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Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito.

Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu conhecimento teórico e repertório de referências. Até aí nenhuma dúvida. Porém, infelizmente, não há treino e leitura suficiente no mundo que vença um dos maiores – e muitas vezes o principal – obstáculos de um artista: o medo.

Não existe diferença entre o medo de não ficar perfeito e o medo de ficar ruim. Uma excelente obra pode às vezes ser admirada por milhões de pessoas, mas odiada por seu/a autor/a. Particularmente, acho muito triste quando isso acontece. E não é muito raro.

Mas por que mesmo uma grande aprovação parece não ser o suficiente para o convencer o/a próprio/a criador/a da obra em questão? Não há somente um único motivo possível e isso varia de acordo com cada pessoa.

Melhorar nossas habilidades artísticas com treino diário é como passar várias horas em frente ao espelho olhando o cabelo crescer. Ninguém vê o movimento do crescimento em tempo real, por isso podemos achar que nada está acontecendo. Pois a verdade é que está, e o resultado já será visível dentro de poucas semanas.

Por ser difícil perceber a nossa evolução enquanto artistas em tempo real, muitas vezes acreditamos que não melhoramos e, portanto, temos a mesma habilidade técnica de semanas, meses e até anos atrás.

Porém, se você passa duas semanas inteiras sem se olhar no espelho, seu cabelo vai parecer um tanto maior do que você se recordava. Só que o mesmo não vale para o seu desenvolvimento, pois, se você passa duas semanas sem praticar, não melhora durante esse hiato.

Outra possível razão é a cobrança excessiva: tendemos a adotar essa postura quando temos muitas – e excelentes – referências, nas quais nos inspiramos e cujos resultados almejamos. Se você olha para o seu trabalho e tenta se comparar a Michelangelo, Mozart ou qualquer outra autoridade incontestável da sua área, é óbvio que nunca vai parecer bom.

Significa que você precisa parar de buscar mais referências? Óbvio que não. Você está é no caminho certo.

Também há um outro grande problema, que é quando a autoestima de um/a artista é baixa por causa das influências externas. Como quando críticos amargurados chamam seu trabalho de lixo, por exemplo, ou quando a família desestimula, ou quando a pessoa se vê cercada de gente negativa que faz qualquer um se sentir inferior.

É complicado.

Pode até ser que a sua arte nunca chegue ao patamar que você deseja, porém há duas coisas a serem levadas em consideração: 1) isso não justifica você mantê-la inacabada, esquecida e muito menos abandonada; 2) se prestar atenção, conseguirá sim enxergar seu processo de evolução.

Sua arte não vai agradar todo mundo. Quanto mais cedo aceitar essa ideia, melhor.

Sua arte talvez não ganhe uma exposição no Louvre, nem o nobel da literatura ou o Oscar. Mas se é capaz de impactar, entreter, gerar reflexões e ou encantar, ainda que somente uma pequena quantidade de pessoas, é motivo suficiente para que exista. Quem esconde tesouro é pirata, e pirataria é crime.

Quanto a observar o próprio processo de evolução, depende da frequência com que você pratica. Se você toca um instrumento, escolha um exercício para treinar todos os dias, grave a primeira tentativa e a ouça uma semana depois. Faça o mesmo após um mês, se quiser.

O avanço será um fato perceptível, nenhuma influência externa poderá refutá-lo e isso te motivará.

Você provavelmente já viu aquele meme que diz: “Ele é artista, precisa ficar sendo elogiado o tempo inteiro”. Não é mentira. Poucas vezes paramos pra contemplar e avaliar o próprio avanço, mas a verdade é que quando esses elogios e aprovação partem de nós mesmos, menor é a necessidade de receber aplausos.

Trata-se de continuar fazendo exatamente aquilo que você já tem feito, mas prestando mais atenção em si mesmo/a. E pode ser que o feito não esteja perfeito, mas você perceberá que está melhor do que costumava ser.

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O que são NFT’s e o que pensamos sobre o assunto?

NFT é a sigla para Non-fungible Token, que significa Token não-fungível. De acordo com a CNN, “o NFT é uma espécie de certificação digital que se tornou a nova febre da geração de colecionadores virtuais. Ele permite ter a titularidade oficial do arquivo original, embora seu uso e reprodução, incontroláveis, continuem livres na internet”.

Como se trata de uma novidade, é normal chegar com uma avalanche de dúvidas à respeito do assunto e eu não sou uma exceção. Por isso, incorporei dois vídeos de dois influenciadores brasileiros muito importantes no meio das finanças e negócios: Breno Perrucho (Jovens de Negócios) e Thiago Nigro (O Primo Rico).

O conteúdo é apresentado de forma bastante didática e acessível, vale muito a pena conferir.

Eu entendo perfeitamente que o tema em questão é complexo para quem é pouco ou nada familiarizado com assuntos relacionados à economia, criptoativos, investimentos ou novas formas de negócios digitais.

Tanto o Breno quanto o Thiago alertam para a possibilidade de riscos: e se virar uma bolha? Considero perfeitamente natural que toda novidade seja encarada com bastante desconfiança, principalmente quando a mesma movimenta quantias exorbitantes de dinheiro. Em que mundo a gente poderia sequer imaginar que o certificado de originalidade de uma arte digital seria vendido? E pelo preço de um Monet?

Há um outro fator muito importante a ser levado em consideração, que é a relação entre os NFTs e os criptoativos: pode-se comprar um NFT através da Ethereum, uma criptomoeda negociável de valorização crescente – que só perde para a Bitcoin.

Embora um número cada vez maior de brasileiros decidem se aventurar no mercado de criptomoedas todos os dias, a verdade é que a grande maioria da população ainda desconhece ou não compreende o básico sobre o assunto. Também acredito que a quantidade de pessoas que nunca sequer ouviram falar em Bitcoin represente a maioria em nosso país.

Por isso é muito difícil chegar à qualquer conclusão. É cedo demais. Porém, quem é que não gostaria de ter sua arte negociada em valores tão inalcançáveis para nós meros mortais? Os vídeos falam sobre hábitos de colecionadores e usaram como exemplos pessoas famosas e autores de memes famosos. Mas e quanto aos artistas iniciantes e artistas locais? Será que possuem chances reais e palpáveis de conquistar um lugar ao sol no universo das NFTs?

Só o tempo dirá.

Mas calma, eu não dediquei um texto inteiro para chegar à um final inconclusivo. Mesmo tendo tantas ressalvas, desconfianças e pouco conhecimento nesse tipo de negócio, acredito que devemos compreender os princípios por trás deles, e quanto mais cedo menor.

Eu por exemplo, acredito fortemente que o dinheiro físico deixará de existir no futuro e haverá a predominância de moedas digitais. Mas ainda não sinto que há segurança o bastante para comprar Bitcoin. E por quê?

