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5 Ideias para colocar em prática em 2022

Pode ser que você ainda não tenha traçado planos, metas e objetivos para 2022, ou pode ser que já o tenha feito mas queira pensar um pouco melhor a respeito deles. Por isso trouxemos algumas sugestões que, com toda a certeza, te ajudarão a crescer como artista caso aplicadas com inteligência, humildade, paciência e visão de longo prazo.

E sim, a verdade é que ninguém precisa esperar por uma virada de ano ou início de mês no calendário para colocar certas mudanças em prática e focar em alcançar os objetivos que já almejamos há bastante tempo. Eu sei disso e todo mundo também sabe. Mas acontece que desde pequenos estamos programados para agir dessa maneira, pois nos acostumamos ao início e encerramento de ciclos que seguem a lógica dos anos letivos. Começo de ano significa renovação e empenho, assim como final de ano significa férias e descanso.

Quem nos ensinou isso foi a escola, e se tentarmos nos desvencilhar dessa associação que nos dominou de maneira orgânica, teremos muita dificuldade. Bem que eu já tentei, mas não consegui. Meu corpo simplesmente se recusa a ter vontade de trabalhar em dezembro.

Se isso também ocorre com você, acredito que as ideias que apresentarei ao longo deste texto interessarão muito a você.

Vamos conferir?

1 – Começar um novo curso

Em um texto que escrevi ano passado, disse que uma das maneiras de garantir o fracasso é parar de aprender. Ainda penso assim. Você pode ter graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, dezenas de cursos, o que for. Nós SEMPRE temos coisas novas a aprender e devemos fazê-los com humildade, sem achar que já atingimos o supra sumo do conhecimento.

Se você já tem um curso em andamento, mantenha o foco, mas se não estiver fazendo nenhum e tem algum tempo e dinheiro sobrando, por que não? Será uma boa oportunidade para dar um upgrade na sua bagagem ou talvez conhecer um ponto de vista diferente sobre um tema que você já conhece. E o mais importante: conhecerá novas pessoas com interesses em comum aos seus e que fortalecerão sua rede de contatos, quem sabe surja uma boa e nova parceria através dessa convivência.

2 – Usar uma agenda (e segui-la pra valer)

Penso eu que essa opção será muito contestada, pois muitos artistas de diferentes áreas acreditam e defendem a espontaneidade da vida, da criatividade, dos processos de criação etc, e têm completa aversão às palavras rotina e disciplina.

Essa, infelizmente, é uma visão bem fantasiosa e romântica da vida, longe da nossa realidade. Em resposta você pode até citar algumas dezenas de casos de artistas bem sucedidos que conquistaram tudo ao longo da vida sem precisar organizar a semana, pelo contrário, viviam no mais completo caos. Acontece que, para cada um desses casos de sucesso, deve haver outros milhares que não chegaram a lugar nenhum.

Encontre a maneira que melhor funcione para o seu processo individual, mas siga-a de maneira organizada, crie hábitos e supere os limites que você tem hoje. Criatividade e talento não nascem com a gente, são frutos do nosso trabalho.

3 – Ter mais presença na internet

Desde 2020, com o início dessa pandemia dos infernos, as pessoas tem percebido cada vez mais a importância do marketing digital para os mais variados tipos de negócios, e com a arte não foi diferente. As plataformas de streaming bombaram, inúmeras lives foram realizadas e contaram com grandes números de visualizações, muitos cursos online foram vendidos, perfis de artistas nas redes sociais cresceram exponencialmente e ficou muito mais nítido o quanto a arte é essencial para preencher as nossas vidas. E não, você não precisa aderir à blogueiragem trivial para promover o seu trabalho e ampliar sua visibilidade, basta que você encontre a pegada e a linguagem certa para se comunicar com o público que se interessa pelo que você tem a mostrar. Isso não é tão simples e o aprendizado de marketing precisa ser levado a sério, mas você precisa começar.

4 – Dar aulas

Essa também não costuma ser a opção favorita de muitos que pretendem seguir uma carreira como realizador/a, mas, além de ser uma fonte de renda (altamente escalável se você criar um curso online, vale acrescentar), também é uma excelente oportunidade para criar ou fortalecer uma comunidade, unida por pessoas com interesses em comum, que estudam e trabalham em prol da arte.

