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Os mais expressivos festivais do cinema brasileiro

Nas últimas décadas, temos acompanhado um crescimento significativo e muito importante de eventos culturais, promovidos com a finalidade de exibir e premiar novas obras e autores do cinema brasileiro. Mesmo enfrentando inúmeros obstáculos, podemos observar que artistas têm lutado com cada vez mais persistência, união e busca por representatividade para profissionalizar, solidificar e tornar o ofício inclusivo.

Festivais e mostras regionais, universitárias e com pautas específicas têm ganhado destaque entre iniciantes e estudantes, que se inspiram e buscam expandir o legado dos eventos mais conceituados da história da cultura brasileira.

Na lista abaixo, citamos as premiações de maior renome do cinema brasileiro, de acordo com a maioria dos críticos, acadêmicos e profissionais da área. Levamos em consideração não somente a aprovação de especialistas, como também a visibilidade dos festivais e a influência que os mesmos exercem sobre as novas gerações.

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

É quase unanimidade para muitos dos profissionais do cinema e audiovisual brasileiro que o Festival de Brasília é o mais expressivo e prestigiado do Brasil e, mesmo para quem discorda, essa afirmação não é nenhum absurdo. O evento, inicialmente chamado de Semana do Cinema Brasileiro, existe desde 1965 por iniciativa de Paulo Emílio Salles Gomes, na época professor de cinema na Universidade de Brasília e autor de diversos livros, e que, mais de quarenta anos após seu falecimento, ainda é considerado uma das maiores autoridades em assunto de audiovisual brasileiro da história do país.

Muitos filmes conhecidos, consagrados e respeitados como clássicos da cinematografia nacional foram premiados com o Troféu Candango ao longo da existência do festival, como A Hora e a Vez de Augusto Matraga (Roberto Santos, 1965), O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968), Iracema – Uma Transa Amazônica (Jorge Bodanzky, 1980) e A Hora da Estrela (Suzana Amaral, 1985).

Perfil no instagram: @festbrasilia

Festival de Cinema de Gramado

Atravessando momentos de crises, instabilidades e até o período mais rigoroso da censura militar, o Festival de Gramado está na ativa desde 1973, atraindo a atenção e interesse tanto dos espectadores e profissionais brasileiros quanto estrangeiros devido às exibições e premiações em categorias internacionais – com ênfase em outros países latinoamericanos. Os setores de arte e cultura são bastante movimentados na cidade de Gramado (RS) e o festival de cinema é um dos principais e mais atraentes eventos.

Entre os premiados, destacam-se: Toda Nudez Será Castigada (Arnaldo Jabor, 1972), O Amuleto de Ogum (Nelson Pereira dos Santos, 1974) e Pra Frente Brasil (Roberto Farias, 1982).

Perfil no instagram: @festivaldecinemadegramado

Site: http://festivaldegramado.net

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Criada em 1977, a Mostra de São Paulo conta com grandes patrocínios como Petrobras, Itaú, SESC, BNDES, CPFL e Spcine. Em termos de exibição internacional, é o festival mais abrangente do Brasil, englobando uma grande diversidade de obras oriundas de todos os continentes. Uma vez que o evento não possui fins lucrativos, seus organizadores têm o compromisso de expandir o conhecimento do público brasileiro sobre filmes não produzidos nos Estados Unidos, por isso já reuniu destaques mundiais como Pedro Almodóvar, Abbas Kiarostami e Wim Wenders.

Perfil no Instagram: @mostrasp

Site: https://44.mostra.org

Festival Internacional do Rio de Janeiro

Nascido da fusão entre o Rio Cine Festival (1984) e a Mostra Banco Nacional de Cinema (1988), o Festival do Rio foi fundado em 1999 e tem sido um dos principais eventos culturais do país, abrangendo também a exibição de filmes estrangeiros originários de vários países.

Os principais premiados com o Troféu Redentor desde 2002 são: Narradores de Javé (Eliane Caffé, 2003), O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2006) e O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012).

Perfil no Instagram: @festivaldorio

Site: http://www.festivaldorio.com.br

É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

Mesmo que os festivais anteriores incluam documentários nas exibições e disputas por prêmios, o É Tudo Verdade se dedica exclusivamente à categoria em questão. Realizado nas cidades São Paulo e Rio de Janeiro desde 1996, o festival é uma das principais referências do cinema documental em toda a América Latina, premiando tanto brasileiros quanto estrangeiros.

Já foram contemplados pelo júri oficial título como: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos (Marcelo Masagão, 1999), Notícias de Uma Guerra Particular (João Moreira Salles e Katia Lund, 2000) e A Alma do Osso (Cao Guimarães, 2004).

Perfil no Instagram: @etudoverdadeoficial

Site: http://etudoverdade.com.br/br/home

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Você sabe como funciona a musicoterapia?

Como o nome já indica, a musicoterapia é uma das formas de terapia clínica utilizadas em diversos tratamentos que abrangem as mais variadas etapas da vida humana, do nascimento até a velhice. Através da música, o profissional musicoterapeuta é capaz de reabilitar funções motoras, mentais e trabalhar funcionalidades necessárias.

É também uma demonstração de como a arte é o que há de mais valioso na humanidade e pode transformar a vida de qualquer pessoa de inúmeras maneiras.

Embora encarada com ceticismo, a arte da utilização da música como tratamento vem sendo registrada há milênios, e, conforme a ciência e a tecnologia se modernizam, as pesquisas avançam e um número cada vez maior de profissionais especializados se dedicam ao ofício.