Porque bicicleta com asas não é avião.

Para que o primeiro avião do mundo realizasse um voo bem sucedido, foram necessárias muitas tentativas e erros. Diferentes modelos foram desenvolvidos e testados ao longo de várias décadas, porém hoje em dia ninguém duvida que o Boeing possa te levar ao Japão.

Se hoje em dia são negociados certificados de autenticidade de artes e outros produtos digitais, sem dúvida alguma estamos testemunhando um passo rumo à uma transformação definitiva. Acontece que essa transformação ainda não está concluída e não chegou em seu estágio final. Novos modelos ainda precisam ser desenvolvidos e testados, mas o elemento principal que solidificará essa nova filosofia de negociação será o tempo.

Claro, o conselho que dou aos leitores e leitoras é dentro de uma zona de segurança. Não digo que riscos devem ser evitados, mas sim calculados. Se quiser se aventurar, esteja ciente do quanto você está disposto/a a perder – e jamais descarte essa possibilidade, pois mesmo o Breno e o Thiago que se dedicam ao estudo e prática de investimentos há anos estão sujeitos à perdas.

Portanto, o meu conselho é apenas que você não ignore essa novidade que é o mercado de NFTs. Se puder, leia pelo menos um pouco sobre o assunto todos os dias. Converse com pessoas que já tiveram a experiência, participe de fóruns, pergunte bastante, reflita e debata, mas mantenha o foco no entendimento do princípio ao invés da prática.

Seja curioso/a.

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Vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais?

Já adianto que a resposta é não. Não vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais.

Algum tempo atrás, realizei uma pesquisa com estudantes e profissionais das artes sobre perspectivas, carreira, vendas e aprendizado. Como já esperava, vi muitas respostas diferentes, mas me agradou saber que a maioria dos participantes disseram que não é preciso mudar o estilo para vender mais. E isso é muito importante.

Em um dos textos anteriores, eu falei sobre o fato de algumas expressões artísticas terem muito mais chances de vender do que outras. É o caso do pop e do funk na música, do romance na literatura e da ação no cinema, por exemplo. Como esses gêneros são os favoritos da grande maioria, é verdade que os outros atingirão um público menor em comparação.

Mas não significa que não atingirão público nenhum. E também não significa que esse público não possa crescer.

Desde pequeno eu ouço que sucesso de público é sempre proporcional à falta de qualidade, e hoje em dia acho essa crença muito problemática. Mais do que isso: é uma afirmação covarde.

Também fiquei feliz ao ler que muitos participantes da pesquisa opinaram positivamente sobre o marketing digital, reconhecendo seu potencial e importância para a atualidade. Ao mesmo tempo, observei que quem expressou uma opinião negativa sobre o assunto não parecia conhecer muito a respeito, o que ficou claro em algumas justificativas.

Por isso, acredito que não se trata de abrir mão do estilo com o qual você se sente mais à vontade em expressar, menos ainda da qualidade. Trata-se simplesmente de assumir as rédeas, aprender a promover a visibilidade do seu trabalho e conhecer as melhores estratégias de vendas que se adequem à sua arte.

Não é simples como parece. Muitos negócios que oferecem produtos ou serviços excelentes, até mesmo nos setores considerados mais prósperos, vão à falência por não dominar esse tipo de conhecimento.

À respeito dessa resistência com relação a assumir a autonomia sobre as vendas e buscar maior presença online, não pude deixar de observar alguns padrões: muitas vezes ela parte de artistas mais introvertidos e sérios. Porém, isso não precisa ser um obstáculo.

Já nem sei quantos anos se passaram desde que vi pela primeira vez na televisão um comercial das Casas Bahia com o Fabiano Augusto – o cara do “quer pagar quanto?”, pra quem não sabe –, mas a presença dele foi tão marcante que povoa a memória do brasileiro até hoje. O rapaz gesticulava bastante, era comunicativo, dinâmico e parecia se sentir bastante à vontade fazendo o que fazia.

Funcionava? Sim. É o único jeito de vender bem? Não. Mas muita gente pensa que sim.

Quanto à presença online, é ainda mais fácil de entender a relutância: má representação. As palavras “youtuber” e “blogueiro” já são em si bastante estereotipadas, ainda que todo internauta do mundo esteja ciente da variedade de conteúdo disponível. Afinal, se você diz que tem um canal no youtube ou um blog, as pessoas automaticamente te imaginam rasgando livro em vídeo de hate, imitando uma foca em cima de uma cama toda coberta de nutella, ou fazendo dancinhas ridículas e passando vergonha conscientemente.

A verdade é que existe uma grande possibilidade de você “viralizar” fazendo coisa que não presta na internet. Mas essa é a única maneira de atrair um público fiel e clientes em potencial? Não.

A comunicação não se resume ao ridículo.

Você não tem que mudar a sua arte. Você tem que mudar a maneira de apresentá-la.

Paulo Coelho, por exemplo, sempre posta em seu instagram fotos e vídeos de leitores que adquiriram seu mais novo livro e deram um retorno positivo sobre o mesmo. Isso é fazer marketing e promover seu produto, sem dancinha. E quantas vezes você já viu bandas compartilhando o print de um fã ouvindo sua música? Atores em um set durante o intervalo das gravações?

Isso é importante para todos os setores.

É o cliente satisfeito que comprou um tênis e divulga a loja. É o morador satisfeito que fez uma reforma em casa e divulga o profissional que realizou o serviço. É o aluno satisfeito que divulga o curso. E é o fã que divulga o artista favorito.

Exiba a apreciação do seu público com orgulho. Quanto mais as pessoas virem elogios a seu respeito, mais elas sentirão que vale a pena conhecer o seu trabalho. Isso não é enganar. Isso não é manipular. Não é imoral.

Significa que você precisa transformar as suas páginas ou redes sociais em catálogos? Também não. Apresente um conteúdo diversificado, que não só promova a sua arte como também mostre a sua rotina de criação e que abra as portas para a criação de um relacionamento com o seu público.

Vá além do “compre meu produto”. Venda a mudança que o mesmo traz à vida das pessoas.

Mude o texto do seu anúncio sem mexer em uma única virgula da sua arte. Assim você venderá melhor o seu produto, não a sua alma.

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Como conciliar seu processo criativo ao emprego formal?

Antes de começar, eu gostaria de dizer que não, eu não tenho todas as respostas e soluções para todas as condições sociais. Estou completamente ciente disso e, portanto, não ofereço uma transformação milagrosa na vida de quem precisa encarar mais de duas horas em trânsito todos os dias para ir e voltar do trabalho e ainda cuidar de filhos e resolver imprevistos.

Gostaria de ter uma solução para casos como estes, que sei que são comuns. Mas não tenho.

Portanto, este texto é para você, artista que trabalha em tempo integral numa profissão sem relação com sua arte, mas que ainda dispõe de algum tempo livre no dia a dia para se dedicar ao ofício.

