Arquivos Mensais: outubro 2021

Os mais expressivos festivais do cinema brasileiro

Nas últimas décadas, temos acompanhado um crescimento significativo e muito importante de eventos culturais, promovidos com a finalidade de exibir e premiar novas obras e autores do cinema brasileiro. Mesmo enfrentando inúmeros obstáculos, podemos observar que artistas têm lutado com cada vez mais persistência, união e busca por representatividade para profissionalizar, solidificar e tornar o ofício inclusivo.

Festivais e mostras regionais, universitárias e com pautas específicas têm ganhado destaque entre iniciantes e estudantes, que se inspiram e buscam expandir o legado dos eventos mais conceituados da história da cultura brasileira.

Na lista abaixo, citamos as premiações de maior renome do cinema brasileiro, de acordo com a maioria dos críticos, acadêmicos e profissionais da área. Levamos em consideração não somente a aprovação de especialistas, como também a visibilidade dos festivais e a influência que os mesmos exercem sobre as novas gerações.

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

É quase unanimidade para muitos dos profissionais do cinema e audiovisual brasileiro que o Festival de Brasília é o mais expressivo e prestigiado do Brasil e, mesmo para quem discorda, essa afirmação não é nenhum absurdo. O evento, inicialmente chamado de Semana do Cinema Brasileiro, existe desde 1965 por iniciativa de Paulo Emílio Salles Gomes, na época professor de cinema na Universidade de Brasília e autor de diversos livros, e que, mais de quarenta anos após seu falecimento, ainda é considerado uma das maiores autoridades em assunto de audiovisual brasileiro da história do país.

Muitos filmes conhecidos, consagrados e respeitados como clássicos da cinematografia nacional foram premiados com o Troféu Candango ao longo da existência do festival, como A Hora e a Vez de Augusto Matraga (Roberto Santos, 1965), O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968), Iracema – Uma Transa Amazônica (Jorge Bodanzky, 1980) e A Hora da Estrela (Suzana Amaral, 1985).

Perfil no instagram: @festbrasilia

Festival de Cinema de Gramado

Atravessando momentos de crises, instabilidades e até o período mais rigoroso da censura militar, o Festival de Gramado está na ativa desde 1973, atraindo a atenção e interesse tanto dos espectadores e profissionais brasileiros quanto estrangeiros devido às exibições e premiações em categorias internacionais – com ênfase em outros países latinoamericanos. Os setores de arte e cultura são bastante movimentados na cidade de Gramado (RS) e o festival de cinema é um dos principais e mais atraentes eventos.

Entre os premiados, destacam-se: Toda Nudez Será Castigada (Arnaldo Jabor, 1972), O Amuleto de Ogum (Nelson Pereira dos Santos, 1974) e Pra Frente Brasil (Roberto Farias, 1982).

Perfil no instagram: @festivaldecinemadegramado

Site: http://festivaldegramado.net

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Criada em 1977, a Mostra de São Paulo conta com grandes patrocínios como Petrobras, Itaú, SESC, BNDES, CPFL e Spcine. Em termos de exibição internacional, é o festival mais abrangente do Brasil, englobando uma grande diversidade de obras oriundas de todos os continentes. Uma vez que o evento não possui fins lucrativos, seus organizadores têm o compromisso de expandir o conhecimento do público brasileiro sobre filmes não produzidos nos Estados Unidos, por isso já reuniu destaques mundiais como Pedro Almodóvar, Abbas Kiarostami e Wim Wenders.

Perfil no Instagram: @mostrasp

Site: https://44.mostra.org

Festival Internacional do Rio de Janeiro

Nascido da fusão entre o Rio Cine Festival (1984) e a Mostra Banco Nacional de Cinema (1988), o Festival do Rio foi fundado em 1999 e tem sido um dos principais eventos culturais do país, abrangendo também a exibição de filmes estrangeiros originários de vários países.

Os principais premiados com o Troféu Redentor desde 2002 são: Narradores de Javé (Eliane Caffé, 2003), O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2006) e O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012).

Perfil no Instagram: @festivaldorio

Site: http://www.festivaldorio.com.br

É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

Mesmo que os festivais anteriores incluam documentários nas exibições e disputas por prêmios, o É Tudo Verdade se dedica exclusivamente à categoria em questão. Realizado nas cidades São Paulo e Rio de Janeiro desde 1996, o festival é uma das principais referências do cinema documental em toda a América Latina, premiando tanto brasileiros quanto estrangeiros.

Já foram contemplados pelo júri oficial título como: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos (Marcelo Masagão, 1999), Notícias de Uma Guerra Particular (João Moreira Salles e Katia Lund, 2000) e A Alma do Osso (Cao Guimarães, 2004).

Perfil no Instagram: @etudoverdadeoficial

Site: http://etudoverdade.com.br/br/home

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Você sabe como funciona a musicoterapia?

Como o nome já indica, a musicoterapia é uma das formas de terapia clínica utilizadas em diversos tratamentos que abrangem as mais variadas etapas da vida humana, do nascimento até a velhice. Através da música, o profissional musicoterapeuta é capaz de reabilitar funções motoras, mentais e trabalhar funcionalidades necessárias.

É também uma demonstração de como a arte é o que há de mais valioso na humanidade e pode transformar a vida de qualquer pessoa de inúmeras maneiras.

Embora encarada com ceticismo, a arte da utilização da música como tratamento vem sendo registrada há milênios, e, conforme a ciência e a tecnologia se modernizam, as pesquisas avançam e um número cada vez maior de profissionais especializados se dedicam ao ofício.