E o retorno é positivo àqueles que são submetidos ao tratamento: bebês prematuros apresentam melhorias no ato de sucção, crianças com autismo progridem no aspecto social e idosos com alzheimer conseguem restabelecer partes significativas das funcionalidades prejudicadas pela doença.

É claro que cada caso varia de acordo com a gravidade da condição, a qualidade do profissional, tempo de tratamento etc. Vários fatores precisam ser levados em consideração, porém, mesmo que o progresso não atenda às expectativas de todos os indivíduos, a experiência é positiva.

Mas vamos com calma, pois ainda não significa que a gente pode começar a trocar remédios e outras formas de tratamento convencional pela musicoterapia. Por maiores que sejam os benefícios, ainda é necessário muito estudo não somente sobre a música, como também sobre a neurociência como um todo, a psiquiatria, além de um maior investimento no desenvolvimento científico e tecnológico.

E mesmo com muito chão pela frente, vale a pena conhecer. Ainda que você não tenha nenhuma condição, deficiência ou doença tratável com musicoterapia, ela pode proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida no geral, por exemplo: diminuir o estresse, prevenir ansiedade e depressão, melhorar a concentração e trabalhar a memória, ou simplesmente facilitar o processo de autoconhecimento, e esses são fatores fundamentais para o desempenho das nossas tarefas do dia a dia, seja na rotina de trabalho, estudos, ou qualquer atividade na qual estejamos envolvidos.

As sessões podem ocorrer de diferentes maneiras: individual ou em grupo, tocando instrumentos, cantando ou apenas ouvindo, de acordo com a preferência de cada pessoa tanto na escolha da performance quanto do ritmo, levando em consideração que reações positivas ou negativas à uma música também se manifestam de maneira individual.

Em 2018, a musicoterapeuta de Santarém-PA Nathalya Avelino deu uma palestra para a TEDx Talks contando, a partir de um exemplo real, como o tratamento transformou a vida de um amigo que teve suas funções motoras comprometidas por um acidente. Achamos que seria legal compartilhar aqui essa história com vocês.

A arte superou inúmeras crises, pandemias, guerras e vai continuar sobrevivendo, porque ela é um superpoder e a humanidade precisa dela.

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NOPORN É INCRÍVEL E VOCÊ PRECISA OUVIR!

Não vou te aconselhar a ouvir chapado/a, eu fiz Proerd. Maaaas… você faz o que quiser da vida.

O álbum Sim, lançado em 2021, foi o meu primeiro contato com o duo Noporn, que eu até então não tinha ouvido falar. Precisei parar pra prestar mais atenção, pois aquele estilo ainda era pra mim uma novidade. O timbre levemente robótico, o canto mais declamado que melódico, a frieza nas palavras e o ritmo eletrônico. Uma combinação inusitada que surpreende aos ouvintes menos familiarizados.

Mas principalmente o deboche.

A ironia, o cinismo e o sarcasmo são elementos recorrentes na composição das letras, escritas com sagacidade de modo a alfinetar com precisão cirúrgica. Porém, as músicas não falam somente sobre determinados comportamentos alheios, como também ironizam certas atitudes, pensamentos e sentimentos particulares.

Sim remete ao amor, ao desejo sexual, à solidão, aos relacionamentos vazios, entre outras coisas não muito legais de se ouvir durante esse período de eterno isolamento. Outros sites e canais afirmaram que o álbum se inspira na liberdade das noites paulistanas e seus clubes, os quais não conheço bem, porém provoca gatilhos em minha ânsia por recuperar a liberdade e desfrutar do que ainda me resta de juventude.

O Noporn está na ativa desde 2006, quando lançou o álbum homônimo, e encarou um hiato de dez anos até lançar o Boca em 2016. De lá pra cá, a proposta se manteve e suas variações consistem em detalhes, porém a identidade artística se solidifica e fortalece mais a cada música.

O reconhecimento é imediato. Você pode ter escutado somente uma música anos atrás, apenas uma única vez. Quando escutar novamente, não terá dificuldade em identificar: “eu já ouvi, isso é Noporn”. Alguns talvez compreendam como um fator negativo e os acusarão de artistas limitados, mas eu discordo. Não é nada fácil se tornar a principal referência de uma linguagem tão criativa, ainda mais em um país com tanta diversidade musical que segue se reinventando e bebendo de inúmeras fontes.

Ouvir a discografia do Noporn é como ficar em uma festa até o final e viver todas as suas etapas: chegamos tímidos, mas interessados e curiosos, até que nos deixamos entregar e aceitamos uma bebida, que em consequência desperta alguns tantos desejos da carne. Os expressamos dançando, e, a cada passo, nos preocupamos menos em entender o que está acontecendo.

Até que uma frase estonteia a consciência como uma marretada, e de repente a festa já não parece mais tão divertida assim. Estão nos dizendo uma verdade da qual queremos fugir. Poxa, é exatamente assim que eu me sinto. Parece até que estão cantando sobre a minha vida. Que vontade de ligar pra ex! Melhor não.

A embriaguez começa a abandonar meu corpo e dá lugar à ressaca.

Eu só queria me divertir, mas doeu.

E isso foi muito antes da Tove Lo lançar o icônico clipe de Habits. Siga a dica, aceite o convite do Noporn e tenha uma festa em seu quarto. Quantas vezes quiser.

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Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito.

Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu conhecimento teórico e repertório de referências. Até aí nenhuma dúvida. Porém, infelizmente, não há treino e leitura suficiente no mundo que vença um dos maiores – e muitas vezes o principal – obstáculos de um artista: o medo.

Não existe diferença entre o medo de não ficar perfeito e o medo de ficar ruim. Uma excelente obra pode às vezes ser admirada por milhões de pessoas, mas odiada por seu/a autor/a. Particularmente, acho muito triste quando isso acontece. E não é muito raro.