1 – Se o que falta é tempo, você precisa aprender a administrá-lo

Não é estranho quando lemos a biografia de algum/a artista que hoje é ícone histórico e descobrimos que o/a mesmo/a era boêmio/a, abusava de substâncias ilícitas, precisava de abrigo e ajuda de amigos e parentes, mas quando produzia sua arte faturava uma fortuna.

Ainda que você tenha amigos e parentes capazes de sustentar e tolerar seus vícios e maus hábitos, esse é um estilo de vida que eu definitivamente não recomendo.

Mesmo com um bom conhecimento de marketing, estratégias de lançamento e uma boa rede de contatos, a verdade é que assumir as próprias rédeas da expansão de seu público e das vendas da sua arte trará resultados a longo prazo. E você precisa comer e pagar suas contas hoje.

Portanto, não é errado você ser paciente e trabalhar em um emprego formal fora da sua área, desde que entenda que aquilo é um sacrifício necessário e temporário.

Porém, quanto menos você souber administrar o seu tempo, mais meses – talvez anos – você precisará encarar aquele emprego que não é o seu sonho, e, consequentemente, mais distante se encontrará da carreira que almeja.

Muitos/as artistas, jovens principalmente, torcem o nariz sempre que escutam a palavra rotina e quase vomitam só de ouvir falar em disciplina. Acreditam em dormir tarde e acordar tarde, na espontaneidade, na pressão de fazer algo na última hora, e que um dia o problema da procrastinação se resolverá sozinho.

Você não tem que se cobrar demais. Você tem que se cobrar aquilo que é capaz de fazer.

Por isso, faça todo o planejamento do seu mês, da sua semana e do seu dia. No trabalho, você com toda certeza tem um horário para chegar, um para o intervalo e outro para sair. Comece por aí: tenha uma agenda e anote esse fluxo em todos os dias úteis do mês atual. Por exemplo: “08h – início do trabalho; 12h – intervalo; 18h – fim do expediente”.

Se você nunca parou pra observar em quanto tempo percorre o trajeto do trabalho até em casa, comece a observar, pois isso faz muita diferença. Imprevistos acontecem, por isso marque no cronômetro os minutos gastos durante toda a semana e faça uma média.

Quanto mais longo o trajeto, mais aconselhável é manter a cabeça ocupada: podcasts, leituras, vídeos, o que puder te ensinar ou informar enquanto você estiver no ônibus, trem ou metrô. Se você dirige, contente-se com conteúdos de áudio, óbvio.

Planeje o horário de acordar e de ir se deitar. Talvez você tenha que passar a dormir mais cedo, mas eu definitivamente não recomendo diminuir suas horas de sono. Uma noite mal dormida resultará em um dia mal aproveitado.

Inclua na agenda seus horários de descanso: mesmo sem se sentir cansado/a, faça uma pausa no mesmo horário todos os dias, se for possível. Se tiver celular com internet ao seu alcance, busque por “meditação guiada” no youtube, recarregue suas energias e retorne com mais disposição.

Tendo tudo isso anotado na agenda, dedique os espaços livres à criação. Talvez você pense que dessa maneira estará se acostumando à ideia de que a arte não é sua prioridade, mas não é bem assim. Primeiro porque esse tempo restrito de dedicação será maior do que num calendário caótico. E segundo porque é preciso fortalecer o hábito.

Fazendo uma comparação: correr durante 10 minutos todos os dias, de segunda á sexta, é melhor do que correr 50 minutos na segunda e ficar parado/a o resto da semana. No fim, serão 50 minutos de todo jeito, mas todo esse intervalo em inércia atrapalha o seu desempenho. Faz sentido?

A mente precisa desenvolver o hábito de criar. E se você começar a fazer isso amanhã, pode ter certeza de que terá muita dificuldade: sono, cansaço, falta de vontade e bloqueio criativo. Porém, depois de um mês seguindo uma rotina, suas habilidades começarão a fluir com mais facilidade.

“Ah, mas de nada adianta planejar tudo se a vida tem imprevistos”. Bom, eu duvido que você enfrentará imprevistos todos os dias.

“Ah, mas isso não funciona pra mim porque eu sou de peixes e -”. Vai dormir.

Não prometi uma solução fácil nem rápida, né.

2 – Se o problema é dinheiro, aprenda sobre finanças

Mas é claro que o problema é dinheiro, se não por qual motivo você estaria encarando um emprego infeliz? Sabia que você não é obrigado/a a pagar por pacotes de tarifas bancárias nem pelo seguro do seu cartão do crédito? E já observou que esses valores não param de subir? E que às vezes o banco desconta taxas tiradas de sabe-se lá que orifício, por serviços que você nunca contratou e sem te avisar? Sabia que você pode pedir a isenção e o estorno dessas taxas? Sabia que os rendimentos da popuança sempre estão abaixo da inflação e você acaba perdendo poder de compra?

Sabe porque tanta gente ganha uma fortuna num golpe de sorte e no ano seguinte volta pro zero? Ou o contrário, gente que perde tudo mas recupera o patrimônio? Trata-se de entender o dinheiro. Esqueça bordões como “só se vive uma vez”, “dinheiro é pra gastar”, “só ganha dinheiro quem explora os outros” e afins. Pessoas que não entendem absolutamente nada sobre economia são as que mais difundem esse anti-conhecimento que só vai te manter no exato lugar onde você se encontra.

Não significa que você precisa se matricular numa faculdade de economia – se quiser pode – ou que eu vá bancar o coach ou pedante nas próximas linhas. De modo algum. Mas vou te incentivar a ir atrás de conteúdos responsáveis sobre o assunto. Os canais da Nathália Arcuri e da Nath Finanças, por exemplo, são excelentes. Nem é preciso se tornar especialista em finanças ou ter ânsia por empreender para entender que muitos hábitos de consumo sabotam a realização dos seus sonhos.

Eu já fui um gastador convicto, não podia ter dinheiro na conta que fazia sumir. Hoje sei o quão importante é montar uma reserva de emergência e tento fazer um extra quando é possível.

Que fique claro que também não é objetivo deste texto promover a meritocracia. A verdade é que, se essa mudança de hábitos não transformar positivamente os seus resultados, de qualquer maneira você irá evoluir como pessoa por dar o melhor de si.

E isso inspira as pessoas.

3 – Não tenha vergonha de pedir ajuda

Esse tópico é muito importante. Acredito que a maior parte dos artistas de todo o Brasil poderão crescer na carreira quando pararem de se encarar como rivais ou concorrentes. Essa história de arte como palco pra disputa de ego precisa acabar. Ou melhor, nunca deveria ter existido.

A classe tem que ser mais unida.

No seu círculo de convivência, é fundamental que você se cerque de pessoas que te apoiam, que acreditem em você, que entendam seus objetivos, respeitem seus sonhos e te ajudem a crescer.

