Arquivos da Categoria: Artes Plásticas

Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito.

Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu conhecimento teórico e repertório de referências. Até aí nenhuma dúvida. Porém, infelizmente, não há treino e leitura suficiente no mundo que vença um dos maiores – e muitas vezes o principal – obstáculos de um artista: o medo.

Não existe diferença entre o medo de não ficar perfeito e o medo de ficar ruim. Uma excelente obra pode às vezes ser admirada por milhões de pessoas, mas odiada por seu/a autor/a. Particularmente, acho muito triste quando isso acontece. E não é muito raro.

Mas por que mesmo uma grande aprovação parece não ser o suficiente para o convencer o/a próprio/a criador/a da obra em questão? Não há somente um único motivo possível e isso varia de acordo com cada pessoa.

Melhorar nossas habilidades artísticas com treino diário é como passar várias horas em frente ao espelho olhando o cabelo crescer. Ninguém vê o movimento do crescimento em tempo real, por isso podemos achar que nada está acontecendo. Pois a verdade é que está, e o resultado já será visível dentro de poucas semanas.

Por ser difícil perceber a nossa evolução enquanto artistas em tempo real, muitas vezes acreditamos que não melhoramos e, portanto, temos a mesma habilidade técnica de semanas, meses e até anos atrás.

Porém, se você passa duas semanas inteiras sem se olhar no espelho, seu cabelo vai parecer um tanto maior do que você se recordava. Só que o mesmo não vale para o seu desenvolvimento, pois, se você passa duas semanas sem praticar, não melhora durante esse hiato.

Outra possível razão é a cobrança excessiva: tendemos a adotar essa postura quando temos muitas – e excelentes – referências, nas quais nos inspiramos e cujos resultados almejamos. Se você olha para o seu trabalho e tenta se comparar a Michelangelo, Mozart ou qualquer outra autoridade incontestável da sua área, é óbvio que nunca vai parecer bom.

Significa que você precisa parar de buscar mais referências? Óbvio que não. Você está é no caminho certo.

Também há um outro grande problema, que é quando a autoestima de um/a artista é baixa por causa das influências externas. Como quando críticos amargurados chamam seu trabalho de lixo, por exemplo, ou quando a família desestimula, ou quando a pessoa se vê cercada de gente negativa que faz qualquer um se sentir inferior.

É complicado.

Pode até ser que a sua arte nunca chegue ao patamar que você deseja, porém há duas coisas a serem levadas em consideração: 1) isso não justifica você mantê-la inacabada, esquecida e muito menos abandonada; 2) se prestar atenção, conseguirá sim enxergar seu processo de evolução.

Sua arte não vai agradar todo mundo. Quanto mais cedo aceitar essa ideia, melhor.

Sua arte talvez não ganhe uma exposição no Louvre, nem o nobel da literatura ou o Oscar. Mas se é capaz de impactar, entreter, gerar reflexões e ou encantar, ainda que somente uma pequena quantidade de pessoas, é motivo suficiente para que exista. Quem esconde tesouro é pirata, e pirataria é crime.

Quanto a observar o próprio processo de evolução, depende da frequência com que você pratica. Se você toca um instrumento, escolha um exercício para treinar todos os dias, grave a primeira tentativa e a ouça uma semana depois. Faça o mesmo após um mês, se quiser.

O avanço será um fato perceptível, nenhuma influência externa poderá refutá-lo e isso te motivará.

Você provavelmente já viu aquele meme que diz: “Ele é artista, precisa ficar sendo elogiado o tempo inteiro”. Não é mentira. Poucas vezes paramos pra contemplar e avaliar o próprio avanço, mas a verdade é que quando esses elogios e aprovação partem de nós mesmos, menor é a necessidade de receber aplausos.

Trata-se de continuar fazendo exatamente aquilo que você já tem feito, mas prestando mais atenção em si mesmo/a. E pode ser que o feito não esteja perfeito, mas você perceberá que está melhor do que costumava ser.

Veja também:

O que são NFT’s e o que pensamos sobre o assunto?

NFT é a sigla para Non-fungible Token, que significa Token não-fungível. De acordo com a CNN, “o NFT é uma espécie de certificação digital que se tornou a nova febre da geração de colecionadores virtuais. Ele permite ter a titularidade oficial do arquivo original, embora seu uso e reprodução, incontroláveis, continuem livres na internet”.

Como se trata de uma novidade, é normal chegar com uma avalanche de dúvidas à respeito do assunto e eu não sou uma exceção. Por isso, incorporei dois vídeos de dois influenciadores brasileiros muito importantes no meio das finanças e negócios: Breno Perrucho (Jovens de Negócios) e Thiago Nigro (O Primo Rico).

O conteúdo é apresentado de forma bastante didática e acessível, vale muito a pena conferir.

Eu entendo perfeitamente que o tema em questão é complexo para quem é pouco ou nada familiarizado com assuntos relacionados à economia, criptoativos, investimentos ou novas formas de negócios digitais.

Tanto o Breno quanto o Thiago alertam para a possibilidade de riscos: e se virar uma bolha? Considero perfeitamente natural que toda novidade seja encarada com bastante desconfiança, principalmente quando a mesma movimenta quantias exorbitantes de dinheiro. Em que mundo a gente poderia sequer imaginar que o certificado de originalidade de uma arte digital seria vendido? E pelo preço de um Monet?

Há um outro fator muito importante a ser levado em consideração, que é a relação entre os NFTs e os criptoativos: pode-se comprar um NFT através da Ethereum, uma criptomoeda negociável de valorização crescente – que só perde para a Bitcoin.

Embora um número cada vez maior de brasileiros decidem se aventurar no mercado de criptomoedas todos os dias, a verdade é que a grande maioria da população ainda desconhece ou não compreende o básico sobre o assunto. Também acredito que a quantidade de pessoas que nunca sequer ouviram falar em Bitcoin represente a maioria em nosso país.

Por isso é muito difícil chegar à qualquer conclusão. É cedo demais. Porém, quem é que não gostaria de ter sua arte negociada em valores tão inalcançáveis para nós meros mortais? Os vídeos falam sobre hábitos de colecionadores e usaram como exemplos pessoas famosas e autores de memes famosos. Mas e quanto aos artistas iniciantes e artistas locais? Será que possuem chances reais e palpáveis de conquistar um lugar ao sol no universo das NFTs?

Só o tempo dirá.

Mas calma, eu não dediquei um texto inteiro para chegar à um final inconclusivo. Mesmo tendo tantas ressalvas, desconfianças e pouco conhecimento nesse tipo de negócio, acredito que devemos compreender os princípios por trás deles, e quanto mais cedo menor.

Eu por exemplo, acredito fortemente que o dinheiro físico deixará de existir no futuro e haverá a predominância de moedas digitais. Mas ainda não sinto que há segurança o bastante para comprar Bitcoin. E por quê?

Porque bicicleta com asas não é avião.

Para que o primeiro avião do mundo realizasse um voo bem sucedido, foram necessárias muitas tentativas e erros. Diferentes modelos foram desenvolvidos e testados ao longo de várias décadas, porém hoje em dia ninguém duvida que o Boeing possa te levar ao Japão.

Se hoje em dia são negociados certificados de autenticidade de artes e outros produtos digitais, sem dúvida alguma estamos testemunhando um passo rumo à uma transformação definitiva. Acontece que essa transformação ainda não está concluída e não chegou em seu estágio final. Novos modelos ainda precisam ser desenvolvidos e testados, mas o elemento principal que solidificará essa nova filosofia de negociação será o tempo.