Mas por que mesmo uma grande aprovação parece não ser o suficiente para o convencer o/a próprio/a criador/a da obra em questão? Não há somente um único motivo possível e isso varia de acordo com cada pessoa.

Melhorar nossas habilidades artísticas com treino diário é como passar várias horas em frente ao espelho olhando o cabelo crescer. Ninguém vê o movimento do crescimento em tempo real, por isso podemos achar que nada está acontecendo. Pois a verdade é que está, e o resultado já será visível dentro de poucas semanas.

Por ser difícil perceber a nossa evolução enquanto artistas em tempo real, muitas vezes acreditamos que não melhoramos e, portanto, temos a mesma habilidade técnica de semanas, meses e até anos atrás.

Porém, se você passa duas semanas inteiras sem se olhar no espelho, seu cabelo vai parecer um tanto maior do que você se recordava. Só que o mesmo não vale para o seu desenvolvimento, pois, se você passa duas semanas sem praticar, não melhora durante esse hiato.

Outra possível razão é a cobrança excessiva: tendemos a adotar essa postura quando temos muitas – e excelentes – referências, nas quais nos inspiramos e cujos resultados almejamos. Se você olha para o seu trabalho e tenta se comparar a Michelangelo, Mozart ou qualquer outra autoridade incontestável da sua área, é óbvio que nunca vai parecer bom.

Significa que você precisa parar de buscar mais referências? Óbvio que não. Você está é no caminho certo.

Também há um outro grande problema, que é quando a autoestima de um/a artista é baixa por causa das influências externas. Como quando críticos amargurados chamam seu trabalho de lixo, por exemplo, ou quando a família desestimula, ou quando a pessoa se vê cercada de gente negativa que faz qualquer um se sentir inferior.

É complicado.

Pode até ser que a sua arte nunca chegue ao patamar que você deseja, porém há duas coisas a serem levadas em consideração: 1) isso não justifica você mantê-la inacabada, esquecida e muito menos abandonada; 2) se prestar atenção, conseguirá sim enxergar seu processo de evolução.

Sua arte não vai agradar todo mundo. Quanto mais cedo aceitar essa ideia, melhor.

Sua arte talvez não ganhe uma exposição no Louvre, nem o nobel da literatura ou o Oscar. Mas se é capaz de impactar, entreter, gerar reflexões e ou encantar, ainda que somente uma pequena quantidade de pessoas, é motivo suficiente para que exista. Quem esconde tesouro é pirata, e pirataria é crime.

Quanto a observar o próprio processo de evolução, depende da frequência com que você pratica. Se você toca um instrumento, escolha um exercício para treinar todos os dias, grave a primeira tentativa e a ouça uma semana depois. Faça o mesmo após um mês, se quiser.

O avanço será um fato perceptível, nenhuma influência externa poderá refutá-lo e isso te motivará.

Você provavelmente já viu aquele meme que diz: “Ele é artista, precisa ficar sendo elogiado o tempo inteiro”. Não é mentira. Poucas vezes paramos pra contemplar e avaliar o próprio avanço, mas a verdade é que quando esses elogios e aprovação partem de nós mesmos, menor é a necessidade de receber aplausos.

Trata-se de continuar fazendo exatamente aquilo que você já tem feito, mas prestando mais atenção em si mesmo/a. E pode ser que o feito não esteja perfeito, mas você perceberá que está melhor do que costumava ser.

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O que são NFT’s e o que pensamos sobre o assunto?

NFT é a sigla para Non-fungible Token, que significa Token não-fungível. De acordo com a CNN, “o NFT é uma espécie de certificação digital que se tornou a nova febre da geração de colecionadores virtuais. Ele permite ter a titularidade oficial do arquivo original, embora seu uso e reprodução, incontroláveis, continuem livres na internet”.

Como se trata de uma novidade, é normal chegar com uma avalanche de dúvidas à respeito do assunto e eu não sou uma exceção. Por isso, incorporei dois vídeos de dois influenciadores brasileiros muito importantes no meio das finanças e negócios: Breno Perrucho (Jovens de Negócios) e Thiago Nigro (O Primo Rico).

O conteúdo é apresentado de forma bastante didática e acessível, vale muito a pena conferir.

Eu entendo perfeitamente que o tema em questão é complexo para quem é pouco ou nada familiarizado com assuntos relacionados à economia, criptoativos, investimentos ou novas formas de negócios digitais.

Tanto o Breno quanto o Thiago alertam para a possibilidade de riscos: e se virar uma bolha? Considero perfeitamente natural que toda novidade seja encarada com bastante desconfiança, principalmente quando a mesma movimenta quantias exorbitantes de dinheiro. Em que mundo a gente poderia sequer imaginar que o certificado de originalidade de uma arte digital seria vendido? E pelo preço de um Monet?

Há um outro fator muito importante a ser levado em consideração, que é a relação entre os NFTs e os criptoativos: pode-se comprar um NFT através da Ethereum, uma criptomoeda negociável de valorização crescente – que só perde para a Bitcoin.

Embora um número cada vez maior de brasileiros decidem se aventurar no mercado de criptomoedas todos os dias, a verdade é que a grande maioria da população ainda desconhece ou não compreende o básico sobre o assunto. Também acredito que a quantidade de pessoas que nunca sequer ouviram falar em Bitcoin represente a maioria em nosso país.

