Arquivos Mensais: novembro 2021

Os principais efeitos da pandemia na arte

Já pensou se eu decidisse falar sobre todos os efeitos, aprendizados e transformações que ocorreram durante estes fatídicos anos de pandemia? Daria, no mínimo, um livro bastante extenso ou quem sabe uma série documental com várias temporadas – e, no final, o resultado ainda estaria incompleto.

Pois é, essa microscópica e fatal forma de vida virou o mundo pelo avesso, botou de cabeça pra baixo e sacudiu, causando inúmeras sequelas temporárias e outras tantas permanentes nas vidas de milhões – talvez bilhões – de pessoas em todo o globo – para quem nele acredita.

E eu trago duas verdades dolorosas: a primeira é que esse pesadelo ainda não acabou, pois mesmo que a vacinação já tenha alcançado alguns bons números ainda estamos sofrendo muitas perdas; a segunda é que ainda levará um bom tempo até que consigamos ter uma dimensão real do estrago que o coronavírus causou.

Não somente a saúde, como também a educação, o trabalho, a economia e o meio ambiente são alguns dos principais exemplos de setores que foram impactados negativamente, enquanto o desenvolvimento científico precisou se modernizar ainda mais na busca por soluções e isso trouxe algumas facilidades para o nosso cotidiano em condição de isolamento – para quem o seguiu.

E a arte, como fica nessa história?

Pergunto: o que teria sido de nós sem ela durante esse período interminável? Quem ficou em casa e não foi se aglomerar em bares, festas clandestinas ou na casa de amigos e parentes, muito provavelmente passou mais tempo conectado com suas formas de expressão artística preferidas, dedicando algumas horas a mais dos seus dias aos filmes, séries, músicas e livros, principalmente, e muita gente aproveitou para aprender ou praticar alguma habilidade, como tocar um instrumento, pintar, animar em 3D ou dançar. Eu por exemplo, escrevi um livro.

No fundo, sempre soubemos que a arte é extremamente necessária para a nossa vida e que precisamos dela muito mais do que costumamos admitir. Também é verdade que passamos a enxergar com mais clareza o seu valor, e reconhecer isso é muito importante.

E na prática, o que mudou?

Houve uma grande adesão ao digital: impossibilitadas – ou enfrentando uma série de limitações – de ir ao cinema, teatro, shows ou galerias, as pessoas assistiram a performances através de lives nas redes sociais, consumiram mais conteúdos de plataformas de streaming, inscreveram-se em cursos online, utilizaram mais o meio digital para divulgar seus trabalhos, adotaram definitivamente o e-commerce, enfim, deram um jeito.

Em outras palavras, aumentou a demanda e otimizou a oferta, criando maiores possibilidades de conexões. Pessoas de todo o país puderam assistir ao show que terminou em tiroteio após invasão policial, ao cavalo que sabotou uma entrada triunfante puxando a carroça, e talvez jamais teriam a oportunidade de assistir a essas apresentações presencialmente.

Pensar essas soluções pode não ter resolvido todos os problemas relacionados à construção de uma carreira em artes no Brasil ou às desigualdades implicadas, mas com certeza foi um passo muito importante para melhorar a acessibilidade e a democratização da arte – uma pena que esse passo tenha sido impulsionado por uma situação tão infeliz, no caso a pandemia.

Nos próximos anos, quando despertarmos completamente deste pesadelo e a vida voltar a ser como era antes, talvez alguns destes novos hábitos acabem sendo deixados de lado, não temos como saber. Mas precisamos continuar buscando novas e melhores soluções afim de superar fronteiras

Afinal, mesmo distantes, soubemos nos manter unidos.

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O verdadeiro motivo pelo qual as pessoas rejeitam os artistas de sua época

O costume de rejeitar artistas contemporâneos não é algo exclusivo da nossa época, muito pelo contrário. Vemos nossos pais dizendo que bom mesmo era na época deles e que hoje em dia não se faz mais música que presta – ou literatura, cinema etc. E com certeza eles também ouviam isso de seus próprios pais.

