. Se você toca um instrumento, escolha um exercício para treinar todos os dias, grave a primeira tentativa e a ouça uma semana depois. Faça o mesmo após um mês, se quiser.

O avanço será um fato perceptível, nenhuma influência externa poderá refutá-lo e isso te motivará.

Você provavelmente já viu aquele meme que diz: “Ele é artista, precisa ficar sendo elogiado o tempo inteiro”. Não é mentira. Poucas vezes paramos pra contemplar e avaliar o próprio avanço, mas a verdade é que quando esses elogios e aprovação partem de nós mesmos, menor é a necessidade de receber aplausos.

Trata-se de continuar fazendo exatamente aquilo que você já tem feito, mas prestando mais atenção em si mesmo/a. E pode ser que o feito não esteja perfeito, mas você perceberá que está melhor do que costumava ser.

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