Por isso é muito difícil chegar à qualquer conclusão. É cedo demais. Porém, quem é que não gostaria de ter sua arte negociada em valores tão inalcançáveis para nós meros mortais? Os vídeos falam sobre hábitos de colecionadores e usaram como exemplos pessoas famosas e autores de memes famosos. Mas e quanto aos artistas iniciantes e artistas locais? Será que possuem chances reais e palpáveis de conquistar um lugar ao sol no universo das NFTs?

Só o tempo dirá.

Mas calma, eu não dediquei um texto inteiro para chegar à um final inconclusivo. Mesmo tendo tantas ressalvas, desconfianças e pouco conhecimento nesse tipo de negócio, acredito que devemos compreender os princípios por trás deles, e quanto mais cedo menor.

Eu por exemplo, acredito fortemente que o dinheiro físico deixará de existir no futuro e haverá a predominância de moedas digitais. Mas ainda não sinto que há segurança o bastante para comprar Bitcoin. E por quê?

Porque bicicleta com asas não é avião.

Para que o primeiro avião do mundo realizasse um voo bem sucedido, foram necessárias muitas tentativas e erros. Diferentes modelos foram desenvolvidos e testados ao longo de várias décadas, porém hoje em dia ninguém duvida que o Boeing possa te levar ao Japão.

Se hoje em dia são negociados certificados de autenticidade de artes e outros produtos digitais, sem dúvida alguma estamos testemunhando um passo rumo à uma transformação definitiva. Acontece que essa transformação ainda não está concluída e não chegou em seu estágio final. Novos modelos ainda precisam ser desenvolvidos e testados, mas o elemento principal que solidificará essa nova filosofia de negociação será o tempo.

Claro, o conselho que dou aos leitores e leitoras é dentro de uma zona de segurança. Não digo que riscos devem ser evitados, mas sim calculados. Se quiser se aventurar, esteja ciente do quanto você está disposto/a a perder – e jamais descarte essa possibilidade, pois mesmo o Breno e o Thiago que se dedicam ao estudo e prática de investimentos há anos estão sujeitos à perdas.

Portanto, o meu conselho é apenas que você não ignore essa novidade que é o mercado de NFTs. Se puder, leia pelo menos um pouco sobre o assunto todos os dias. Converse com pessoas que já tiveram a experiência, participe de fóruns, pergunte bastante, reflita e debata, mas mantenha o foco no entendimento do princípio ao invés da prática.

Seja curioso/a.

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Vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais?

Já adianto que a resposta é não. Não vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais.

Algum tempo atrás, realizei uma pesquisa com estudantes e profissionais das artes sobre perspectivas, carreira, vendas e aprendizado. Como já esperava, vi muitas respostas diferentes, mas me agradou saber que a maioria dos participantes disseram que não é preciso mudar o estilo para vender mais. E isso é muito importante.

Em um dos textos anteriores, eu falei sobre o fato de algumas expressões artísticas terem muito mais chances de vender do que outras. É o caso do pop e do funk na música, do romance na literatura e da ação no cinema, por exemplo. Como esses gêneros são os favoritos da grande maioria, é verdade que os outros atingirão um público menor em comparação.

Mas não significa que não atingirão público nenhum. E também não significa que esse público não possa crescer.

Desde pequeno eu ouço que sucesso de público é sempre proporcional à falta de qualidade, e hoje em dia acho essa crença muito problemática. Mais do que isso: é uma afirmação covarde.

Também fiquei feliz ao ler que muitos participantes da pesquisa opinaram positivamente sobre o marketing digital, reconhecendo seu potencial e importância para a atualidade. Ao mesmo tempo, observei que quem expressou uma opinião negativa sobre o assunto não parecia conhecer muito a respeito, o que ficou claro em algumas justificativas.

Por isso, acredito que não se trata de abrir mão do estilo com o qual você se sente mais à vontade em expressar, menos ainda da qualidade. Trata-se simplesmente de assumir as rédeas, aprender a promover a visibilidade do seu trabalho e conhecer as melhores estratégias de vendas que se adequem à sua arte.

Não é simples como parece. Muitos negócios que oferecem produtos ou serviços excelentes, até mesmo nos setores considerados mais prósperos, vão à falência por não dominar esse tipo de conhecimento.

À respeito dessa resistência com relação a assumir a autonomia sobre as vendas e buscar maior presença online, não pude deixar de observar alguns padrões: muitas vezes ela parte de artistas mais introvertidos e sérios. Porém, isso não precisa ser um obstáculo.

Já nem sei quantos anos se passaram desde que vi pela primeira vez na televisão um comercial das Casas Bahia com o Fabiano Augusto – o cara do “quer pagar quanto?”, pra quem não sabe –, mas a presença dele foi tão marcante que povoa a memória do brasileiro até hoje. O rapaz gesticulava bastante, era comunicativo, dinâmico e parecia se sentir bastante à vontade fazendo o que fazia.

Funcionava? Sim. É o único jeito de vender bem? Não. Mas muita gente pensa que sim.

Quanto à presença online, é ainda mais fácil de entender a relutância: má representação. As palavras “youtuber” e “blogueiro” já são em si bastante estereotipadas, ainda que todo internauta do mundo esteja ciente da variedade de conteúdo disponível. Afinal, se você diz que tem um canal no youtube ou um blog, as pessoas automaticamente te imaginam rasgando livro em vídeo de hate, imitando uma foca em cima de uma cama toda coberta de nutella, ou fazendo dancinhas ridículas e passando vergonha conscientemente.

A verdade é que existe uma grande possibilidade de você “viralizar” fazendo coisa que não presta na internet. Mas essa é a única maneira de atrair um público fiel e clientes em potencial? Não.

A comunicação não se resume ao ridículo.

Você não tem que mudar a sua arte. Você tem que mudar a maneira de apresentá-la.