E o retorno é positivo àqueles que são submetidos ao tratamento: bebês prematuros apresentam melhorias no ato de sucção, crianças com autismo progridem no aspecto social e idosos com alzheimer conseguem restabelecer partes significativas das funcionalidades prejudicadas pela doença.

É claro que cada caso varia de acordo com a gravidade da condição, a qualidade do profissional, tempo de tratamento etc. Vários fatores precisam ser levados em consideração, porém, mesmo que o progresso não atenda às expectativas de todos os indivíduos, a experiência é positiva.

Mas vamos com calma, pois ainda não significa que a gente pode começar a trocar remédios e outras formas de tratamento convencional pela musicoterapia. Por maiores que sejam os benefícios, ainda é necessário muito estudo não somente sobre a música, como também sobre a neurociência como um todo, a psiquiatria, além de um maior investimento no desenvolvimento científico e tecnológico.

E mesmo com muito chão pela frente, vale a pena conhecer. Ainda que você não tenha nenhuma condição, deficiência ou doença tratável com musicoterapia, ela pode proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida no geral, por exemplo: diminuir o estresse, prevenir ansiedade e depressão, melhorar a concentração e trabalhar a memória, ou simplesmente facilitar o processo de autoconhecimento, e esses são fatores fundamentais para o desempenho das nossas tarefas do dia a dia, seja na rotina de trabalho, estudos, ou qualquer atividade na qual estejamos envolvidos.

As sessões podem ocorrer de diferentes maneiras: individual ou em grupo, tocando instrumentos, cantando ou apenas ouvindo, de acordo com a preferência de cada pessoa tanto na escolha da performance quanto do ritmo, levando em consideração que reações positivas ou negativas à uma música também se manifestam de maneira individual.

Em 2018, a musicoterapeuta de Santarém-PA Nathalya Avelino deu uma palestra para a TEDx Talks contando, a partir de um exemplo real, como o tratamento transformou a vida de um amigo que teve suas funções motoras comprometidas por um acidente. Achamos que seria legal compartilhar aqui essa história com vocês.

A arte superou inúmeras crises, pandemias, guerras e vai continuar sobrevivendo, porque ela é um superpoder e a humanidade precisa dela.

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NOPORN É INCRÍVEL E VOCÊ PRECISA OUVIR!

Não vou te aconselhar a ouvir chapado/a, eu fiz Proerd. Maaaas… você faz o que quiser da vida.

O álbum Sim, lançado em 2021, foi o meu primeiro contato com o duo Noporn, que eu até então não tinha ouvido falar. Precisei parar pra prestar mais atenção, pois aquele estilo ainda era pra mim uma novidade. O timbre levemente robótico, o canto mais declamado que melódico, a frieza nas palavras e o ritmo eletrônico. Uma combinação inusitada que surpreende aos ouvintes menos familiarizados.

Mas principalmente o deboche.

A ironia, o cinismo e o sarcasmo são elementos recorrentes na composição das letras, escritas com sagacidade de modo a alfinetar com precisão cirúrgica. Porém, as músicas não falam somente sobre determinados comportamentos alheios, como também ironizam certas atitudes, pensamentos e sentimentos particulares.

Sim remete ao amor, ao desejo sexual, à solidão, aos relacionamentos vazios, entre outras coisas não muito legais de se ouvir durante esse período de eterno isolamento. Outros sites e canais afirmaram que o álbum se inspira na liberdade das noites paulistanas e seus clubes, os quais não conheço bem, porém provoca gatilhos em minha ânsia por recuperar a liberdade e desfrutar do que ainda me resta de juventude.

O Noporn está na ativa desde 2006, quando lançou o álbum homônimo, e encarou um hiato de dez anos até lançar o Boca em 2016. De lá pra cá, a proposta se manteve e suas variações consistem em detalhes, porém a identidade artística se solidifica e fortalece mais a cada música.

O reconhecimento é imediato. Você pode ter escutado somente uma música anos atrás, apenas uma única vez. Quando escutar novamente, não terá dificuldade em identificar: “eu já ouvi, isso é Noporn”. Alguns talvez compreendam como um fator negativo e os acusarão de artistas limitados, mas eu discordo. Não é nada fácil se tornar a principal referência de uma linguagem tão criativa, ainda mais em um país com tanta diversidade musical que segue se reinventando e bebendo de inúmeras fontes.

Ouvir a discografia do Noporn é como ficar em uma festa até o final e viver todas as suas etapas: chegamos tímidos, mas interessados e curiosos, até que nos deixamos entregar e aceitamos uma bebida, que em consequência desperta alguns tantos desejos da carne. Os expressamos dançando, e, a cada passo, nos preocupamos menos em entender o que está acontecendo.

Até que uma frase estonteia a consciência como uma marretada, e de repente a festa já não parece mais tão divertida assim. Estão nos dizendo uma verdade da qual queremos fugir. Poxa, é exatamente assim que eu me sinto. Parece até que estão cantando sobre a minha vida. Que vontade de ligar pra ex! Melhor não.

A embriaguez começa a abandonar meu corpo e dá lugar à ressaca.

Eu só queria me divertir, mas doeu.

E isso foi muito antes da Tove Lo lançar o icônico clipe de Habits. Siga a dica, aceite o convite do Noporn e tenha uma festa em seu quarto. Quantas vezes quiser.

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