Por isso, parte do seu tempo também deve ser dedicada à colaborações, parcerias, ajudar os seus colegas com o que estiver ao seu alcance, e, se não houver muito o que possa fazer, deixe que te ajudem. Se estiver precisando de material, peça emprestado. Se estiver precisando de algum espaço, peça para usar. Peça feedbacks, compartilhamentos nas redes sociais, tire dúvidas.

Quem te ajudar também estará crescendo contigo.

E esteja disposto/a a retribuir, quando isso não exigir um grande sacrifício do seu tempo.

Sucesso de público anula a qualidade? Achamos que não

Alguns meses atrás, perguntei no meu Facebook se, na opinião das pessoas, existia diferença entre “é bom” e “eu gosto”, me referindo à qualquer expressão artística. Dezenas de pessoas se engajaram com a publicação, todas dizendo que existe sim diferença.

E os exemplos foram dos mais variados: cinema de vanguarda como qualidade, blockbuster como apreciação; literatura clássica como qualidade, romance como apreciação; música erudita como qualidade, pop como apreciação. Filmes de super heróis foram os mais citados e houve até comparação com comidas saudáveis e fast foods.

Enfim, muitas respostas interessantes.

Dentre os exemplos citados como “eu gosto”, todos eram conhecidíssimos sucessos de público. Mas mesmo assim não são considerados bons, o que nos leva a uma reflexão ainda mais interessante.

Algum tempo atrás falei sobre algumas desvantagens e desafios que os artistas eruditos enfrentam. Diz respeito à recepção do público: muitos respeitam, confirmam a autoridade e estudam sobre, mas poucos realmente apreciam, e isso se deve à maneira como o/a autor/a da obra em questão escolhe se comunicar.

Como havia escrito no mesmo texto: quanto maior o estudo teórico, quanto mais difícil a aplicação técnica e quanto mais detalhadamente forem planejados os recursos de linguagem, mais direcionada a obra estará aos especialistas. E como bem sabemos, a grande maioria não é especialista.

Por exemplo: Limite, clássico filme brasileiro de Mário Peixoto (1931), não possui diálogos e utiliza a iluminação e os enquadramentos como recursos de linguagem. No dia a dia, estamos acostumados com o uso da fala para nos comunicar, e qualquer mudança na iluminação significa somente que vai chover ou que você não pagou a conta de luz.

Limite, filme de Mário Peixoto

É difícil, causa estranhamento e exige esforço. Mas ninguém pode negar que o filme tem qualidade, pois a equipe que participou de sua realização precisou de muito conhecimento para comunicar uma ideia através das variações de luzes e sombras.

E não foram muitos os filmes daquela época que sobreviveram ao tempo e ao esquecimento: ainda nos dias de hoje, Limite é uma obra cultuada, respeitada e admirada pela grande maioria dos cineastas, professores e estudantes de cinema. Segue sendo estudada e debatida em círculos acadêmicos e nunca deixou de inspirar novos artistas.

Por outro lado, um filme como Os Vingadores, um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, é considerado um filme sem qualidade. Isso porque a fotografia, iluminação, edição, figurino, cenografia, sonoplastia e até os efeitos especiais, cumprem papéis exclusivamente técnicos e não desempenham nenhuma função enquanto recurso de linguagem. O roteiro segue a narrativa clássica mais popular do mundo, com começo, meio e fim, centrado em uma jornada que leva os personagens principais à resolução de um problema.

Ou seja, o que manda é o roteiro, enquanto todo o resto precisa somente ser de tecnologia de última geração para garantir a maior qualidade visual e sonora possível.

Mesmo assim, milhões de pessoas choraram na sala de cinema. Riram, gritaram, aplaudiram e sentiram uma adrenalina indescritível. Uma experiência de imersão completa.

E ainda insistimos em dizer que não tem qualidade.

Será que a capacidade de comover, impactar e conquistar milhões de pessoas pelo mundo todo, não pode ser considerada um indicador de qualidade?

É aí que a reflexão começa a ganhar novas camadas: afinal, o que é qualidade?

Me veio à memória uma cena do filme Whiplash (Damien Chazelle, 2014), na qual ocorre aquele inesquecível diálogo entre o protagonista Andrew (Miles Teller) e seus familiares na mesa de jantar. Quando ele revela a ambição de se tornar o melhor baterista do mundo, um dos seus primos pergunta se isso não é relativo. Prontamente, Andrew diz um “não” seco e mau humorado, sem paciência para leigos.

Nessa parte do diálogo, o primo de Andrew confundiu qualidade e apreciação. Para quem é leigo em qualquer assunto relacionado às artes em geral, “melhor” significa “aquele que eu gosto mais”.

E aí você pode me perguntar: “mas e se o melhor baterista do mundo em questão não fosse apreciado por ninguém? Ainda seria o melhor?”

A resposta é sim. Porque continuarão existindo especialistas que o reconheçam como tal, gostem ou não.

Mas será que é possível haver qualquer artista no mundo que realmente lide bem com a ideia de receber um zero em apreciação?

Nada motiva mais uma pessoa a insistir em uma carreira artística se não a paixão – e se for a fama, essa pessoa definitivamente precisa se preocupar com a apreciação acima de tudo. E sempre que nos apaixonamos por uma obra de arte, queremos compartilhá-la com os outros, queremos que também amem aquilo que amamos e compreendam o que sentimos.

E a verdade é que, à medida em que a paixão esmaece ao longo do tempo – o que é normal –, segue-se em busca de outros objetivos, que podem ir desde o sucesso comercial a mais restrita admiração dos especialistas.

Ainda é bastante comum hoje em dia ouvir de muita gente que tudo o que é popular não presta. É verdade que as banalidades sobram na boca do povo, as coisas são assim desde que o mundo é mundo. Mas seguir defendendo a ideia de que o sucesso de público é, por regra, um extremo oposto de qualidade, é conversa pra boi dormir.

A verdade é que o entretenimento é tão importante para a saúde física e mental dos seres humanos quanto a bagagem intelectual que adquirimos com as obras de arte menos populares. A mente precisa descansar, o corpo precisa dançar e o riso precisa se soltar.

Em outras palavras, quanto mais pessoas são impactadas pelos sucessos de público classificados como sem qualidade, maior é o bem que seus respectivos autores trazem ao mundo.

E proporcionar alegria, bem estar e prazer para um grande número de pessoas, é sim uma arte. E o seu valor é imensurável.

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5 MOTIVOS PARA LER FURTADO QUER MATAR O PAI, DE BORGES DA VEIGA

Furtado Quer Matar o Pai é um livro 100% digital, realista, polêmico, intenso e subversivo. Uma pedrada na vidraça! Você vai poder ler pelo celular se quiser e o preço não vai nem fazer cócegas no seu bolso.