Claro, o conselho que dou aos leitores e leitoras é dentro de uma zona de segurança. Não digo que riscos devem ser evitados, mas sim calculados. Se quiser se aventurar, esteja ciente do quanto você está disposto/a a perder – e jamais descarte essa possibilidade, pois mesmo o Breno e o Thiago que se dedicam ao estudo e prática de investimentos há anos estão sujeitos à perdas.

Portanto, o meu conselho é apenas que você não ignore essa novidade que é o mercado de NFTs. Se puder, leia pelo menos um pouco sobre o assunto todos os dias. Converse com pessoas que já tiveram a experiência, participe de fóruns, pergunte bastante, reflita e debata, mas mantenha o foco no entendimento do princípio ao invés da prática.

Seja curioso/a.

Veja também:

Vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais?

Já adianto que a resposta é não. Não vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais.

Algum tempo atrás, realizei uma pesquisa com estudantes e profissionais das artes sobre perspectivas, carreira, vendas e aprendizado. Como já esperava, vi muitas respostas diferentes, mas me agradou saber que a maioria dos participantes disseram que não é preciso mudar o estilo para vender mais. E isso é muito importante.

Em um dos textos anteriores, eu falei sobre o fato de algumas expressões artísticas terem muito mais chances de vender do que outras. É o caso do pop e do funk na música, do romance na literatura e da ação no cinema, por exemplo. Como esses gêneros são os favoritos da grande maioria, é verdade que os outros atingirão um público menor em comparação.

Mas não significa que não atingirão público nenhum. E também não significa que esse público não possa crescer.

Desde pequeno eu ouço que sucesso de público é sempre proporcional à falta de qualidade, e hoje em dia acho essa crença muito problemática. Mais do que isso: é uma afirmação covarde.

Também fiquei feliz ao ler que muitos participantes da pesquisa opinaram positivamente sobre o marketing digital, reconhecendo seu potencial e importância para a atualidade. Ao mesmo tempo, observei que quem expressou uma opinião negativa sobre o assunto não parecia conhecer muito a respeito, o que ficou claro em algumas justificativas.

Por isso, acredito que não se trata de abrir mão do estilo com o qual você se sente mais à vontade em expressar, menos ainda da qualidade. Trata-se simplesmente de assumir as rédeas, aprender a promover a visibilidade do seu trabalho e conhecer as melhores estratégias de vendas que se adequem à sua arte.

Não é simples como parece. Muitos negócios que oferecem produtos ou serviços excelentes, até mesmo nos setores considerados mais prósperos, vão à falência por não dominar esse tipo de conhecimento.

À respeito dessa resistência com relação a assumir a autonomia sobre as vendas e buscar maior presença online, não pude deixar de observar alguns padrões: muitas vezes ela parte de artistas mais introvertidos e sérios. Porém, isso não precisa ser um obstáculo.

Já nem sei quantos anos se passaram desde que vi pela primeira vez na televisão um comercial das Casas Bahia com o Fabiano Augusto – o cara do “quer pagar quanto?”, pra quem não sabe –, mas a presença dele foi tão marcante que povoa a memória do brasileiro até hoje. O rapaz gesticulava bastante, era comunicativo, dinâmico e parecia se sentir bastante à vontade fazendo o que fazia.

Funcionava? Sim. É o único jeito de vender bem? Não. Mas muita gente pensa que sim.

Quanto à presença online, é ainda mais fácil de entender a relutância: má representação. As palavras “youtuber” e “blogueiro” já são em si bastante estereotipadas, ainda que todo internauta do mundo esteja ciente da variedade de conteúdo disponível. Afinal, se você diz que tem um canal no youtube ou um blog, as pessoas automaticamente te imaginam rasgando livro em vídeo de hate, imitando uma foca em cima de uma cama toda coberta de nutella, ou fazendo dancinhas ridículas e passando vergonha conscientemente.

A verdade é que existe uma grande possibilidade de você “viralizar” fazendo coisa que não presta na internet. Mas essa é a única maneira de atrair um público fiel e clientes em potencial? Não.

A comunicação não se resume ao ridículo.

Você não tem que mudar a sua arte. Você tem que mudar a maneira de apresentá-la.

Paulo Coelho, por exemplo, sempre posta em seu instagram fotos e vídeos de leitores que adquiriram seu mais novo livro e deram um retorno positivo sobre o mesmo. Isso é fazer marketing e promover seu produto, sem dancinha. E quantas vezes você já viu bandas compartilhando o print de um fã ouvindo sua música? Atores em um set durante o intervalo das gravações?

Isso é importante para todos os setores.

É o cliente satisfeito que comprou um tênis e divulga a loja. É o morador satisfeito que fez uma reforma em casa e divulga o profissional que realizou o serviço. É o aluno satisfeito que divulga o curso. E é o fã que divulga o artista favorito.

Exiba a apreciação do seu público com orgulho. Quanto mais as pessoas virem elogios a seu respeito, mais elas sentirão que vale a pena conhecer o seu trabalho. Isso não é enganar. Isso não é manipular. Não é imoral.

Significa que você precisa transformar as suas páginas ou redes sociais em catálogos? Também não. Apresente um conteúdo diversificado, que não só promova a sua arte como também mostre a sua rotina de criação e que abra as portas para a criação de um relacionamento com o seu público.

Vá além do “compre meu produto”. Venda a mudança que o mesmo traz à vida das pessoas.

Mude o texto do seu anúncio sem mexer em uma única virgula da sua arte. Assim você venderá melhor o seu produto, não a sua alma.

Veja também:

Como conciliar seu processo criativo ao emprego formal?

Antes de começar, eu gostaria de dizer que não, eu não tenho todas as respostas e soluções para todas as condições sociais. Estou completamente ciente disso e, portanto, não ofereço uma transformação milagrosa na vida de quem precisa encarar mais de duas horas em trânsito todos os dias para ir e voltar do trabalho e ainda cuidar de filhos e resolver imprevistos.

Gostaria de ter uma solução para casos como estes, que sei que são comuns. Mas não tenho.

Portanto, este texto é para você, artista que trabalha em tempo integral numa profissão sem relação com sua arte, mas que ainda dispõe de algum tempo livre no dia a dia para se dedicar ao ofício.

1 – Se o que falta é tempo, você precisa aprender a administrá-lo

Não é estranho quando lemos a biografia de algum/a artista que hoje é ícone histórico e descobrimos que o/a mesmo/a era boêmio/a, abusava de substâncias ilícitas, precisava de abrigo e ajuda de amigos e parentes, mas quando produzia sua arte faturava uma fortuna.

Ainda que você tenha amigos e parentes capazes de sustentar e tolerar seus vícios e maus hábitos, esse é um estilo de vida que eu definitivamente não recomendo.

Mesmo com um bom conhecimento de marketing, estratégias de lançamento e uma boa rede de contatos, a verdade é que assumir as próprias rédeas da expansão de seu público e das vendas da sua arte trará resultados a longo prazo. E você precisa comer e pagar suas contas hoje.

Portanto, não é errado você ser paciente e trabalhar em um emprego formal fora da sua área, desde que entenda que aquilo é um sacrifício necessário e temporário.

Porém, quanto menos você souber administrar o seu tempo, mais meses – talvez anos – você precisará encarar aquele emprego que não é o seu sonho, e, consequentemente, mais distante se encontrará da carreira que almeja.

Muitos/as artistas, jovens principalmente, torcem o nariz sempre que escutam a palavra rotina e quase vomitam só de ouvir falar em disciplina. Acreditam em dormir tarde e acordar tarde, na espontaneidade, na pressão de fazer algo na última hora, e que um dia o problema da procrastinação se resolverá sozinho.