Em algum lugar no Brasil, existe alguém que quer e precisa do conhecimento que você pode oferecer, e se você ensinar bem, se tornará uma referência. Ainda vou escrever mais sobre essa opção aqui no site, fique atento/a.

5 – Dar o exemplo

É muito importante para você quando seus amigos, familiares, conhecidos ou desconhecidos falam sobre a sua arte e divulgam nas redes sociais, certo? Também seria muito melhor se mais pessoas fizessem isso com mais frequência. Pois bem, uma dessas pessoas pode ser você.

Um dos primeiros textos que escrevi neste site dizia respeito à maneiras mais eficientes de promover o trabalho de um/a artista nas redes sociais, dá uma olhada. Siga estes passos, seja a pessoa que ajuda como pode e de forma criativa, dê o exemplo: faça unboxing quando receber uma compra, compartilhe trechos de músicas do seu amigo que acabou de lançar um álbum, trechos de um capítulo do livro que a sua amiga escreveu, fotos do quadro que seu primo pintou pendurado na parede da sua sala, desperte o interesse dos seus seguidores pela arte alheia. Mas faça com persistência e boa vontade.


E aí, o que achou dessas ideias? Alguma delas já estava nos seus planos para este ano? Você concorda ou discorda que colocá-las em prática te ajudará a crescer enquanto artista? Conta pra gente aí nos comentários.

Se essa matéria foi positiva para você e te fez acreditar que pode trazer bons resultados para a sua formação e carreira, você pode continuar acompanhando os nossos conteúdos. É só cadastrar o seu melhor e-mail para receber gratuitamente novas publicações na sua caixa de entrada.

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Os principais efeitos da pandemia na arte

Já pensou se eu decidisse falar sobre todos os efeitos, aprendizados e transformações que ocorreram durante estes fatídicos anos de pandemia? Daria, no mínimo, um livro bastante extenso ou quem sabe uma série documental com várias temporadas – e, no final, o resultado ainda estaria incompleto.

Pois é, essa microscópica e fatal forma de vida virou o mundo pelo avesso, botou de cabeça pra baixo e sacudiu, causando inúmeras sequelas temporárias e outras tantas permanentes nas vidas de milhões – talvez bilhões – de pessoas em todo o globo – para quem nele acredita.

E eu trago duas verdades dolorosas: a primeira é que esse pesadelo ainda não acabou, pois mesmo que a vacinação já tenha alcançado alguns bons números ainda estamos sofrendo muitas perdas; a segunda é que ainda levará um bom tempo até que consigamos ter uma dimensão real do estrago que o coronavírus causou.

Não somente a saúde, como também a educação, o trabalho, a economia e o meio ambiente são alguns dos principais exemplos de setores que foram impactados negativamente, enquanto o desenvolvimento científico precisou se modernizar ainda mais na busca por soluções e isso trouxe algumas facilidades para o nosso cotidiano em condição de isolamento – para quem o seguiu.

E a arte, como fica nessa história?

Pergunto: o que teria sido de nós sem ela durante esse período interminável? Quem ficou em casa e não foi se aglomerar em bares, festas clandestinas ou na casa de amigos e parentes, muito provavelmente passou mais tempo conectado com suas formas de expressão artística preferidas, dedicando algumas horas a mais dos seus dias aos filmes, séries, músicas e livros, principalmente, e muita gente aproveitou para aprender ou praticar alguma habilidade, como tocar um instrumento, pintar, animar em 3D ou dançar. Eu por exemplo, escrevi um livro.

No fundo, sempre soubemos que a arte é extremamente necessária para a nossa vida e que precisamos dela muito mais do que costumamos admitir. Também é verdade que passamos a enxergar com mais clareza o seu valor, e reconhecer isso é muito importante.

E na prática, o que mudou?

Houve uma grande adesão ao digital: impossibilitadas – ou enfrentando uma série de limitações – de ir ao cinema, teatro, shows ou galerias, as pessoas assistiram a performances através de lives nas redes sociais, consumiram mais conteúdos de plataformas de streaming, inscreveram-se em cursos online, utilizaram mais o meio digital para divulgar seus trabalhos, adotaram definitivamente o e-commerce, enfim, deram um jeito.