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Bota o fone no ouvido e assiste esse booktrailer que eu preparei com muito suor:

E se o vídeo ainda não te convenceu, então vamos falar sobre os cinco principais motivos para você conferir essa leitura. Segue o fio:

1 – PROTAGONISTA MARCANTE

Conforme a sinopse do livro, Julio Furtado é um estudante de 16 anos que sofre com a violência na escola e em casa. Seu objetivo principal é mudar de vida, mas toma más decisões no meio do caminho: arruma um emprego que detesta, gasta com o que não deve e desenvolve maus hábitos.

Por outro lado, Julio é um personagem forte que sempre toma a iniciativa para conquistar o que quer. A narrativa em primeira pessoa relata um ponto de vista sincero e completamente realista sobre a vida sofrida em um bairro humilde e as perspectivas não muito otimistas sobre o futuro.

Julio não é um herói, muito menos um santo: um ser humano com diversas qualidades e defeitos, todos muito bem destacados e escancarados. Uma pessoa incrivelmente real, cativante, que conquista e prende o leitor do início ao fim.

2 – AVALANCHE DE EMOÇÕES

É muito difícil para um autor classificar a própria obra em um único – ou dois, no máximo – gênero literário específico, e às vezes soa meio vago quando digo que Furtado Quer Matar o Pai é um livro de ficção transgressora e realismo sujo. É mais que isso.

Em menos de 200 páginas, são trabalhadas várias emoções. Posso prometer que o/a leitor/a vai sentir medo, raiva, indignação, curiosidade, comoção, euforia, aflição, vai dar altas risadas e terminar a leitura de queixo caído.

O livro foi escrito inteiramente pensando em despertar o “efeito caraca”, expressão que eu acabei de inventar (eu acho). É uma daquelas histórias que prometem te deixar pensando nela por vários dias.

3 – ENREDO ENVOLVENTE E DESFECHO SURPREENDENTE

O motivo anterior fala sobre a intensidade do livro, porém a qualidade do enredo tem um segredo que o torna muito mais interessante: o retrato fiel da realidade. A história de Furtado é completamente despojada de qualquer glamour ou luxo.

É inspirada na rotina de milhões de brasileiros estudantes e trabalhadores, que sofrem em busca de uma vida mais digna e enfrentam inúmeros obstáculos. A abordagem é honesta, sem estereótipos nem caricaturas ou soluções milagrosas.

Quanto ao final… acredito que, no decorrer da leitura, você irá imaginar várias possibilidades diferentes de como essa história pode terminar. Mas você vai errar em todas elas. Definitivamente, ninguém está esperando por esse final.

4 – ALTAS BAIXARIAS

Ah, mas pode apostar que essa história é cheia de coisa que não se deve dizer em família. E não adianta dizer que não gosta, eu sei que esse é o principal motivo de você assistir certos reality shows por aí.

Pois é, as pessoas – brasileiros, principalmente – sabem apreciar um mal feito. E os mal feitos na história do Furtado chegam a ser tão constrangedores que eu consigo imaginar direitinho o seu rosto ficando vermelho enquanto lê. Prometi que você daria risadas, e elas virão em momentos muito, mas muito errados.

A essa altura, desconfio que haja leitores/as perguntando: “tem hot”? Como eu posso dizer…? Tem hot, tem red, tem chili e tem peppers.

5 – ACESSIBILIDADE

Furtado Quer Matar o Pai está disponível exclusivamente no formato digital. Não precisa se deslocar até uma livraria, ou ficar aguardando um livro físico durante uma semana.

Pagou, tá disponível na hora e você já pode começar a ler pelo seu computador, kindle, tablet ou até pelo celular! E o preço? Uma pechincha! É mais barato que a gasolina.

Qualquer pessoa que tem um celular e gosta de uma boa história pode ler o e-book sem sentir na consciência o peso de estar gastando demais com livros. Tá fácil, tá barato e vale a pena! Por isso, acesse agora a Amazon para garantir o seu!

Instagram do autor: @borges_daveiga

Twitter do autor: @Borgesdaveiga92

Faculdade de artes: vale a pena?

Gostaria de começar indo direto ao ponto: sim, eu recomendo fazer faculdade de artes.

Agora vamos aos prós e contras.

Há muitas profissões que ninguém pode exercer sem ter feito faculdade: médico, advogado, engenheiro, dentista, psicólogo, veterinário etc. E há outras que se pode sim exercer sem ter feito faculdade. Artista é uma delas.

Não sei como é nas principais universidades do seu estado, mas muitas costumam aplicar uma prova de habilidades específicas como forma de ingresso. Só o vestibular ou ENEM não é o bastante. Ou seja, há uma exigência de que você já entre sabendo, o que significa que não é lá que você vai aprender a desenhar, pintar, esculpir, atuar, tocar instrumento, dançar ou ser criativo/a. Isso você pode aprender sozinho ou em cursos.

Também é importante destacar que você não terá aulas de cinema com o Spielberg, por exemplo. Seus professores terão no máximo uma produtora pequena, de alcance local e com algumas conquistas de festivais medianos no currículo. Quem é realmente bem sucedido no ofício, não está dando aula – mas pode ser que tais artistas bem sucedidos talvez não sirvam para ensinar.

Então quais as vantagens?

Vantagem número 1: Referências

Numa faculdade de artes, você aprende história da arte. Vai conhecer e se aprofundar em obras das quais nunca ouviu falar, ou cujas camadas só conhecia superficialmente.

Não importa quão habilidoso/a você seja naquilo que faz, é ampliando seus conhecimentos que irá ousar, testar técnicas e conceitos diferentes. Isso te permitirá crescer e evoluir enquanto artista.

Você pode até conhecer os principais e mais importantes movimentos de ruptura e vanguarda, mas na faculdade se aprende a compreender as mentalidades por trás deles, os contextos históricos e sociais que influenciaram suas motivações, o que te torna uma pessoa mais consciente e crítica da própria realidade e contexto sociocultural.

Vantagem número 2: Conhecimento teórico

Sabia que existem movimentos de ruptura e experimentação na sua área acontecendo nesse exato momento? Não vão te ensinar isso num curso de desenho, na sua escola de teatro ou estúdio de dança.

Você pode até não concordar nem apreciar as mudanças propostas, mas precisa conhecê-las. Precisa entendê-las, pois são consequências de como a sociedade tem se relacionado com a arte em vários aspectos.

Isso exige um aprofundamento nas leituras teóricas sobre as artes. Trata-se de uma maneira de conhecer arte na perspectiva de filósofos, sociólogos, historiadores, psicólogos etc. Não é fácil, o linguajar costuma ostentar academicismo, mas é enriquecedor.