Você não tem que se cobrar demais. Você tem que se cobrar aquilo que é capaz de fazer.

Por isso, faça todo o planejamento do seu mês, da sua semana e do seu dia. No trabalho, você com toda certeza tem um horário para chegar, um para o intervalo e outro para sair. Comece por aí: tenha uma agenda e anote esse fluxo em todos os dias úteis do mês atual. Por exemplo: “08h – início do trabalho; 12h – intervalo; 18h – fim do expediente”.

Se você nunca parou pra observar em quanto tempo percorre o trajeto do trabalho até em casa, comece a observar, pois isso faz muita diferença. Imprevistos acontecem, por isso marque no cronômetro os minutos gastos durante toda a semana e faça uma média.

Quanto mais longo o trajeto, mais aconselhável é manter a cabeça ocupada: podcasts, leituras, vídeos, o que puder te ensinar ou informar enquanto você estiver no ônibus, trem ou metrô. Se você dirige, contente-se com conteúdos de áudio, óbvio.

Planeje o horário de acordar e de ir se deitar. Talvez você tenha que passar a dormir mais cedo, mas eu definitivamente não recomendo diminuir suas horas de sono. Uma noite mal dormida resultará em um dia mal aproveitado.

Inclua na agenda seus horários de descanso: mesmo sem se sentir cansado/a, faça uma pausa no mesmo horário todos os dias, se for possível. Se tiver celular com internet ao seu alcance, busque por “meditação guiada” no youtube, recarregue suas energias e retorne com mais disposição.

Tendo tudo isso anotado na agenda, dedique os espaços livres à criação. Talvez você pense que dessa maneira estará se acostumando à ideia de que a arte não é sua prioridade, mas não é bem assim. Primeiro porque esse tempo restrito de dedicação será maior do que num calendário caótico. E segundo porque é preciso fortalecer o hábito.

Fazendo uma comparação: correr durante 10 minutos todos os dias, de segunda á sexta, é melhor do que correr 50 minutos na segunda e ficar parado/a o resto da semana. No fim, serão 50 minutos de todo jeito, mas todo esse intervalo em inércia atrapalha o seu desempenho. Faz sentido?

A mente precisa desenvolver o hábito de criar. E se você começar a fazer isso amanhã, pode ter certeza de que terá muita dificuldade: sono, cansaço, falta de vontade e bloqueio criativo. Porém, depois de um mês seguindo uma rotina, suas habilidades começarão a fluir com mais facilidade.

“Ah, mas de nada adianta planejar tudo se a vida tem imprevistos”. Bom, eu duvido que você enfrentará imprevistos todos os dias.

“Ah, mas isso não funciona pra mim porque eu sou de peixes e -”. Vai dormir.

Não prometi uma solução fácil nem rápida, né.

2 – Se o problema é dinheiro, aprenda sobre finanças

Mas é claro que o problema é dinheiro, se não por qual motivo você estaria encarando um emprego infeliz? Sabia que você não é obrigado/a a pagar por pacotes de tarifas bancárias nem pelo seguro do seu cartão do crédito? E já observou que esses valores não param de subir? E que às vezes o banco desconta taxas tiradas de sabe-se lá que orifício, por serviços que você nunca contratou e sem te avisar? Sabia que você pode pedir a isenção e o estorno dessas taxas? Sabia que os rendimentos da popuança sempre estão abaixo da inflação e você acaba perdendo poder de compra?

Sabe porque tanta gente ganha uma fortuna num golpe de sorte e no ano seguinte volta pro zero? Ou o contrário, gente que perde tudo mas recupera o patrimônio? Trata-se de entender o dinheiro. Esqueça bordões como “só se vive uma vez”, “dinheiro é pra gastar”, “só ganha dinheiro quem explora os outros” e afins. Pessoas que não entendem absolutamente nada sobre economia são as que mais difundem esse anti-conhecimento que só vai te manter no exato lugar onde você se encontra.

Não significa que você precisa se matricular numa faculdade de economia – se quiser pode – ou que eu vá bancar o coach ou pedante nas próximas linhas. De modo algum. Mas vou te incentivar a ir atrás de conteúdos responsáveis sobre o assunto. Os canais da Nathália Arcuri e da Nath Finanças, por exemplo, são excelentes. Nem é preciso se tornar especialista em finanças ou ter ânsia por empreender para entender que muitos hábitos de consumo sabotam a realização dos seus sonhos.

Eu já fui um gastador convicto, não podia ter dinheiro na conta que fazia sumir. Hoje sei o quão importante é montar uma reserva de emergência e tento fazer um extra quando é possível.

Que fique claro que também não é objetivo deste texto promover a meritocracia. A verdade é que, se essa mudança de hábitos não transformar positivamente os seus resultados, de qualquer maneira você irá evoluir como pessoa por dar o melhor de si.

E isso inspira as pessoas.

3 – Não tenha vergonha de pedir ajuda

Esse tópico é muito importante. Acredito que a maior parte dos artistas de todo o Brasil poderão crescer na carreira quando pararem de se encarar como rivais ou concorrentes. Essa história de arte como palco pra disputa de ego precisa acabar. Ou melhor, nunca deveria ter existido.

A classe tem que ser mais unida.

No seu círculo de convivência, é fundamental que você se cerque de pessoas que te apoiam, que acreditem em você, que entendam seus objetivos, respeitem seus sonhos e te ajudem a crescer.

Por isso, parte do seu tempo também deve ser dedicada à colaborações, parcerias, ajudar os seus colegas com o que estiver ao seu alcance, e, se não houver muito o que possa fazer, deixe que te ajudem. Se estiver precisando de material, peça emprestado. Se estiver precisando de algum espaço, peça para usar. Peça feedbacks, compartilhamentos nas redes sociais, tire dúvidas.

Quem te ajudar também estará crescendo contigo.

E esteja disposto/a a retribuir, quando isso não exigir um grande sacrifício do seu tempo.

Sucesso de público anula a qualidade? Achamos que não

Alguns meses atrás, perguntei no meu Facebook se, na opinião das pessoas, existia diferença entre “é bom” e “eu gosto”, me referindo à qualquer expressão artística. Dezenas de pessoas se engajaram com a publicação, todas dizendo que existe sim diferença.

E os exemplos foram dos mais variados: cinema de vanguarda como qualidade, blockbuster como apreciação; literatura clássica como qualidade, romance como apreciação; música erudita como qualidade, pop como apreciação. Filmes de super heróis foram os mais citados e houve até comparação com comidas saudáveis e fast foods.

Enfim, muitas respostas interessantes.

Dentre os exemplos citados como “eu gosto”, todos eram conhecidíssimos sucessos de público. Mas mesmo assim não são considerados bons, o que nos leva a uma reflexão ainda mais interessante.

Algum tempo atrás falei sobre algumas desvantagens e desafios que os artistas eruditos enfrentam. Diz respeito à recepção do público: muitos respeitam, confirmam a autoridade e estudam sobre, mas poucos realmente apreciam, e isso se deve à maneira como o/a autor/a da obra em questão escolhe se comunicar.

Como havia escrito no mesmo texto: quanto maior o estudo teórico, quanto mais difícil a aplicação técnica e quanto mais detalhadamente forem planejados os recursos de linguagem, mais direcionada a obra estará aos especialistas. E como bem sabemos, a grande maioria não é especialista.

Por exemplo: Limite, clássico filme brasileiro de Mário Peixoto (1931), não possui diálogos e utiliza a iluminação e os enquadramentos como recursos de linguagem. No dia a dia, estamos acostumados com o uso da fala para nos comunicar, e qualquer mudança na iluminação significa somente que vai chover ou que você não pagou a conta de luz.