Paulo Coelho, por exemplo, sempre posta em seu instagram fotos e vídeos de leitores que adquiriram seu mais novo livro e deram um retorno positivo sobre o mesmo. Isso é fazer marketing e promover seu produto, sem dancinha. E quantas vezes você já viu bandas compartilhando o print de um fã ouvindo sua música? Atores em um set durante o intervalo das gravações?

Isso é importante para todos os setores.

É o cliente satisfeito que comprou um tênis e divulga a loja. É o morador satisfeito que fez uma reforma em casa e divulga o profissional que realizou o serviço. É o aluno satisfeito que divulga o curso. E é o fã que divulga o artista favorito.

Exiba a apreciação do seu público com orgulho. Quanto mais as pessoas virem elogios a seu respeito, mais elas sentirão que vale a pena conhecer o seu trabalho. Isso não é enganar. Isso não é manipular. Não é imoral.

Significa que você precisa transformar as suas páginas ou redes sociais em catálogos? Também não. Apresente um conteúdo diversificado, que não só promova a sua arte como também mostre a sua rotina de criação e que abra as portas para a criação de um relacionamento com o seu público.

Vá além do “compre meu produto”. Venda a mudança que o mesmo traz à vida das pessoas.

Mude o texto do seu anúncio sem mexer em uma única virgula da sua arte. Assim você venderá melhor o seu produto, não a sua alma.

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Como conciliar seu processo criativo ao emprego formal?

Antes de começar, eu gostaria de dizer que não, eu não tenho todas as respostas e soluções para todas as condições sociais. Estou completamente ciente disso e, portanto, não ofereço uma transformação milagrosa na vida de quem precisa encarar mais de duas horas em trânsito todos os dias para ir e voltar do trabalho e ainda cuidar de filhos e resolver imprevistos.

Gostaria de ter uma solução para casos como estes, que sei que são comuns. Mas não tenho.

Portanto, este texto é para você, artista que trabalha em tempo integral numa profissão sem relação com sua arte, mas que ainda dispõe de algum tempo livre no dia a dia para se dedicar ao ofício.

1 – Se o que falta é tempo, você precisa aprender a administrá-lo

Não é estranho quando lemos a biografia de algum/a artista que hoje é ícone histórico e descobrimos que o/a mesmo/a era boêmio/a, abusava de substâncias ilícitas, precisava de abrigo e ajuda de amigos e parentes, mas quando produzia sua arte faturava uma fortuna.

Ainda que você tenha amigos e parentes capazes de sustentar e tolerar seus vícios e maus hábitos, esse é um estilo de vida que eu definitivamente não recomendo.

Mesmo com um bom conhecimento de marketing, estratégias de lançamento e uma boa rede de contatos, a verdade é que assumir as próprias rédeas da expansão de seu público e das vendas da sua arte trará resultados a longo prazo. E você precisa comer e pagar suas contas hoje.

Portanto, não é errado você ser paciente e trabalhar em um emprego formal fora da sua área, desde que entenda que aquilo é um sacrifício necessário e temporário.

Porém, quanto menos você souber administrar o seu tempo, mais meses – talvez anos – você precisará encarar aquele emprego que não é o seu sonho, e, consequentemente, mais distante se encontrará da carreira que almeja.

Muitos/as artistas, jovens principalmente, torcem o nariz sempre que escutam a palavra rotina e quase vomitam só de ouvir falar em disciplina. Acreditam em dormir tarde e acordar tarde, na espontaneidade, na pressão de fazer algo na última hora, e que um dia o problema da procrastinação se resolverá sozinho.

Você não tem que se cobrar demais. Você tem que se cobrar aquilo que é capaz de fazer.

Por isso, faça todo o planejamento do seu mês, da sua semana e do seu dia. No trabalho, você com toda certeza tem um horário para chegar, um para o intervalo e outro para sair. Comece por aí: tenha uma agenda e anote esse fluxo em todos os dias úteis do mês atual. Por exemplo: “08h – início do trabalho; 12h – intervalo; 18h – fim do expediente”.

Se você nunca parou pra observar em quanto tempo percorre o trajeto do trabalho até em casa, comece a observar, pois isso faz muita diferença. Imprevistos acontecem, por isso marque no cronômetro os minutos gastos durante toda a semana e faça uma média.

Quanto mais longo o trajeto, mais aconselhável é manter a cabeça ocupada: podcasts, leituras, vídeos, o que puder te ensinar ou informar enquanto você estiver no ônibus, trem ou metrô. Se você dirige, contente-se com conteúdos de áudio, óbvio.

Planeje o horário de acordar e de ir se deitar. Talvez você tenha que passar a dormir mais cedo, mas eu definitivamente não recomendo diminuir suas horas de sono. Uma noite mal dormida resultará em um dia mal aproveitado.

Inclua na agenda seus horários de descanso: mesmo sem se sentir cansado/a, faça uma pausa no mesmo horário todos os dias, se for possível. Se tiver celular com internet ao seu alcance, busque por “meditação guiada” no youtube, recarregue suas energias e retorne com mais disposição.

Tendo tudo isso anotado na agenda, dedique os espaços livres à criação. Talvez você pense que dessa maneira estará se acostumando à ideia de que a arte não é sua prioridade, mas não é bem assim. Primeiro porque esse tempo restrito de dedicação será maior do que num calendário caótico. E segundo porque é preciso fortalecer o hábito.

Fazendo uma comparação: correr durante 10 minutos todos os dias, de segunda á sexta, é melhor do que correr 50 minutos na segunda e ficar parado/a o resto da semana. No fim, serão 50 minutos de todo jeito, mas todo esse intervalo em inércia atrapalha o seu desempenho. Faz sentido?