Vantagem número 3: Círculo de convivência

É bastante acolhedora a ideia de estar entre pessoas que partilham dos seus sonhos, angústias, medos e conhecimentos. Ninguém ali vai tentar te incentivar a largar essa “besteira sem futuro” e prestar um concurso público.

Além disso, você pode ler toneladas de livros sobre história e teorias da arte, mas o que potencializa de verdade o conhecimento é o debate, a troca de ideias, compreender a leitura que outras pessoas fizeram dos mesmos textos que você e aprender com a diversidade de pontos de vista. Esse é um dos grandes valores das faculdades de ciências humanas como um todo.

Conhecimento não se acumula, se troca.

E agora vamos tratar dos pontos negativos, ou não tão positivos assim.

Desvantagem número 1: Não garante uma carreira estável

Na verdade, fazer faculdade de artes não oferece é garantia nenhuma de carreira. Você não vai frequentá-la para se tornar um artista, mas sim para aprender sobre arte. Não é a mesma coisa.

Durante os quatro anos na universidade, você não necessariamente estará em contato com profissionais, e sim com acadêmicos, tanto na sala de aula quanto nos congressos, simpósios e palestras que participar.

Se o curso for de licenciatura, seu estágio no quarto ano será em uma escola e você vai dar aula. Buscar fazer contatos com profissionais artistas, que realmente fazem do ofício uma forma de sustento, será uma missão quase completamente autônoma e solitária.

Desvantagem número 2: Influências negativas

Seu círculo de convivência pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem, o que dependerá tanto das suas escolhas quanto da sorte. Na maioria das universidades, o ingresso nos cursos de artes é pouco concorrido, por isso se considera “fácil” de passar.

Consequentemente, vai haver na sua turma alguma quantidade média ou baixa de pessoas que não gostariam tanto de estar ali, outras que aos poucos vão perdendo o interesse e, no fim das contas, sobrarão poucas realmente interessadas na troca de conhecimentos e experiências.

Outro tipo de influência negativa vem daquelas pessoas que estão sempre dando desculpas e justificativas para não enfrentarem os obstáculos da carreira. Vão somente reclamar do governo. Nesse sentido, não estarão erradas, mas perderão a oportunidade de acertar quando criticarem e descartarem outras alternativas sem nem tentar.

E essa mentalidade pode acabar influenciando seus planos e te levar a cometer autossabotagem.

Também é muito importante diversificar o seu currículo: faça disciplinas como ouvinte nos cursos de administração, economia, ciências sociais, marketing, tudo aquilo que tiver relevância para o crescimento da sua carreira. Aprenda a montar estratégias de vendas, divulgação, elaborar planilhas etc. Não seja uma batata.

Desvantagem número 3: A bolha

As universidades são extremamente necessárias para a humanidade e tem sido, sem dúvida alguma, um sucesso absoluto em produção científica e de conhecimento. Porém, há de se reconhecer que, ao menos no Brasil, o ensino superior é um fracasso em se comunicar com o restante da sociedade.

Doa a quem doer.

Quem estará presente nos congressos, simpósios e palestras promovidos pela universidade? Somente universitários.

Quem lê os artigos de revistas acadêmicas, projetos de iniciação científica e extensão, TCC’s, teses e dissertações? Somente universitários.

Isso significa que os projetos e trabalhos que você desenvolver pela faculdade não terão um bom alcance – e se tiver, seus colegas e professores irão te massacrar –, afinal a porcentagem de pessoas que fazem ou já fizeram faculdade no Brasil é extremamente baixa.

A universidade é uma bolha e isso precisa mudar.

Conclusão: Não é somente na universidade que está todo o conhecimento que você precisa para ser artista. É uma opção muito enriquecedora – em termos de cultura e intelectualidade –, mas não a única. Um diploma de curso de artes só é necessário caso você queira uma cela especial (mas a melhor opção continua sendo não cometer crimes) ou dar aula de artes em escolas e universidades (para a maioria das universidades públicas, é pré-requisito ter mestrado ou doutorado para dar aula).

São pontos muito importantes a serem analisados. Avalie-os com senso de responsabilidade.

Transgressor, subversivo e polêmico: confira o booktrailer de “Furtado Quer Matar o Pai”, de Borges da Veiga

Você deve estar se perguntando: mas por que raios esse tal Furtado quer matar o próprio pai?

Acredite, ele tem muitos e bons motivos.

Furtado Quer Matar o Pai é o livro de estreia de Borges da Veiga. Sem estereótipos, sem clichês, sem fantasia. A história aborda, de forma realista, a situação de milhões de jovens brasileiros que convivem diariamente com a violência.

Nem as ruas, nem a escola e nem mesmo a própria casa são lugares seguros.

Confira o primeiro booktrailer:

Furtado Quer Matar o Pai será lançado em agosto, na Amazon, somente no formato e-book.

Durante o primeiro mês, o mesmo custará apenas R$3,00.

Não se preocupe, não vou te deixar esquecer. É só inserir o seu e-mail e você receberá uma notificação do próprio autor no dia do lançamento, avisando que já está disponível para compra. Sem spam nem chateação.


Sinopse: Julio Furtado, um estudante de 16 anos, está cansado de apanhar do pai em casa e dos valentões na escola. A urgência em mudar de vida antes que algo pior que as surras aconteça, o leva às piores decisões: vingança, tentativas de fazer justiça com as próprias mãos, maus hábitos e desafios de um emprego que detesta. Jussara, uma garota valente e com inimigos em comum, torna-se cúmplice – e amante – de Julio em suas desventuras.

Um livro 100% digital, independente, cascudo e barato que você pode ler pelo celular.

Copie seus filmes favoritos sem plagiá-los

Você já sabe que cometer plágio é crime, certo? Se não, volta pra base.

Quando penso em meus filmes favoritos, gostaria de ter sido eu a escrevê-los, dirigi-los e ficar com todos os merecidíssimos prêmios. Mais do que apenas apreciar, sinto uma pontada de inveja destes autores pela inteligência, sagacidade e criatividade, e não é aquela inveja que te faz querer destruir uma pessoa para tomar o lugar dela, mas sim aquela que te inspira a tentar fazer algo tão bom quanto.

Como não tenho uma máquina do tempo para realizar tal façanha antes dos meus diretores favoritos, é melhor deixar esse devaneio de lado e começar a criar minhas próprias histórias. Que sejam originais, mas semelhantes às obras que admiro em termos de qualidade.

Há uma forma interessante de copiar seus filmes favoritos sem necessariamente plagiá-los. E já adianto que não é fácil nem rápido, talvez seja até mais difícil que escrever toda a sua obra sem nenhuma inspiração consciente, mas é bastante provável que você se sinta satisfeito/a com o resultado final.

Não precisa ter receio ou se sentir uma fraude por seguir esses passos. Stanley Kubrick e Quentin Tarantino já o fizeram. Com toda certeza, muitos outros diretores famosos e consagrados ainda o fazem.