Limite, filme de Mário Peixoto

É difícil, causa estranhamento e exige esforço. Mas ninguém pode negar que o filme tem qualidade, pois a equipe que participou de sua realização precisou de muito conhecimento para comunicar uma ideia através das variações de luzes e sombras.

E não foram muitos os filmes daquela época que sobreviveram ao tempo e ao esquecimento: ainda nos dias de hoje, Limite é uma obra cultuada, respeitada e admirada pela grande maioria dos cineastas, professores e estudantes de cinema. Segue sendo estudada e debatida em círculos acadêmicos e nunca deixou de inspirar novos artistas.

Por outro lado, um filme como Os Vingadores, um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, é considerado um filme sem qualidade. Isso porque a fotografia, iluminação, edição, figurino, cenografia, sonoplastia e até os efeitos especiais, cumprem papéis exclusivamente técnicos e não desempenham nenhuma função enquanto recurso de linguagem. O roteiro segue a narrativa clássica mais popular do mundo, com começo, meio e fim, centrado em uma jornada que leva os personagens principais à resolução de um problema.

Ou seja, o que manda é o roteiro, enquanto todo o resto precisa somente ser de tecnologia de última geração para garantir a maior qualidade visual e sonora possível.

Mesmo assim, milhões de pessoas choraram na sala de cinema. Riram, gritaram, aplaudiram e sentiram uma adrenalina indescritível. Uma experiência de imersão completa.

E ainda insistimos em dizer que não tem qualidade.

Será que a capacidade de comover, impactar e conquistar milhões de pessoas pelo mundo todo, não pode ser considerada um indicador de qualidade?

É aí que a reflexão começa a ganhar novas camadas: afinal, o que é qualidade?

Me veio à memória uma cena do filme Whiplash (Damien Chazelle, 2014), na qual ocorre aquele inesquecível diálogo entre o protagonista Andrew (Miles Teller) e seus familiares na mesa de jantar. Quando ele revela a ambição de se tornar o melhor baterista do mundo, um dos seus primos pergunta se isso não é relativo. Prontamente, Andrew diz um “não” seco e mau humorado, sem paciência para leigos.

Nessa parte do diálogo, o primo de Andrew confundiu qualidade e apreciação. Para quem é leigo em qualquer assunto relacionado às artes em geral, “melhor” significa “aquele que eu gosto mais”.

E aí você pode me perguntar: “mas e se o melhor baterista do mundo em questão não fosse apreciado por ninguém? Ainda seria o melhor?”

A resposta é sim. Porque continuarão existindo especialistas que o reconheçam como tal, gostem ou não.

Mas será que é possível haver qualquer artista no mundo que realmente lide bem com a ideia de receber um zero em apreciação?

Nada motiva mais uma pessoa a insistir em uma carreira artística se não a paixão – e se for a fama, essa pessoa definitivamente precisa se preocupar com a apreciação acima de tudo. E sempre que nos apaixonamos por uma obra de arte, queremos compartilhá-la com os outros, queremos que também amem aquilo que amamos e compreendam o que sentimos.

E a verdade é que, à medida em que a paixão esmaece ao longo do tempo – o que é normal –, segue-se em busca de outros objetivos, que podem ir desde o sucesso comercial a mais restrita admiração dos especialistas.

Ainda é bastante comum hoje em dia ouvir de muita gente que tudo o que é popular não presta. É verdade que as banalidades sobram na boca do povo, as coisas são assim desde que o mundo é mundo. Mas seguir defendendo a ideia de que o sucesso de público é, por regra, um extremo oposto de qualidade, é conversa pra boi dormir.

A verdade é que o entretenimento é tão importante para a saúde física e mental dos seres humanos quanto a bagagem intelectual que adquirimos com as obras de arte menos populares. A mente precisa descansar, o corpo precisa dançar e o riso precisa se soltar.

Em outras palavras, quanto mais pessoas são impactadas pelos sucessos de público classificados como sem qualidade, maior é o bem que seus respectivos autores trazem ao mundo.

E proporcionar alegria, bem estar e prazer para um grande número de pessoas, é sim uma arte. E o seu valor é imensurável.

Veja também:

Faculdade de artes: vale a pena?

Gostaria de começar indo direto ao ponto: sim, eu recomendo fazer faculdade de artes.

Agora vamos aos prós e contras.

Há muitas profissões que ninguém pode exercer sem ter feito faculdade: médico, advogado, engenheiro, dentista, psicólogo, veterinário etc. E há outras que se pode sim exercer sem ter feito faculdade. Artista é uma delas.

Não sei como é nas principais universidades do seu estado, mas muitas costumam aplicar uma prova de habilidades específicas como forma de ingresso. Só o vestibular ou ENEM não é o bastante. Ou seja, há uma exigência de que você já entre sabendo, o que significa que não é lá que você vai aprender a desenhar, pintar, esculpir, atuar, tocar instrumento, dançar ou ser criativo/a. Isso você pode aprender sozinho ou em cursos.

Também é importante destacar que você não terá aulas de cinema com o Spielberg, por exemplo. Seus professores terão no máximo uma produtora pequena, de alcance local e com algumas conquistas de festivais medianos no currículo. Quem é realmente bem sucedido no ofício, não está dando aula – mas pode ser que tais artistas bem sucedidos talvez não sirvam para ensinar.

Então quais as vantagens?

Vantagem número 1: Referências

Numa faculdade de artes, você aprende história da arte. Vai conhecer e se aprofundar em obras das quais nunca ouviu falar, ou cujas camadas só conhecia superficialmente.

Não importa quão habilidoso/a você seja naquilo que faz, é ampliando seus conhecimentos que irá ousar, testar técnicas e conceitos diferentes. Isso te permitirá crescer e evoluir enquanto artista.

Você pode até conhecer os principais e mais importantes movimentos de ruptura e vanguarda, mas na faculdade se aprende a compreender as mentalidades por trás deles, os contextos históricos e sociais que influenciaram suas motivações, o que te torna uma pessoa mais consciente e crítica da própria realidade e contexto sociocultural.

Vantagem número 2: Conhecimento teórico

Sabia que existem movimentos de ruptura e experimentação na sua área acontecendo nesse exato momento? Não vão te ensinar isso num curso de desenho, na sua escola de teatro ou estúdio de dança.

Você pode até não concordar nem apreciar as mudanças propostas, mas precisa conhecê-las. Precisa entendê-las, pois são consequências de como a sociedade tem se relacionado com a arte em vários aspectos.

Isso exige um aprofundamento nas leituras teóricas sobre as artes. Trata-se de uma maneira de conhecer arte na perspectiva de filósofos, sociólogos, historiadores, psicólogos etc. Não é fácil, o linguajar costuma ostentar academicismo, mas é enriquecedor.

Vantagem número 3: Círculo de convivência

É bastante acolhedora a ideia de estar entre pessoas que partilham dos seus sonhos, angústias, medos e conhecimentos. Ninguém ali vai tentar te incentivar a largar essa “besteira sem futuro” e prestar um concurso público.

Além disso, você pode ler toneladas de livros sobre história e teorias da arte, mas o que potencializa de verdade o conhecimento é o debate, a troca de ideias, compreender a leitura que outras pessoas fizeram dos mesmos textos que você e aprender com a diversidade de pontos de vista. Esse é um dos grandes valores das faculdades de ciências humanas como um todo.

Conhecimento não se acumula, se troca.

E agora vamos tratar dos pontos negativos, ou não tão positivos assim.