A mente precisa desenvolver o hábito de criar. E se você começar a fazer isso amanhã, pode ter certeza de que terá muita dificuldade: sono, cansaço, falta de vontade e bloqueio criativo. Porém, depois de um mês seguindo uma rotina, suas habilidades começarão a fluir com mais facilidade.

“Ah, mas de nada adianta planejar tudo se a vida tem imprevistos”. Bom, eu duvido que você enfrentará imprevistos todos os dias.

“Ah, mas isso não funciona pra mim porque eu sou de peixes e -”. Vai dormir.

Não prometi uma solução fácil nem rápida, né.

2 – Se o problema é dinheiro, aprenda sobre finanças

Mas é claro que o problema é dinheiro, se não por qual motivo você estaria encarando um emprego infeliz? Sabia que você não é obrigado/a a pagar por pacotes de tarifas bancárias nem pelo seguro do seu cartão do crédito? E já observou que esses valores não param de subir? E que às vezes o banco desconta taxas tiradas de sabe-se lá que orifício, por serviços que você nunca contratou e sem te avisar? Sabia que você pode pedir a isenção e o estorno dessas taxas? Sabia que os rendimentos da popuança sempre estão abaixo da inflação e você acaba perdendo poder de compra?

Sabe porque tanta gente ganha uma fortuna num golpe de sorte e no ano seguinte volta pro zero? Ou o contrário, gente que perde tudo mas recupera o patrimônio? Trata-se de entender o dinheiro. Esqueça bordões como “só se vive uma vez”, “dinheiro é pra gastar”, “só ganha dinheiro quem explora os outros” e afins. Pessoas que não entendem absolutamente nada sobre economia são as que mais difundem esse anti-conhecimento que só vai te manter no exato lugar onde você se encontra.

Não significa que você precisa se matricular numa faculdade de economia – se quiser pode – ou que eu vá bancar o coach ou pedante nas próximas linhas. De modo algum. Mas vou te incentivar a ir atrás de conteúdos responsáveis sobre o assunto. Os canais da Nathália Arcuri e da Nath Finanças, por exemplo, são excelentes. Nem é preciso se tornar especialista em finanças ou ter ânsia por empreender para entender que muitos hábitos de consumo sabotam a realização dos seus sonhos.

Eu já fui um gastador convicto, não podia ter dinheiro na conta que fazia sumir. Hoje sei o quão importante é montar uma reserva de emergência e tento fazer um extra quando é possível.

Que fique claro que também não é objetivo deste texto promover a meritocracia. A verdade é que, se essa mudança de hábitos não transformar positivamente os seus resultados, de qualquer maneira você irá evoluir como pessoa por dar o melhor de si.

E isso inspira as pessoas.

3 – Não tenha vergonha de pedir ajuda

Esse tópico é muito importante. Acredito que a maior parte dos artistas de todo o Brasil poderão crescer na carreira quando pararem de se encarar como rivais ou concorrentes. Essa história de arte como palco pra disputa de ego precisa acabar. Ou melhor, nunca deveria ter existido.

A classe tem que ser mais unida.

No seu círculo de convivência, é fundamental que você se cerque de pessoas que te apoiam, que acreditem em você, que entendam seus objetivos, respeitem seus sonhos e te ajudem a crescer.

Por isso, parte do seu tempo também deve ser dedicada à colaborações, parcerias, ajudar os seus colegas com o que estiver ao seu alcance, e, se não houver muito o que possa fazer, deixe que te ajudem. Se estiver precisando de material, peça emprestado. Se estiver precisando de algum espaço, peça para usar. Peça feedbacks, compartilhamentos nas redes sociais, tire dúvidas.

Quem te ajudar também estará crescendo contigo.

E esteja disposto/a a retribuir, quando isso não exigir um grande sacrifício do seu tempo.

VOCÊ PRECISA OUVIR O ÁLBUM ULTRALEVE, DE EDGAR!

Tem música que definitivamente não combina com volume baixo. Por isso, quando ouvir o novíssimo álbum Ultraleve, do novíssimo Edgar, recomendo botar a amplitude do som lá no talo para melhor proveito.

Recém saído do forno, Ultraleve é um paliativo para quem ficou traumatizado com a paulada que foi a mensagem de Ultrassom, de 2018. A proposta do Novíssimo é que o lançamento seja o volume dois de uma sequência que se inicia com o álbum anterior, então a gente pode esperar que daqui alguns anos venha outro trabalho ultrafoda do rapper paulista.

É tanta coisa pra falar sobre esse álbum tão incrível que eu tô até um pouco perdido. A vontade mesmo é escrever uma tese, analisando faixa por faixa, casando as letras com o contexto social e cultural do presente momento. Só não ia dar certo porque eu ficaria dançando o tempo inteiro ao invés de escrever. Porém, quando as futuras gerações perguntarem como foi viver durante as décadas de 2010/20, uma das minhas respostas será apresentar o trabalho do Edgar.

O ritmo é envolvente, gostoso mesmo de se ouvir, e utiliza efeitos que deixam o ouvinte à beira do transe. As letras chamam a atenção por vários fatores, mas o principal é a criatividade na hora de expor um problema social, político ou ambiental, característica presente nos maiores nomes que fazem do rap brasileiro um dos melhores do mundo.

A pauta é quente, a pauta é urgente. As canções abrem inúmeras possibilidades de interpretação e se valem de maneiras muito interessantes de abordar temas como diversidade, meio ambiente, alienação, idolatria à políticos, desigualdade, inclusão e violência. Uma leitura inteligente sobre um Brasil moribundo.