Em outras palavras, aumentou a demanda e otimizou a oferta, criando maiores possibilidades de conexões. Pessoas de todo o país puderam assistir ao show que terminou em tiroteio após invasão policial, ao cavalo que sabotou uma entrada triunfante puxando a carroça, e talvez jamais teriam a oportunidade de assistir a essas apresentações presencialmente.

Pensar essas soluções pode não ter resolvido todos os problemas relacionados à construção de uma carreira em artes no Brasil ou às desigualdades implicadas, mas com certeza foi um passo muito importante para melhorar a acessibilidade e a democratização da arte – uma pena que esse passo tenha sido impulsionado por uma situação tão infeliz, no caso a pandemia.

Nos próximos anos, quando despertarmos completamente deste pesadelo e a vida voltar a ser como era antes, talvez alguns destes novos hábitos acabem sendo deixados de lado, não temos como saber. Mas precisamos continuar buscando novas e melhores soluções afim de superar fronteiras

Afinal, mesmo distantes, soubemos nos manter unidos.

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O verdadeiro motivo pelo qual as pessoas rejeitam os artistas de sua época

O costume de rejeitar artistas contemporâneos não é algo exclusivo da nossa época, muito pelo contrário. Vemos nossos pais dizendo que bom mesmo era na época deles e que hoje em dia não se faz mais música que presta – ou literatura, cinema etc. E com certeza eles também ouviam isso de seus próprios pais.

Pelo que eu observo, as pessoas que em algum momento de suas vidas se tornam saudosistas às vezes aceitam, geralmente na infância e adolescência, os lançamentos de seu tempo. Mas é na vida adulta que param de se interessar pelas novidades e se dedicam a conhecer melhor os clássicos, até que começam a dizer aquilo que todos já estamos cansados de ouvir.

“Hoje em dia não se faz mais arte como antigamente.”

É uma pena que hoje em dia ainda se resmunga exatamente como antigamente.

Mas isso não é verdade. Hoje em dia se faz arte de excelente qualidade, inovadora e que influenciará muitos artistas das próximas gerações – que inclusive dirão, no futuro, que bom mesmo era na época de agora. Eu sei disso, você sabe disso, os críticos especializados sabem disso e os saudosistas também sabem disso.

Existem vários possíveis motivos para que muitas pessoas continuem a contar essa mentira para si mesmas e vamos falar sobre alguns deles:

Desinformação: Quando algum artista faz muito sucesso, a exposição nas mídias é enorme: aparecem em vários comerciais, programas de TV, aparições em novelas e filmes, reality shows, noticiários, e a visibilidade chama a atenção até do público estrangeiro. Muitas vezes os saudosistas utilizam estes artistas como exemplo, mas não costumam tomar a iniciativa para conhecer outros que não ficaram tão famosos assim.

Desinteresse: Tudo bem não aceitar tudo o que está em destaque na mídia, mas para conhecer novos trabalhos é preciso sair da zona de conforto, ir atrás, pesquisar nas novas plataformas, portais, blogs… ao invés disso, muitos preferem seguir consumindo sempre só aquilo que já conhecem.

Resistência: Acontece de algumas pessoas serem bastante interessadas, terem tempo disponível e conhecer os caminhos que as levem a novos artistas, mas mesmo assim se recusam a fazê-lo por um motivo pessoal nem um pouco justo consigo mesmo, que é manter determinado status de “velha guarda”. Porém, como bem sabemos, status diz muito mais respeito à percepção que outras pessoas têm da gente, o que não necessariamente corresponde à verdade sobre nós. Acredite, infelizmente é bastante comum que muita gente deixe de fazer ou ir atrás de coisas que gostam por medo da opinião alheia e isso também ocorre quando mudamos nossos hábitos de interação com as artes em geral.

Ok, esses três motivos são lógicos e o que eu disse até agora não é como se estivesse descobrindo a América. Porém, há uma outra razão mais enraizada na mente das pessoas e pouco perceptível – para elas mesmas, inclusive – que precisa ser levada em consideração, pois a mesma muitas vezes acaba se tornando um obstáculo entre artistas contemporâneos extremamente talentosos/as e a estabilidade de suas carreiras.