Desvantagem número 1: Não garante uma carreira estável

Na verdade, fazer faculdade de artes não oferece é garantia nenhuma de carreira. Você não vai frequentá-la para se tornar um artista, mas sim para aprender sobre arte. Não é a mesma coisa.

Durante os quatro anos na universidade, você não necessariamente estará em contato com profissionais, e sim com acadêmicos, tanto na sala de aula quanto nos congressos, simpósios e palestras que participar.

Se o curso for de licenciatura, seu estágio no quarto ano será em uma escola e você vai dar aula. Buscar fazer contatos com profissionais artistas, que realmente fazem do ofício uma forma de sustento, será uma missão quase completamente autônoma e solitária.

Desvantagem número 2: Influências negativas

Seu círculo de convivência pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem, o que dependerá tanto das suas escolhas quanto da sorte. Na maioria das universidades, o ingresso nos cursos de artes é pouco concorrido, por isso se considera “fácil” de passar.

Consequentemente, vai haver na sua turma alguma quantidade média ou baixa de pessoas que não gostariam tanto de estar ali, outras que aos poucos vão perdendo o interesse e, no fim das contas, sobrarão poucas realmente interessadas na troca de conhecimentos e experiências.

Outro tipo de influência negativa vem daquelas pessoas que estão sempre dando desculpas e justificativas para não enfrentarem os obstáculos da carreira. Vão somente reclamar do governo. Nesse sentido, não estarão erradas, mas perderão a oportunidade de acertar quando criticarem e descartarem outras alternativas sem nem tentar.

E essa mentalidade pode acabar influenciando seus planos e te levar a cometer autossabotagem.

Também é muito importante diversificar o seu currículo: faça disciplinas como ouvinte nos cursos de administração, economia, ciências sociais, marketing, tudo aquilo que tiver relevância para o crescimento da sua carreira. Aprenda a montar estratégias de vendas, divulgação, elaborar planilhas etc. Não seja uma batata.

Desvantagem número 3: A bolha

As universidades são extremamente necessárias para a humanidade e tem sido, sem dúvida alguma, um sucesso absoluto em produção científica e de conhecimento. Porém, há de se reconhecer que, ao menos no Brasil, o ensino superior é um fracasso em se comunicar com o restante da sociedade.

Doa a quem doer.

Quem estará presente nos congressos, simpósios e palestras promovidos pela universidade? Somente universitários.

Quem lê os artigos de revistas acadêmicas, projetos de iniciação científica e extensão, TCC’s, teses e dissertações? Somente universitários.

Isso significa que os projetos e trabalhos que você desenvolver pela faculdade não terão um bom alcance – e se tiver, seus colegas e professores irão te massacrar –, afinal a porcentagem de pessoas que fazem ou já fizeram faculdade no Brasil é extremamente baixa.

A universidade é uma bolha e isso precisa mudar.

Conclusão: Não é somente na universidade que está todo o conhecimento que você precisa para ser artista. É uma opção muito enriquecedora – em termos de cultura e intelectualidade –, mas não a única. Um diploma de curso de artes só é necessário caso você queira uma cela especial (mas a melhor opção continua sendo não cometer crimes) ou dar aula de artes em escolas e universidades (para a maioria das universidades públicas, é pré-requisito ter mestrado ou doutorado para dar aula).

São pontos muito importantes a serem analisados. Avalie-os com senso de responsabilidade.

Você nunca mais sofrerá com bloqueio criativo depois dessa dica

Quando eu fazia faculdade de cinema, o professor de roteiro propôs uma atividade estimulante que eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha posto em prática até então: brainstorm (tempestade de ideias). Também é justo chamá-la de shitstorm, porque uma boa ideia é como uma moeda engolida por uma criança: você só encontra alguma coisa de valor depois que mexe muito na merda.

Assim funcionou a dinâmica: na turma inteira, com seus vinte alunos, cada um teria o prazo de uma hora para fazer brotar trinta ideias (!) enquanto ouvia uma musiquinha alternativa para ajudar a fluir a criatividade. Não precisávamos criar estruturas de roteiros completos, claro, mas apenas uma única frase que explicasse do que aquilo se tratava e que posteriormente seria desenvolvida com maior dedicação – ou apenas ignorada mesmo.

“Esse safado tá é com preguiça de dar aula”, pensariam alguns. Mas o andamento da atividade tomou rumos interessantes.

No começo era um bloqueio completo, quase um surto de pânico generalizado. Maaaas, como as ideias não precisavam ser necessariamente sacadas geniais, absolutamente qualquer coisa a nossa volta podia ser convertida num insight em potencial.

“Saqueadores invadem universidade e estudantes concentrados os ignoram”.

“Padre do balão é encontrado palestrando num evento de coaching”.

Nesse nível.

Aos poucos fui perdendo o receio de ter ideias ruins e simplesmente deixei que a imaginação fluísse, de tal modo que algumas boas ideias timidamente começaram a surgir. Ao final de uma hora, quase todos os alunos conseguiram ter as trinta ideias, e quem não teve trinta teve vinte e poucas, o que não deixa de ser um número expressivo.

Mesmo aqueles que diziam ter pouca ou nenhuma afinidade com a escrita de roteiro conseguiram. Aquela atividade me rendeu nove ideias com as quais me empolguei e me interessei por desenvolvê-las, e eu tive uma sensação de alívio imensa, pois havia encontrado uma solução para os bloqueios criativos que uma hora ou outra acabaria enfrentando.

Ah, então você está querendo me dizer que é só parar e pensar?

SIM!

Sabe qual é o erro de quem para e pensa mas não consegue ter ideias? A pressa. A impaciência. O desespero.

Enquanto você está tentando parir uma ideia por conta própria, não tem ninguém te obrigando a continuar o exercício por mais quarenta e cinco minutos. As pessoas desistem rápido e se desesperam quando começam a ter ideias ruins que aparentemente só atrapalham, mas não entendem que isso faz parte do processo.

Disseque a ideia: por que ela é ruim? Como eu poderia melhorá-la?

Aí você pensa nas suas referências e tenta se inspirar nos seus filmes, séries, livros favoritos. Pensa nos personagens, nos conflitos, nas reviravoltas.

Você simplesmente pensa. E uma boa ideia vem.

E quem fortalece suas referências soluciona o bloqueio criativo com mais facilidade, por isso é importante ler bastante.

Nas atividades seguintes, selecionamos as nossas ideias preferidas para dar corpo a elas: elaboramos sinopse, argumento, escaleta e desenvolvimento de personagens, ao mesmo tempo em que aproveitávamos sugestões dos outros colegas.

Ter ideias é fácil e todo mundo consegue com algum esforço.

E a verdade é que temos ideias em potencial todos os dias. Elas surgem em situações bastante corriqueiras e nem sempre as identificamos como tal. Por exemplo, quando você vê um motoqueiro dando grau e torce pra ele cair, ou escuta ao acaso uma conversa entre duas pessoas na fila do supermercado e tenta imaginar o contexto.

O simples ato de observar o mundo à sua volta é uma maneira extremamente eficaz de ter ideias novas, sem depender unicamente de raros insights, de momentos “eureca” ou drogas.

Ficou interessado/a? Quer fazer?

Então tira aí uma hora do seu dia, deixa o celular no silencioso ou desligado, tente ter trinta ideias e poste nos comentários dessa página – e não se preocupe com a possibilidade de alguém tentar roubar a sua, pois quem fizer o exercício vai conseguir ter a própria ideia e se empolgar tanto com ela que não vai pensar em outra coisa.

Funciona pra roteiro de filme, literatura, música, pintura, tudo.

Mas se você estiver tentando desenvolver uma história completa, com começo, meio e fim, será preciso seguir mais algumas etapas.