Pelo que eu observo, as pessoas que em algum momento de suas vidas se tornam saudosistas às vezes aceitam, geralmente na infância e adolescência, os lançamentos de seu tempo. Mas é na vida adulta que param de se interessar pelas novidades e se dedicam a conhecer melhor os clássicos, até que começam a dizer aquilo que todos já estamos cansados de ouvir.

“Hoje em dia não se faz mais arte como antigamente.”

É uma pena que hoje em dia ainda se resmunga exatamente como antigamente.

Mas isso não é verdade. Hoje em dia se faz arte de excelente qualidade, inovadora e que influenciará muitos artistas das próximas gerações – que inclusive dirão, no futuro, que bom mesmo era na época de agora. Eu sei disso, você sabe disso, os críticos especializados sabem disso e os saudosistas também sabem disso.

Existem vários possíveis motivos para que muitas pessoas continuem a contar essa mentira para si mesmas e vamos falar sobre alguns deles:

Desinformação: Quando algum artista faz muito sucesso, a exposição nas mídias é enorme: aparecem em vários comerciais, programas de TV, aparições em novelas e filmes, reality shows, noticiários, e a visibilidade chama a atenção até do público estrangeiro. Muitas vezes os saudosistas utilizam estes artistas como exemplo, mas não costumam tomar a iniciativa para conhecer outros que não ficaram tão famosos assim.

Desinteresse: Tudo bem não aceitar tudo o que está em destaque na mídia, mas para conhecer novos trabalhos é preciso sair da zona de conforto, ir atrás, pesquisar nas novas plataformas, portais, blogs… ao invés disso, muitos preferem seguir consumindo sempre só aquilo que já conhecem.

Resistência: Acontece de algumas pessoas serem bastante interessadas, terem tempo disponível e conhecer os caminhos que as levem a novos artistas, mas mesmo assim se recusam a fazê-lo por um motivo pessoal nem um pouco justo consigo mesmo, que é manter determinado status de “velha guarda”. Porém, como bem sabemos, status diz muito mais respeito à percepção que outras pessoas têm da gente, o que não necessariamente corresponde à verdade sobre nós. Acredite, infelizmente é bastante comum que muita gente deixe de fazer ou ir atrás de coisas que gostam por medo da opinião alheia e isso também ocorre quando mudamos nossos hábitos de interação com as artes em geral.

Ok, esses três motivos são lógicos e o que eu disse até agora não é como se estivesse descobrindo a América. Porém, há uma outra razão mais enraizada na mente das pessoas e pouco perceptível – para elas mesmas, inclusive – que precisa ser levada em consideração, pois a mesma muitas vezes acaba se tornando um obstáculo entre artistas contemporâneos extremamente talentosos/as e a estabilidade de suas carreiras.

Esse motivo é a inveja.

Pode observar que a maioria dos entusiastas pela arte brasileira atual é composta por outros artistas. Eles se apoiam entre si porque entendem que estão somando, ao invés de competindo. Preferem trabalhar juntos ao invés de alimentar picuínhas desnecessárias ou rivalidades que só existem na cabeça dos fãs.

E eu acredito que, muitos dos que torcem o nariz para os/as artistas de hoje em dia, no fundo estão tentando lidar com a vontade de estar ali entre eles, fazendo o que gostam, realizando sonhos e vendo uma carreira nascer e tomar um rumo apesar das dificuldades e obstáculos.

Também acredito que a grande maioria das pessoas no mundo inteiro já sonharam um dia em serem artistas, por isso pode parecer inadmissível a ideia de que muitas tenham conseguido – mas elas não.

Uma coisa é certa: ninguém vai admitir que sente inveja. Mas quando trabalhamos com essa hipótese, muita coisa parece fazer mais sentido.

Concorda?

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