Esse motivo é a inveja.

Pode observar que a maioria dos entusiastas pela arte brasileira atual é composta por outros artistas. Eles se apoiam entre si porque entendem que estão somando, ao invés de competindo. Preferem trabalhar juntos ao invés de alimentar picuínhas desnecessárias ou rivalidades que só existem na cabeça dos fãs.

E eu acredito que, muitos dos que torcem o nariz para os/as artistas de hoje em dia, no fundo estão tentando lidar com a vontade de estar ali entre eles, fazendo o que gostam, realizando sonhos e vendo uma carreira nascer e tomar um rumo apesar das dificuldades e obstáculos.

Também acredito que a grande maioria das pessoas no mundo inteiro já sonharam um dia em serem artistas, por isso pode parecer inadmissível a ideia de que muitas tenham conseguido – mas elas não.

Uma coisa é certa: ninguém vai admitir que sente inveja. Mas quando trabalhamos com essa hipótese, muita coisa parece fazer mais sentido.

Concorda?

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Crítica e censura: cuidado para não confundir

Algumas semanas atrás, soltei essa no meu Facebook: “Se o Brasil fosse uma ditadura, seu livro seria censurado? E por quê?”

Todas as respostas foram sim e a maioria das justificativas foi bem interessante, como o fato de alguns dos escritores que tenho na rede social escreverem sobre desigualdade social, luta de classes etc, outros pelo conteúdo erótico de suas histórias.

Até aí tudo bem. Sabemos que quem tenta censurar a arte alheia costuma se ofender com extrema facilidade – inclusive, os princípios dessa galera são tão frágeis que parecem feitos de maizena.

Porém, achei um tanto preocupante quando começaram a surgir alguns comentários confundindo censura e crítica, e isso é muito perigoso. Citaram como exemplo o Nelson Rodrigues, que com toda certeza seria “cancelado” hoje em dia, falaram sobre certos conteúdos e gêneros que são menos aceitos pelo público e pela crítica… etc.

Por que isso me incomodou? Porque as diferenças entre censura e crítica sempre foram tão claras e óbvias que chega a ser desnecessário explicar os dois conceitos. Mas para não restar mais nenhuma dúvida, o farei mesmo assim.

Censurar: proibir a veiculação de alguma obra ou discurso, sujeitando o/a autor/a da mesma a alguma penalização.

Criticar: discorrer sobre as características positivas e ou negativas de uma obra ou discurso, opinando sobre sua qualidade, relevância e quaisquer outros pontos que julgar interessantes de se discutir.

Claro que eu apresentei os conceitos de maneira bastante vaga, mas o mais essencial está bem claro: focinho de porco não é tomada e crítica não é censura. A crítica, por mais negativa e cruel que possa ser, não impede de qualquer maneira a obra ou discurso de ser vista, lida ou ouvida pelo público.

O direito à veiculação da mesma continua garantido pela lei, assim como o direito dos críticos de opinarem e do público não apreciar. A regra é clara: carrinho por trás é cartão vermelho e toda obra ou discurso está sujeita à crítica. A única maneira de escapar da mesma é nunca expondo nada, e eu acho que não é isso o que você quer.

A crítica pode ensinar qualquer artista sobre as preferências do público, sobre a maneira de apresentar a obra, sobre como melhorar seu trabalho, enfim, dá pra tirar algum aprendizado – claro, desde que o crítico em questão não seja um amador que só sabe apontar e chamar de lixo, afinal você não tem que levar a sério a opinião de um amargurado.

A censura, por outro lado, é algo que nunca trará nenhum bem para a humanidade e por isso ela não deveria existir em nenhum lugar do mundo.

Por isso, se o seu trabalho não agradou, por qualquer que seja o motivo, não é justo você se dizer alvo de censura, porque isso não é verdade. Pode ser que uma editora cancele seu contrato se o seu livro não foi bem recebido, afinal os serviços são caros de se manter e a conta precisa fechar.