Primeiramente, é preciso saber analisar um filme. Não necessariamente ser especialista em edição, direção de fotografia ou mixagem de som, mas tem que entender pelo menos o básico dos aspectos “técnicos”.

O que eu recomendo, antes de começar a análise, é escolher algum dos seus filmes favoritos e pensar: “por que eu gosto desse filme?”

Quais são as principais cenas que lhe vêm à mente? O que elas te fazem sentir? E por quê?

Assista ao filme uma vez, despretensiosamente, buscando somente reviver aquelas velhas emoções e o deleite que sentiu quando o fez pela primeira vez. Recorde-se de detalhes os quais você já tinha se esquecido, ou que haviam passado despercebidos.

E reassista uma segunda vez (não precisa ser imediatamente após terminar, claro), prestando atenção ao máximo de detalhes que conseguir, de modo que eles possam responder às suas perguntas. Tente perceber também as variações das suas emoções durante o filme, se há cenas em que você sente medo, aflição, euforia, tristeza etc.

Tudo isso foi planejado.

De quais personagens você gosta e por quê? Destaque os principais valores que te fazem admirá-los: coragem, sabedoria, força, humor… o que for. Analise como essas qualidades são trabalhadas durante o filme, quais são os momentos em que ele mais as coloca à prova, quais são os dilemas que enfrenta e qual a potência disso para o filme como um todo.

Parece difícil? É porque é difícil mesmo. Mas se você gosta do filme, será um esforço prazeroso.

Entender esses elementos te ajuda a aprender sobre a criação de um roteiro. Provocar emoções no seu público é consequência da qualidade das suas histórias, mas conduzi-las conscientemente é uma demonstração de habilidade. E isso você pode aprender com quem soube conduzir as suas.

Vamos usar um exemplo: Karatê Kid.

Se eu te disser que o desfecho é inspirado em clássicos do faroeste, você se surpreenderia?

Bom, quando o Sr. Miyagi vai até o Cobra Kai pedir trégua ao John Kreese, pelo menos até o dia do torneio, está propondo um duelo, no qual Daniel Larusso e Johnny Lawrence serão os dois caubóis que se enfrentarão numa luta limpa seguindo um conjunto de regras pré-determinadas.

No entanto, apesar do desfecho seguir o mesmo princípio, alguém poderia afirmar que Karatê Kid é plágio de algum filme de faroeste? Não. Nem no gênero ele se enquadra.

Quanto mais características humanas são trabalhadas durante a construção de um personagem, maiores são as possibilidades para se explorar as mesmas qualidades e defeitos em novas histórias.

O próprio Daniel Larusso, por exemplo, é um ser humano com vários defeitos: não somente por ser um completo desastre em karatê no começo do filme, mas também pela sua impaciência, seus ciúmes, sua pressa, ou até mesmo a tentação que sente em aprender a lutar do jeito agressivo como os alunos do Cobra Kai.

Ou seja, é um protótipo de personagem capaz de sustentar vários tipos de histórias diferentes. Caso Johnny Lawrence nunca tivesse cruzado seu caminho e chutado seu traseiro, aprender karatê não seria uma prioridade para Daniel e sua trajetória poderia seguir os rumos de um romance com altos e baixos, um drama familiar, ou quem sabe uma ficção científica.

Agora vamos inverter os papéis: um jovem apaixonado tenta reatar com a ex-namorada, mas vê ela se interessar por outro. Ele decide sabotar o rival à todo custo, é superado e descobre que o homem que mais admira é na verdade um monstro. Essa história é Karatê Kid? Não. Mas é a perspectiva de Lawrence, que está em segundo plano no filme.

Sabotar intencionalmente os objetivos de outros personagens não costuma ser um hábito dos protagonistas, e sim de antagonistas ou rivais. Mas pense nas possibilidades de reviravoltas que um herói problemático possibilita. O desenvolvimento pode ser muito mais rico e, na minha opinião, mais interessante.

Agora tente fazer o mesmo com os filmes que você mais detesta. Convenhamos, é difícil mexer numa obra prima, mas, por outro lado, é muito fácil encontrar pontos negativos naquilo que a gente detesta. Principalmente quando são gritantes.

Vale o mesmo exercício: por que eu odeio esse filme? Do que ele precisaria para ser bom? Quais as piores cenas? Qual o problema com o protagonista? E se o vampiro não brilhasse? E se não dependesse só de jump scares para assustar?

Exige mais paciência, mas garanto que será muito mais fácil.

Mas lembre-se: o filme não se resume somente ao roteiro (quer dizer, tem alguns que sim). Preste atenção ao andamento dos diálogos e das ações, mas não ignore os aspectos “técnicos”, pois os mesmos também são elementos narrativos.

Na sua cena favorita, por exemplo, tocava alguma música? Ela intensificou o que você sentiu? A iluminação era mais escura, mais forte, alguma cor se destacava? Como era o enquadramento e o que aparecia nele? Esses elementos estavam presentes em cenas anteriores? E como eles se “casam” com as cenas seguintes?

E por quê?

São esses pontos observados que podem ser adaptados à sua história.

Esteja ciente do poder dos detalhes. Eles podem transformar completamente o sentido de uma cena, ou até de um filme inteiro.

Copie, reflita, altere e melhore. E assim o filme será totalmente seu.

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Se tem um tipo de história que prende, encanta e inspira muitas pessoas por todo mundo, é a história de

Você nunca mais sofrerá com bloqueio criativo depois dessa dica

Quando eu fazia faculdade de cinema, o professor de roteiro propôs uma atividade estimulante que eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha posto em prática até então: brainstorm (tempestade de ideias). Também é justo chamá-la de shitstorm, porque uma boa ideia é como uma moeda engolida por uma criança: você só encontra alguma coisa de valor depois que mexe muito na merda.

Assim funcionou a dinâmica: na turma inteira, com seus vinte alunos, cada um teria o prazo de uma hora para fazer brotar trinta ideias (!) enquanto ouvia uma musiquinha alternativa para ajudar a fluir a criatividade. Não precisávamos criar estruturas de roteiros completos, claro, mas apenas uma única frase que explicasse do que aquilo se tratava e que posteriormente seria desenvolvida com maior dedicação – ou apenas ignorada mesmo.

“Esse safado tá é com preguiça de dar aula”, pensariam alguns. Mas o andamento da atividade tomou rumos interessantes.

No começo era um bloqueio completo, quase um surto de pânico generalizado. Maaaas, como as ideias não precisavam ser necessariamente sacadas geniais, absolutamente qualquer coisa a nossa volta podia ser convertida num insight em potencial.

“Saqueadores invadem universidade e estudantes concentrados os ignoram”.

“Padre do balão é encontrado palestrando num evento de coaching”.

Nesse nível.