Agora vamos dar corpo à história estruturando melhor uma ideia.

É preciso identificar e deixar bem claro o problema, a ação e a resolução. Ou seja, o que os personagens farão para tentar alcançar seus objetivos, sejam quais forem. Vamos trabalhar isso no exemplo do padre do balão:

Problema: um padre quer sumir no mundo.

Ação: faz uma viagem usando apenas balões.

Resolução: recomeça a vida como coach em outro país.

Esse exercício pode transformar a sua perspectiva sobre aquela ideia que você escreveu mas não gostou, por achar que a mesma seria ruim ou desinteressante. A linha solitária que explica do que se trata uma história não é o mais importante, mas sim a maneira como se conta. Serão os acontecimentos que farão o leitor ou espectador gostar ou desgostar.

Nas próximas etapas, a frase única será desenvolvida até se tornar um parágrafo, que em seguida se tornará um resumo e tão logo um argumento, onde o problema, a ação e resolução serão mais bem pensados e terão suas motivações explicadas.

Mas não é disso que vou falar por enquanto, pois o mais importante é que não lhe falte bagagem para o básico.

Também é comum, quando temos uma ideia, pensarmos o seguinte: “esse filme já existe”.

Você pode achar que talvez existam histórias demais sobre campeões de boxe, mas não dá pra dizer que Rocky e Touro Indomável são iguais, por exemplo, ou que a história que você tem em mente ficará igual – a não ser que esteja pensando em cometer plágio.

Talvez o seu campeão viva em uma distopia futurista e precise se disfarçar de robô para sobreviver ao governo que quer matá-lo, e para sustentar o disfarce precisará enfrentar um robô de verdade no ringue. (Pode ficar com essa ideia pra você se quiser).

Toda ideia que, a princípio, parece ruim, pode ficar ótima durante o desenvolvimento.

Tive um bloqueio criativo durante o andamento da ideia. E agora?

Já passei por essa situação e tentei buscar algumas soluções na internet. Eis as principais sugestões: fazer algo não relacionado à criação – como dar uma volta pelo bairro, parar pra assistir um filme, soldar um toldo etc –, isolar todas as distrações – como whatsapp e instagram –, mudar o ambiente de trabalho, ouvir música ou simplesmente deixar o projeto de molho por algum tempo e retomá-lo depois.

São sugestões interessantes e que fazem sentido, mas a verdade é que processos criativos e recepção de estímulos são coisas individuais. O que funcionou pra você pode não funcionar pra mim e vice versa.

É preciso testar mais de uma solução para descobrir qual realmente condiz com o seu método e funciona de verdade pra você.

Foi em uma sessão de arteterapia – prometo que postarei sobre isso mais pra frente – que eu encontrei minha alternativa favorita: experimentar contar a mesma história utilizando outros recursos.

Durante as sessões, éramos convidados a expressar uma ideia específica através de um exercício de colagem, por exemplo, e em seguida reproduzi-la através da pintura ou escrita.

Dê à sua ideia uma nova forma de ser contada.

Você perceberá que ela pode ser muito mais rica do que acredita.

Se estiver travado/a na escrita de um livro, comece a desenhar os personagens, esboce uma história em quadrinhos. Aquela nova linguagem vai mudar sua ótica, mesmo que você talvez não desenhe bem. Até bonequinho de palito vale.

Agora com a perspectiva de quadrinista, sua criatividade terá como referências as HQs que você já leu e a história tomará novos rumos que antes não faziam parte dos seus planos.

Experimente pintar um personagem, um lugar onde a história é ambientada ou uma sequência de acontecimentos, escrever a letra de uma música que tenha relação com o enredo, escalar o elenco que atuaria numa eventual adaptação para o cinema etc.

Há muitas possibilidades.

Seguindo essas dicas, você vai no máximo ficar em dúvida sobre as várias opções de rumos que seu livro ou roteiro poderão tomar.

Veja também:

Como NÃO vender sua arte

Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

Angelita Cardoso: a artista plástica de São Paulo que você precisa conhecer

A obra autoral mistura técnicas de pintura, gravura, aquarela e desenho. Nas imagens a seguir, Angelita Cardoso (São Paulo/SP) expressa uma identidade artística autêntica e criativa, que traduz uma proposta intimista marcada pelo uso de cores que remetem à uma multiplicidade de sentimentos.



Artista plástica de talento incontestável, Angelita Cardoso percorreu um caminho expressivo através de exposições pelo Brasil, Portugal, Espanha, França e Alemanha por encantar amantes da arte com o conjunto de sua obra. Aberto à inúmeras possibilidades de leitura e interpretação, seu trabalho representa, sobretudo, retratos e corpos abstratos em suas formas, preenchidos por cores e sombras atípicas que se distinguem e comunicam ideias e sentimentos de intimidade.



Desde seu cadastro no catálogo do Arte Local, quando tive meu primeiro contato com a arte de Angelita, me impressionaram a força e o impacto das imagens. Vejo nos traços e nos contrastes os elementos de maior destaque e, consequentemente, que mais me chamaram a atenção por reforçar a proposta visual e tornar seu trabalho reconhecível em qualquer exposição, de modo a fortalecer sua marca autoral.

Siga Angelita Cardoso no Instagram

Veja também:

Construir um portfólio x trabalhar de graça: você sabe a diferença?

Às vezes um artista acredita estar trabalhando de graça, enquanto na verdade está construindo um portfólio. E às vezes um artista acredita que está construindo um portfólio, enquanto na verdade está trabalhando de graça.

Confundir esses dois conceitos é bastante comum, compreensível e até perdoável, afinal há muitas semelhanças na prática. É preciso prestar atenção nas diferenças, e a principal é essa: um coloca pão na sua mesa e o outro te mata de fome. E não, a carga dramática dessa frase não é um exagero.

Existem conselhos que hoje em dia são aceitos quase mundialmente como verdade incontestável: estude e faça faculdade para ter um bom emprego, tenha inglês fluente para se destacar no mercado, faça cursos de computação para expandir suas habilidades etc. Essa é a construção de um currículo exemplar para que você possa concorrer à uma vaga numa grande empresa que pague bem e ofereça estabilidade.

Mas a hipotética empresa vai bancar o seu aprendizado? Não. O investimento vai sair do seu bolso – ou dos seus pais.

A mesma lógica vale para a construção de um portfólio – que é o currículo do artista. Um casal que deseja contratar um/a fotógrafo/a para o registro da cerimônia de casamento, por exemplo, não vai pagar pelas aulas, mas sim pelo conhecimento do/a profissional. E esse mesmo casal, que está com a cabeça na lua de mel, também não vai pagar para a banda aprender a tocar a marcha nupcial.

Em algum momento, tanto o/a fotógrafo/a quanto cada instrumentista da banda precisarão ter dedicado seu tempo e dinheiro para aprender o ofício e aperfeiçoar suas respectivas habilidades antes de se tornarem profissionais.

Até aí fica fácil de entender, certo?

Mas e quando um/a cliente deseja receber um serviço profissional de alguém que atua naquela área há anos e não se dispõe a pagar – ou oferece “divulgação”? Se você já foi à feira alguma vez na vida, tem a resposta na ponta da língua: moça bonita não paga, mas também não leva.

“Mas se eu não fizer, meu/a concorrente vai fazer”. Azar do/a seu/a concorrente, que não vai receber.

“Mas o cliente é meu amigo de infância”. Seu amigo de infância está disposto a pagar um boleto seu de aluguel ou te doar uma cesta básica numa situação de aperto por falta de trabalho?