E isso não é censura, é só capitalismo mesmo.

Você ainda tem a opção de bancar a impressão através de uma prestadora de serviços e vender por conta própria, ou lançar gratuitamente no formato e-book. Somente seria censura se alguém te proibisse de fazê-lo.

Isso vale não somente para escritores, mas para qualquer artista: a carreira é repleta de obstáculos e é preciso enfrentá-los de cabeça erguida. Persista e siga aprendendo, pois você é completamente livre para se expressar.

Obs: Acredito não ser necessário escrever um outro texto explicando a diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio. Certo?

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Você sabe como funciona a musicoterapia?

Como o nome já indica, a musicoterapia é uma das formas de terapia clínica utilizadas em diversos tratamentos que abrangem as mais variadas etapas da vida humana, do nascimento até a velhice. Através da música, o profissional musicoterapeuta é capaz de reabilitar funções motoras, mentais e trabalhar funcionalidades necessárias.

É também uma demonstração de como a arte é o que há de mais valioso na humanidade e pode transformar a vida de qualquer pessoa de inúmeras maneiras.

Embora encarada com ceticismo, a arte da utilização da música como tratamento vem sendo registrada há milênios, e, conforme a ciência e a tecnologia se modernizam, as pesquisas avançam e um número cada vez maior de profissionais especializados se dedicam ao ofício.

E o retorno é positivo àqueles que são submetidos ao tratamento: bebês prematuros apresentam melhorias no ato de sucção, crianças com autismo progridem no aspecto social e idosos com alzheimer conseguem restabelecer partes significativas das funcionalidades prejudicadas pela doença.

É claro que cada caso varia de acordo com a gravidade da condição, a qualidade do profissional, tempo de tratamento etc. Vários fatores precisam ser levados em consideração, porém, mesmo que o progresso não atenda às expectativas de todos os indivíduos, a experiência é positiva.

Mas vamos com calma, pois ainda não significa que a gente pode começar a trocar remédios e outras formas de tratamento convencional pela musicoterapia. Por maiores que sejam os benefícios, ainda é necessário muito estudo não somente sobre a música, como também sobre a neurociência como um todo, a psiquiatria, além de um maior investimento no desenvolvimento científico e tecnológico.

E mesmo com muito chão pela frente, vale a pena conhecer. Ainda que você não tenha nenhuma condição, deficiência ou doença tratável com musicoterapia, ela pode proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida no geral, por exemplo: diminuir o estresse, prevenir ansiedade e depressão, melhorar a concentração e trabalhar a memória, ou simplesmente facilitar o processo de autoconhecimento, e esses são fatores fundamentais para o desempenho das nossas tarefas do dia a dia, seja na rotina de trabalho, estudos, ou qualquer atividade na qual estejamos envolvidos.

As sessões podem ocorrer de diferentes maneiras: individual ou em grupo, tocando instrumentos, cantando ou apenas ouvindo, de acordo com a preferência de cada pessoa tanto na escolha da performance quanto do ritmo, levando em consideração que reações positivas ou negativas à uma música também se manifestam de maneira individual.

Em 2018, a musicoterapeuta de Santarém-PA Nathalya Avelino deu uma palestra para a TEDx Talks contando, a partir de um exemplo real, como o tratamento transformou a vida de um amigo que teve suas funções motoras comprometidas por um acidente. Achamos que seria legal compartilhar aqui essa história com vocês.

A arte superou inúmeras crises, pandemias, guerras e vai continuar sobrevivendo, porque ela é um superpoder e a humanidade precisa dela.

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NOPORN É INCRÍVEL E VOCÊ PRECISA OUVIR!

Não vou te aconselhar a ouvir chapado/a, eu fiz Proerd. Maaaas… você faz o que quiser da vida.

O álbum Sim, lançado em 2021, foi o meu primeiro contato com o duo Noporn, que eu até então não tinha ouvido falar. Precisei parar pra prestar mais atenção, pois aquele estilo ainda era pra mim uma novidade. O timbre levemente robótico, o canto mais declamado que melódico, a frieza nas palavras e o ritmo eletrônico. Uma combinação inusitada que surpreende aos ouvintes menos familiarizados.