Assim como os destaques anteriores, Ultraleve é para ser ouvido por diferentes públicos. As faixas misturam vários estilos, sendo os principais o rap, o pop, o funk, a eletrônica e, percepção meio leiga da minha parte, arrisco dizer que percebi uma pegada de axé em algumas canções.

Outro grande trunfo do álbum é a participação da artista Elisapie na faixa A Procissão dos Clones, na qual canta em língua nativa da nação indígena esquimó inuit, e de Kunumi MC na Que a Natureza nos Conduza, na qual canta em guarani. A representatividade presente na parceria com ambos os artistas fortalece muito o discurso de Edgar.

As críticas sociais expressas através de rimas e metáforas cirúrgicas talvez tenham ainda mais força do que os livros de história, sociologia e filosofia, que explicarão em textos o momento atual. Ultraleve contempla com precisão os pensamentos de milhões de brasileiros que não sabem como expressá-los de maneira lúcida.

Em poucos versos, Edgar fala por mim o que eu não seria capaz de expressar em várias páginas. E fala muito mais pela parcela mais numerosa da população, que sente na pele as várias formas de violência de cada dia. Ouvir as palavras de Edgar é ouvir a voz de um país em luta e em luto. É também se juntar à luta.

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Sucesso de público anula a qualidade? Achamos que não

Alguns meses atrás, perguntei no meu Facebook se, na opinião das pessoas, existia diferença entre “é bom” e “eu gosto”, me referindo à qualquer expressão artística. Dezenas de pessoas se engajaram com a publicação, todas dizendo que existe sim diferença.

E os exemplos foram dos mais variados: cinema de vanguarda como qualidade, blockbuster como apreciação; literatura clássica como qualidade, romance como apreciação; música erudita como qualidade, pop como apreciação. Filmes de super heróis foram os mais citados e houve até comparação com comidas saudáveis e fast foods.

Enfim, muitas respostas interessantes.

Dentre os exemplos citados como “eu gosto”, todos eram conhecidíssimos sucessos de público. Mas mesmo assim não são considerados bons, o que nos leva a uma reflexão ainda mais interessante.

Algum tempo atrás falei sobre algumas desvantagens e desafios que os artistas eruditos enfrentam. Diz respeito à recepção do público: muitos respeitam, confirmam a autoridade e estudam sobre, mas poucos realmente apreciam, e isso se deve à maneira como o/a autor/a da obra em questão escolhe se comunicar.

Como havia escrito no mesmo texto: quanto maior o estudo teórico, quanto mais difícil a aplicação técnica e quanto mais detalhadamente forem planejados os recursos de linguagem, mais direcionada a obra estará aos especialistas. E como bem sabemos, a grande maioria não é especialista.

Por exemplo: Limite, clássico filme brasileiro de Mário Peixoto (1931), não possui diálogos e utiliza a iluminação e os enquadramentos como recursos de linguagem. No dia a dia, estamos acostumados com o uso da fala para nos comunicar, e qualquer mudança na iluminação significa somente que vai chover ou que você não pagou a conta de luz.

Limite, filme de Mário Peixoto

É difícil, causa estranhamento e exige esforço. Mas ninguém pode negar que o filme tem qualidade, pois a equipe que participou de sua realização precisou de muito conhecimento para comunicar uma ideia através das variações de luzes e sombras.

E não foram muitos os filmes daquela época que sobreviveram ao tempo e ao esquecimento: ainda nos dias de hoje, Limite é uma obra cultuada, respeitada e admirada pela grande maioria dos cineastas, professores e estudantes de cinema. Segue sendo estudada e debatida em círculos acadêmicos e nunca deixou de inspirar novos artistas.

Por outro lado, um filme como Os Vingadores, um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, é considerado um filme sem qualidade. Isso porque a fotografia, iluminação, edição, figurino, cenografia, sonoplastia e até os efeitos especiais, cumprem papéis exclusivamente técnicos e não desempenham nenhuma função enquanto recurso de linguagem. O roteiro segue a narrativa clássica mais popular do mundo, com começo, meio e fim, centrado em uma jornada que leva os personagens principais à resolução de um problema.

Ou seja, o que manda é o roteiro, enquanto todo o resto precisa somente ser de tecnologia de última geração para garantir a maior qualidade visual e sonora possível.

Mesmo assim, milhões de pessoas choraram na sala de cinema. Riram, gritaram, aplaudiram e sentiram uma adrenalina indescritível. Uma experiência de imersão completa.

E ainda insistimos em dizer que não tem qualidade.

Será que a capacidade de comover, impactar e conquistar milhões de pessoas pelo mundo todo, não pode ser considerada um indicador de qualidade?

É aí que a reflexão começa a ganhar novas camadas: afinal, o que é qualidade?

Me veio à memória uma cena do filme Whiplash (Damien Chazelle, 2014), na qual ocorre aquele inesquecível diálogo entre o protagonista Andrew (Miles Teller) e seus familiares na mesa de jantar. Quando ele revela a ambição de se tornar o melhor baterista do mundo, um dos seus primos pergunta se isso não é relativo. Prontamente, Andrew diz um “não” seco e mau humorado, sem paciência para leigos.

Nessa parte do diálogo, o primo de Andrew confundiu qualidade e apreciação. Para quem é leigo em qualquer assunto relacionado às artes em geral, “melhor” significa “aquele que eu gosto mais”.

E aí você pode me perguntar: “mas e se o melhor baterista do mundo em questão não fosse apreciado por ninguém? Ainda seria o melhor?”

A resposta é sim. Porque continuarão existindo especialistas que o reconheçam como tal, gostem ou não.