“Mas eu vou poder comer e beber de tudo à vontade durante a cerimônia, só coisa fina e cara”. Assim como todos os outros cento e cinquenta convidados, só que o único ralando ali será você.

“Mas é um evento muito importante, muito especial, o matrimônio é sagrado”. Você não obrigou ninguém a casar.

“Mas o cliente tem quatro mil seguidores no instagram, seria uma ótima divulgação”. Quantas dessas quatro mil pessoas estão planejando um casamento nos próximos meses na sua cidade? Por quanto tempo o cliente vai manter a divulgação nas redes sociais de maneira ativa? Ele tem alguma experiência bem sucedida na área de marketing?

“Mas eu ainda não sou profissional, o cliente achou o profissional caro e eu ofereci de graça”. Então o cliente precisa estar ciente do risco do trabalho ficar ruim. E sem um portfólio que atesta a qualidade, o que garante que vale a pena contratar você?

O seu aprendizado e a construção do seu portfólio devem começar juntos. E uma vez que começam juntos, devem acompanhar um ao outro por toda a sua carreira. Ambos são progressivos e nunca estarão completamente finalizados enquanto você estiver estudando e trabalhando.

Fez sua primeira aula de desenho, desenhou uma batata e ficou feio? Põe no portfólio e deixa lá até fazer desenhos melhores.

Fez um trabalho como profissional e o resultado ficou incrível? Perfeito, põe lá também e mostre o seu melhor.

Continue aumentando, continue melhorando. Isso mostra que você está em movimento, avançando, tomando um rumo, se desenvolvendo.

Os cursos são importantes para você aprender técnicas, conceitos, teorias e tudo o mais, mas acredito que mais de 90% do aprendizado do ofício acontece durante o trabalho.

É no ato.

E sabe por quê? Porque é pra valer.

Você está sendo pago/a e não pode errar, o que torna tudo mais especial.

O primeiro cachê é inesquecível.

Beleza, agora que você sabe que a construção do portfólio não é só uma etapa pré-profissionalização, e sim um processo contínuo, talvez esteja se perguntando qual é a hora certa para começar a se apresentar como profissional e recusar propostas de trabalho sem remuneração.

Muitas empresas de várias áreas quando anunciam uma vaga, exigem que o candidato possua algum tempo de experiência – embora poucas ofereçam oportunidades aos inexperientes, o que acaba deixando muita gente numa encruzilhada.

O/a cliente que pretende contratar o serviço de um/a artista, por outro lado, pode ser convencido/a apenas pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos durante algum curso e que estejam presentes no portfólio, mesmo que nunca tenha atuado profissionalmente no passado.

Mas será que você está preparado/a?

Você saberá liderar uma equipe quando precisar de auxiliares?

Você sabia que um/a cliente pode desistir se você não tiver uma maquininha de cartão de crédito?

Você sabe elaborar um contrato?

Você sabe identificar papo de caloteiro?

Você sabe lidar com críticas destrutivas?

Você se prepara para possíveis imprevistos?

Não sei se um curso ensina essas coisas.

Antes de se aventurar como profissional, é importante acompanhar a rotina de um/a. Como um estágio mesmo. Observe quais são as principais dificuldades, necessidades e obstáculos. Carregue peso. Conheça e domine a parte mais chata do trabalho, pois, embora aquele seja o seu sonho, nem tudo são flores.

Um/a artista profissional precisa não só do domínio técnico, da sensibilidade e da criatividade, mas também conhecer a malícia do mercado – o que é fundamental para todas as outras áreas. Por isso sabem o quão problemático é trabalhar de graça e reconhecem a importância dos estágios iniciais.

Trata-se de entender a diferença entre oportunidade e exploração, ter pulso firme diante do descrédito de muitos clientes e fazer entender que aquele é o seu meio de sustento, e não um mero passatempo como a maioria acredita.

Afinal, para muitos é inaceitável a ideia de amar sua profissão.

E isso precisa mudar.

Ainda não tem um portfólio? O Arte Local pode ser uma boa opção para começar.

O Arte Local não é somente um blog com dicas e recomendações. Também oferecemos um espaço gratuito para artistas locais ou em início de carreira exibirem seus trabalhos.

Sempre que um visitante do site buscar por artistas na sua cidade, seu trabalho estará lá em evidência e poderá ser acessado por pessoas de todo o mundo. Sem que você precise ficar divulgando incansavelmente.

Quer ver um exemplo? Acesso o nosso catálogo de artistas cadastrados e selecione um estado.

Se você já tem um portfólio, também pode se cadastrar gratuitamente. Os links serão exibidos na sua página.

Quer saber mais? Acesse a página de cadastro e entenda como funciona.

E claro, se você achou esse conteúdo útil, você também pode assinar para receber notificações no seu e-mail sempre que houver novidades por aqui. Sem spam, sem chateação. Postamos e você recebe um aviso. Simples assim. Basta preencher o campo abaixo com o seu endereço de e-mail:

Veja também:

Como NÃO vender sua arte

Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

PARTE 2: DOIS COMPORTAMENTOS QUE SABOTAM SUA CARREIRA – EVITE-OS A QUALQUER CUSTO!

Se você leu a parte 1, está ciente de que o/a artista que deseja se firmar em uma carreira enfrenta duas categorias diferentes de obstáculos: a primeira diz respeito à assuntos externos e mais complexos, como a desvalorização e o pouco interesse, enquanto que a segunda se trata das manias individuais, más atitudes e teimosia.

Para que o texto não ficasse extenso demais, selecionamos apenas dois comportamentos na parte 1, e agora entregamos na sua mão a parte 2, com mais dois comportamentos que você precisa evitar para salvar qualquer possibilidade de levar sua carreira adiante.

1 – Não continuar aprendendo

Este comportamento na verdade pode sabotar o sucesso de qualquer carreira em qualquer setor, e com os artistas não é diferente. Seus estudos e prática de aperfeiçoamento de técnicas não terminam com a conclusão do seu curso ou faculdade. Na verdade, o processo de evolução de uma pessoa só deve acabar na hora da morte.

Não importa se você se formou em Harvard, continue aprendendo. Não importa se você foi aprendiz do espírito do próprio Da Vinci, continue aprendendo.

Sei que é humanamente impossível ter acesso à toda a infinidade de conhecimento existente no mundo, mesmo se peneirarmos em uma área de interesse bastante específica. Porém, todo nosso aprendizado ao longo da vida precisa ser constantemente reforçado, expandido e inovado, pois aquilo que menos exercitamos tende a cair no esquecimento mais rápido.

Nem tudo é como andar de bicicleta.

Seria ótimo conseguir ler todos os livros e artigos, assistir a todos os cursos e dominar todas as possíveis técnicas que fariam de nós profissionais muito melhores. E eu entendo que não é todo mundo que se sente motivado/a a passar o resto da vida respirando arte e se dedicando ao ofício integralmente, desde o momento em que acorda até a hora de dormir. Daí você pode até argumentar que tem um parente, amigo/a ou conhecido/a que se entrega de corpo e alma e até hoje não conseguiu vingar.

Tudo bem, tentar até a exaustão não vai garantir, eu sei disso.

Mas não dar o máximo de si é uma garantia de que vai dar tudo errado.

Mas antes de fechar esse blog e começar a baixar centenas de pdf’s desesperadamente, é importante ter em mente que só se especializar naquilo em que você atua também não é o bastante.

Variar é necessário.

Na minha época de faculdade, era muito comum e lamentável ver estudantes alimentando picuinhas infantis entre os cursos nas redes sociais. Aluno de cênicas torcendo o nariz pro curso de cinema, e vice-versa. Aluno de música torcendo o nariz pro curso de dança, e vice-versa. Você pode estar pensando: “Mas como assim? São cursos que se complementam, um enriquece a formação do outro, eles deviam se unir”.