Aos poucos fui perdendo o receio de ter ideias ruins e simplesmente deixei que a imaginação fluísse, de tal modo que algumas boas ideias timidamente começaram a surgir. Ao final de uma hora, quase todos os alunos conseguiram ter as trinta ideias, e quem não teve trinta teve vinte e poucas, o que não deixa de ser um número expressivo.

Mesmo aqueles que diziam ter pouca ou nenhuma afinidade com a escrita de roteiro conseguiram. Aquela atividade me rendeu nove ideias com as quais me empolguei e me interessei por desenvolvê-las, e eu tive uma sensação de alívio imensa, pois havia encontrado uma solução para os bloqueios criativos que uma hora ou outra acabaria enfrentando.

Ah, então você está querendo me dizer que é só parar e pensar?

SIM!

Sabe qual é o erro de quem para e pensa mas não consegue ter ideias? A pressa. A impaciência. O desespero.

Enquanto você está tentando parir uma ideia por conta própria, não tem ninguém te obrigando a continuar o exercício por mais quarenta e cinco minutos. As pessoas desistem rápido e se desesperam quando começam a ter ideias ruins que aparentemente só atrapalham, mas não entendem que isso faz parte do processo.

Disseque a ideia: por que ela é ruim? Como eu poderia melhorá-la?

Aí você pensa nas suas referências e tenta se inspirar nos seus filmes, séries, livros favoritos. Pensa nos personagens, nos conflitos, nas reviravoltas.

Você simplesmente pensa. E uma boa ideia vem.

E quem fortalece suas referências soluciona o bloqueio criativo com mais facilidade, por isso é importante ler bastante.

Nas atividades seguintes, selecionamos as nossas ideias preferidas para dar corpo a elas: elaboramos sinopse, argumento, escaleta e desenvolvimento de personagens, ao mesmo tempo em que aproveitávamos sugestões dos outros colegas.

Ter ideias é fácil e todo mundo consegue com algum esforço.

E a verdade é que temos ideias em potencial todos os dias. Elas surgem em situações bastante corriqueiras e nem sempre as identificamos como tal. Por exemplo, quando você vê um motoqueiro dando grau e torce pra ele cair, ou escuta ao acaso uma conversa entre duas pessoas na fila do supermercado e tenta imaginar o contexto.

O simples ato de observar o mundo à sua volta é uma maneira extremamente eficaz de ter ideias novas, sem depender unicamente de raros insights, de momentos “eureca” ou drogas.

Ficou interessado/a? Quer fazer?

Então tira aí uma hora do seu dia, deixa o celular no silencioso ou desligado, tente ter trinta ideias e poste nos comentários dessa página – e não se preocupe com a possibilidade de alguém tentar roubar a sua, pois quem fizer o exercício vai conseguir ter a própria ideia e se empolgar tanto com ela que não vai pensar em outra coisa.

Funciona pra roteiro de filme, literatura, música, pintura, tudo.

Mas se você estiver tentando desenvolver uma história completa, com começo, meio e fim, será preciso seguir mais algumas etapas.

Agora vamos dar corpo à história estruturando melhor uma ideia.

É preciso identificar e deixar bem claro o problema, a ação e a resolução. Ou seja, o que os personagens farão para tentar alcançar seus objetivos, sejam quais forem. Vamos trabalhar isso no exemplo do padre do balão:

Problema: um padre quer sumir no mundo.

Ação: faz uma viagem usando apenas balões.

Resolução: recomeça a vida como coach em outro país.

Esse exercício pode transformar a sua perspectiva sobre aquela ideia que você escreveu mas não gostou, por achar que a mesma seria ruim ou desinteressante. A linha solitária que explica do que se trata uma história não é o mais importante, mas sim a maneira como se conta. Serão os acontecimentos que farão o leitor ou espectador gostar ou desgostar.

Nas próximas etapas, a frase única será desenvolvida até se tornar um parágrafo, que em seguida se tornará um resumo e tão logo um argumento, onde o problema, a ação e resolução serão mais bem pensados e terão suas motivações explicadas.

Mas não é disso que vou falar por enquanto, pois o mais importante é que não lhe falte bagagem para o básico.

Também é comum, quando temos uma ideia, pensarmos o seguinte: “esse filme já existe”.

Você pode achar que talvez existam histórias demais sobre campeões de boxe, mas não dá pra dizer que Rocky e Touro Indomável são iguais, por exemplo, ou que a história que você tem em mente ficará igual – a não ser que esteja pensando em cometer plágio.

Talvez o seu campeão viva em uma distopia futurista e precise se disfarçar de robô para sobreviver ao governo que quer matá-lo, e para sustentar o disfarce precisará enfrentar um robô de verdade no ringue. (Pode ficar com essa ideia pra você se quiser).

Toda ideia que, a princípio, parece ruim, pode ficar ótima durante o desenvolvimento.

Tive um bloqueio criativo durante o andamento da ideia. E agora?

Já passei por essa situação e tentei buscar algumas soluções na internet. Eis as principais sugestões: fazer algo não relacionado à criação – como dar uma volta pelo bairro, parar pra assistir um filme, soldar um toldo etc –, isolar todas as distrações – como whatsapp e instagram –, mudar o ambiente de trabalho, ouvir música ou simplesmente deixar o projeto de molho por algum tempo e retomá-lo depois.

São sugestões interessantes e que fazem sentido, mas a verdade é que processos criativos e recepção de estímulos são coisas individuais. O que funcionou pra você pode não funcionar pra mim e vice versa.

É preciso testar mais de uma solução para descobrir qual realmente condiz com o seu método e funciona de verdade pra você.

Foi em uma sessão de arteterapia – prometo que postarei sobre isso mais pra frente – que eu encontrei minha alternativa favorita: experimentar contar a mesma história utilizando outros recursos.

Durante as sessões, éramos convidados a expressar uma ideia específica através de um exercício de colagem, por exemplo, e em seguida reproduzi-la através da pintura ou escrita.

Dê à sua ideia uma nova forma de ser contada.

Você perceberá que ela pode ser muito mais rica do que acredita.

Se estiver travado/a na escrita de um livro, comece a desenhar os personagens, esboce uma história em quadrinhos. Aquela nova linguagem vai mudar sua ótica, mesmo que você talvez não desenhe bem. Até bonequinho de palito vale.

Agora com a perspectiva de quadrinista, sua criatividade terá como referências as HQs que você já leu e a história tomará novos rumos que antes não faziam parte dos seus planos.

Experimente pintar um personagem, um lugar onde a história é ambientada ou uma sequência de acontecimentos, escrever a letra de uma música que tenha relação com o enredo, escalar o elenco que atuaria numa eventual adaptação para o cinema etc.

Há muitas possibilidades.

Seguindo essas dicas, você vai no máximo ficar em dúvida sobre as várias opções de rumos que seu livro ou roteiro poderão tomar.

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