Mas será que é possível haver qualquer artista no mundo que realmente lide bem com a ideia de receber um zero em apreciação?

Nada motiva mais uma pessoa a insistir em uma carreira artística se não a paixão – e se for a fama, essa pessoa definitivamente precisa se preocupar com a apreciação acima de tudo. E sempre que nos apaixonamos por uma obra de arte, queremos compartilhá-la com os outros, queremos que também amem aquilo que amamos e compreendam o que sentimos.

E a verdade é que, à medida em que a paixão esmaece ao longo do tempo – o que é normal –, segue-se em busca de outros objetivos, que podem ir desde o sucesso comercial a mais restrita admiração dos especialistas.

Ainda é bastante comum hoje em dia ouvir de muita gente que tudo o que é popular não presta. É verdade que as banalidades sobram na boca do povo, as coisas são assim desde que o mundo é mundo. Mas seguir defendendo a ideia de que o sucesso de público é, por regra, um extremo oposto de qualidade, é conversa pra boi dormir.

A verdade é que o entretenimento é tão importante para a saúde física e mental dos seres humanos quanto a bagagem intelectual que adquirimos com as obras de arte menos populares. A mente precisa descansar, o corpo precisa dançar e o riso precisa se soltar.

Em outras palavras, quanto mais pessoas são impactadas pelos sucessos de público classificados como sem qualidade, maior é o bem que seus respectivos autores trazem ao mundo.

E proporcionar alegria, bem estar e prazer para um grande número de pessoas, é sim uma arte. E o seu valor é imensurável.

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3 maneiras de usar as plataformas de streaming sem procrastinar

Maratonar séries é um hábito cada vez mais comum, e o marketing das principais plataformas de streaming é muito eficiente em nos incetivar a assistir cada vez mais. Mas é tanto conteúdo que parece tão interessante, que só devorando uma temporada inteira num único dia para conseguir acompanhar. E nem assim.

Quem não está “em dia” com as séries costuma se sentir pressionado/a, mesmo sabendo que elas vão continuar ali no catálogo por um bom tempo (principalmente se for original daquela plataforma). Como vocês bem sabem (ou assim espero), esse hábito não é saudável nem física e nem mentalmente, sem falar da inversão de prioridades.

É ótimo que haja excelentes e imensos catálogos de filmes e séries a preços tão acessíveis, pois nos permite dedicar mais tempo para apreciar uma boa obra de audiovisual. Porém, essa dedicação não pode ocupar todo o nosso tempo – ainda precisamos estudar, trabalhar, fazer exercícios, sair ao ar livre e nos relacionar com as outras pessoas.

Além do mais, uma maratona não é a maneira ideal de absorver uma série e interagir com a mesma. O envolvimento precisa ser gradual, pois informação excessiva de uma única vez sempre é mal processada.

Ou seja, no fim das contas, será como não ter assistido nada. E você terá desperdiçado um tempo valioso. Por isso, segue as dicas:

1 – Dois episódios por dia, no máximo

Ou um filme. Não é uma corrida, não vale um prêmio e você não precisa assistir mais do que isso em um único dia. Pode ser naquele intervalo do almoço, durante uma pedalada na academia, ou no ônibus, se o seu trajeto for longo. Ou qualquer hora do dia se você não trabalha nem estuda em tempo integral, mas é muito importante que não seja muito perto do seu horário de dormir – caso seja uma série de ação, suspense, ou qualquer gênero que provoque uma descarga de adrenalina excessiva.

É inclusive saudável que você dedique um tempo do seu dia ao lazer, para não se sobrecarregar. Em uma ou duas semanas você terá terminado uma temporada sem que isso atrapalhe suas atividades cotidianas. E convenhamos, é bem mais interessante ir assistindo aos poucos, digerindo bem os acontecimentos, refletindo mais sobre os personagens. A experiência é mais completa, e é pra isso que os roteiristas trabalham tanto.

Comer um bolo inteiro é indigesto. Uma fatia te alimenta.

2 – Ative as legendas em inglês

Ou qualquer outro idioma que você esteja aprendendo/melhorando.

Assistir filmes e séries estrangeiras é ótimo para familiarizar e fixar muitas palavras e expressões em outras línguas. Desafie-se a fazê-lo sem o texto em português facilitando a sua vida. Você treina não apenas a sua escuta, como também a leitura, a atenção e a agilidade.

Até porque uma frase mal traduzida – e já vi muitas – às vezes compromete o sentido de um diálogo inteiro.

Vá além e busque pelo país cuja língua você estuda na ferramenta de busca, e encontre títulos interessantes dos quais nunca ouviu falar. Surpreenda-se!

3 – Assista documentários

Que fique bem claro, não tenho a intenção de desmerecer a ficção, que é excelente em formar opiniões, moldar visões de mundo, estimular a criatividade, te inspirar a ser uma pessoa melhor e levar uma vida mais interessante, ou simplesmente proporcionar lazer te entretendo.

Embora existam em vários formatos e linguagens diferentes, os filmes e séries documentais agregam à sua vida inúmeras possibilidades de conhecimento sobre diversos assuntos. Não será “procrastinação” se você tiver aprendido algo novo ou se aprofundado em algum estudo.

Pode não ser tão gostoso de assistir quanto as séries de ficção, mas tem para todos os gostos: história, política, cultura, ciência, natureza, esportes, música, curiosidades… tem de tudo, você com certeza vai encontrar algo que seja do seu agrado.

O streaming veio para tornar o audiovisual mais acessível, democrático e, claro, trazer conteúdos inéditos. O que prejudica é a maneira como se escolhe utilizar. Modere e seja responsável.

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