E eu concordo cem por cento. Achava ridículo. Era universidade pública, todo mundo se ferrando igualmente com os incessantes cortes de verba, mas as bonecas tavam lá alimentando umas rivalidades inventadas e sem o menor sentido.

Agora sejamos sinceros: você espera ver qualidade no trabalho de um profissional de cinema que já fez uma caralhada de cursos disso e daquilo, leu a bibliografia completa do Bazin e do Eisenstein, mas nunca leu uma única linha sobre teatro na vida?

Imagina essa pessoa tentando se comunicar com um/a ator/iz no set, sem conseguir passar a ideia.

Um desastre total.

Mas se todos agissem como adultos, tivessem mais curiosidade e menos vaidade, se matriculassem em disciplinas dos outros cursos, fizessem mais contatos e experimentassem algo diferente daquilo que estão acostumados, teriam chances muito maiores de se tornarem profissionais melhores após se formarem.

Faz sentido?

Ótimo, agora chega de explicar o óbvio. Também não é só fazer uma salada de todos os cursos de artes existentes que vai salvar sua carreira. Os conhecimentos que você vier a adquirir precisam acompanhar as mudanças do mundo, e o mundo está mudando muito rápido. Concorde ou não com as transformações ao seu redor, ao menos saiba do que elas se tratam.

Agora que já tomou bronca por torcer o nariz pro curso do coleguinha, que tal não torcer o nariz pra tecnologia?

Um exemplo muito comum é a resistência à aderência ao meio digital. Mesmo quem nasceu muito antes dos anos 90, já se acostumou à tecnologia digital e usa computador, internet, tem redes sociais, smartphones e estão vendo o futuro virar passado.

Porém, ainda existe uma parcela de conservadores – e não me refiro ao posicionamento político e ou econômico – que resiste à aplicação de recursos digitais na realização artística.

Por exemplo, há cineastas que até hoje só filmam em película. Estão errados por isso?

Nem sempre.

Nesse caso em particular, a imagem gravada em película realmente difere da imagem digital, o que pode ser mais adequado para o filme >>>DEPENDENDO DA PROPOSTA ESTÉTICA<<< na qual o mesmo pretende contar a história.

Quem tá errado mesmo é aquele outro que torce o nariz pro cinema digital porque sempre filmou em película, se recusa a trabalhar de outra forma sem ser a que ele conhece e ainda sobe nos tamancos pra falar que aquilo não é cinema de verdade.

Sério, eu não tenho uma gota de paciência com caga-regra.

Enfim, esse daí não está fazendo uma escolha estética. Ele não está nem tentando. Não quer dar uma chance à novidade por implicância sem sentido.

O fato é que hoje existem incontáveis alternativas, não apenas no modo de produção, mas também de distribuição e circulação. Talvez o exemplo mais popular atualmente sejam as plataformas de streaming: os mais conservadores podem até dizer que Netflix não é cinema de verdade e que os originais não deveriam concorrer em premiações, mas vão ter que aguentar o tapão do Cuarón depois.

Não tenho certeza se foi em 2019, mas me lembro bem de quando um tema de redação foi a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Naquela tarde, milhões de estudantes refletiram por algumas horas sobre o alto número de cidades brasileiras que não possuem uma sala de cinema. Por muitas décadas, essa escassez e má distribuição de salas de cinema pelo país foram um grande obstáculo para quem sonhava em exibir seu filme nas telonas.

Hoje não ficou nada mais fácil conquistar este espaço, principalmente quando se concorre com as superproduções hollywoodianas ou as comédias da Globo Filmes.

Mas a internet é uma alternativa.

Não tem o mesmo glamour, mas está aí disponível – por mais que as empresas provedoras dificultem o serviço – e nós podemos divulgar todo tipo de conteúdo audiovisual, investir barato no marketing e há a boa chance de que seja um sucesso.

Não significa que você deve desistir de vez da maneira “tradicional” de se exibir um filme e migrar definitivamente para a mais fácil. Significa apenas que avaliar as novas opções pode salvar sua carreira.

Vale lembrar que são anos bem difíceis para o setor de cultura no Brasil.

Sendo assim, você terá muito a ganhar quando aprender mais sobre marketing digital, administração, contabilidade, economia, gestão de tecnologia, sistemas para internet etc.

Não interessa se você acha isso chato, monótono e escolheu ser artista justamente pra ter uma rotina mais interessante. Não precisa seguir carreira nessas áreas e ir trabalhar em bancos ou escritórios.

É preciso conhecer, saber como funciona.

É assim que se vai direto à raiz do problema: adapte o seu trabalho (a sua arte) ao meio que te proporciona aquilo que lhe falta (oportunidades, estabilidade, dinheiro).

2 – Não ter presença na internet

Sim, esse tópico tem relação com o anterior, sobre não abrir as portas e dar as boas vindas para o novo. Mas, às vezes, não ter presença na internet pode ter outros motivos por trás.

Um deles, por exemplo, é a vergonha. Outro é usar errado, sem saber quais os melhores recursos que podem ser aplicados a seu favor.

Muita gente acredita que o Facebook é uma festa que já acabou e as pessoas estão começando a ir embora, por exemplo. Isso pode ser verdade para uma dúzia dos seus amigos, que preferiram manter só o Instagram e quando muito o Twitter. Porém, alguns bilhões de pessoas pelo mundo, contando com grande participação do Brasil, discordam.

O Face ainda é a rede social mais utilizada e nem sente cócegas com a “ameaça” do Insta, até por que ambas pertencem ao mesmo dono – assim como o Whatsapp.

Faça as pazes com ele, adicione sua tia que te chama de lindo, o indiano que te elogia em inglês, entre em grupos, faça amizade com desconhecidos que se interessam por arte e divulgue seu trabalho com frequência (sem adotar o método de testemunha de Jeová, é claro).

É muito mais fácil você encontrar seu público num site que foi bem sucedido em reunir bilhões de pessoas, do que em qualquer outro lugar, concorda?

Poste fotos do seu produto no Insta, faça stories interagindo com o mesmo, publique tuítes e, se possível, invista nos anúncios. Há muitos tutoriais no Youtube que ensinam as melhores estratégias para impulsionar suas publicações, e a vantagem é que você pode começar investindo pouquinho, aquele trocado que seria gasto com jujuba e estragaria seus dentes ao invés de um comercial de custo milionário na televisão.

Sabendo selecionar bem o seu público potencial, o retorno virá.

A lógica da alternativa é a mesma: pode ser que você encontre muito mais dificuldades enquanto tenta se mostrar ao mundo pelas vias “tradicionais”, mas a verdade é que as salas de cinema estão vazias (a não ser que você tenha participado de uma superprodução hollywoodiana), assim como os teatros, museus e galerias.

Mas o mundo inteiro está na internet, onde o acesso à arte é muito mais democratizado. Suas possibilidades são muito maiores e, se a timidez é um obstáculo, uma hora ou outra você precisará confrontá-la.

É fácil publicar vídeos no Youtube, lançar ebooks, vender online, e até as grandes empresas multimilionárias que movimentam quantias exorbitantes de dinheiro, como os bancos, precisam marcar presença online desenvolvendo e melhorando constantemente seus aplicativos, serviços e investindo no marketing digital.

Questão de sobrevivência.

Se essa falta de adaptação ameaça os maiores negócios, que chances teriam os artistas independentes e em início de carreira?

Como NÃO vender sua arte

Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

« Entradas mais Antigas