Mas principalmente o deboche.

A ironia, o cinismo e o sarcasmo são elementos recorrentes na composição das letras, escritas com sagacidade de modo a alfinetar com precisão cirúrgica. Porém, as músicas não falam somente sobre determinados comportamentos alheios, como também ironizam certas atitudes, pensamentos e sentimentos particulares.

Sim remete ao amor, ao desejo sexual, à solidão, aos relacionamentos vazios, entre outras coisas não muito legais de se ouvir durante esse período de eterno isolamento. Outros sites e canais afirmaram que o álbum se inspira na liberdade das noites paulistanas e seus clubes, os quais não conheço bem, porém provoca gatilhos em minha ânsia por recuperar a liberdade e desfrutar do que ainda me resta de juventude.

O Noporn está na ativa desde 2006, quando lançou o álbum homônimo, e encarou um hiato de dez anos até lançar o Boca em 2016. De lá pra cá, a proposta se manteve e suas variações consistem em detalhes, porém a identidade artística se solidifica e fortalece mais a cada música.

O reconhecimento é imediato. Você pode ter escutado somente uma música anos atrás, apenas uma única vez. Quando escutar novamente, não terá dificuldade em identificar: “eu já ouvi, isso é Noporn”. Alguns talvez compreendam como um fator negativo e os acusarão de artistas limitados, mas eu discordo. Não é nada fácil se tornar a principal referência de uma linguagem tão criativa, ainda mais em um país com tanta diversidade musical que segue se reinventando e bebendo de inúmeras fontes.

Ouvir a discografia do Noporn é como ficar em uma festa até o final e viver todas as suas etapas: chegamos tímidos, mas interessados e curiosos, até que nos deixamos entregar e aceitamos uma bebida, que em consequência desperta alguns tantos desejos da carne. Os expressamos dançando, e, a cada passo, nos preocupamos menos em entender o que está acontecendo.

Até que uma frase estonteia a consciência como uma marretada, e de repente a festa já não parece mais tão divertida assim. Estão nos dizendo uma verdade da qual queremos fugir. Poxa, é exatamente assim que eu me sinto. Parece até que estão cantando sobre a minha vida. Que vontade de ligar pra ex! Melhor não.

A embriaguez começa a abandonar meu corpo e dá lugar à ressaca.

Eu só queria me divertir, mas doeu.

E isso foi muito antes da Tove Lo lançar o icônico clipe de Habits. Siga a dica, aceite o convite do Noporn e tenha uma festa em seu quarto. Quantas vezes quiser.

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Feito é melhor do que perfeito?

Definitivamente é melhor do que não feito.

Estude e pratique incansavelmente para que você aperfeiçoe suas habilidades e amplie seu conhecimento teórico e repertório de referências. Até aí nenhuma dúvida. Porém, infelizmente, não há treino e leitura suficiente no mundo que vença um dos maiores – e muitas vezes o principal – obstáculos de um artista: o medo.

Não existe diferença entre o medo de não ficar perfeito e o medo de ficar ruim. Uma excelente obra pode às vezes ser admirada por milhões de pessoas, mas odiada por seu/a autor/a. Particularmente, acho muito triste quando isso acontece. E não é muito raro.

Mas por que mesmo uma grande aprovação parece não ser o suficiente para o convencer o/a próprio/a criador/a da obra em questão? Não há somente um único motivo possível e isso varia de acordo com cada pessoa.

Melhorar nossas habilidades artísticas com treino diário é como passar várias horas em frente ao espelho olhando o cabelo crescer. Ninguém vê o movimento do crescimento em tempo real, por isso podemos achar que nada está acontecendo. Pois a verdade é que está, e o resultado já será visível dentro de poucas semanas.

Por ser difícil perceber a nossa evolução enquanto artistas em tempo real, muitas vezes acreditamos que não melhoramos e, portanto, temos a mesma habilidade técnica de semanas, meses e até anos atrás.

Porém, se você passa duas semanas inteiras sem se olhar no espelho, seu cabelo vai parecer um tanto maior do que você se recordava. Só que o mesmo não vale para o seu desenvolvimento, pois, se você passa duas semanas sem praticar, não melhora durante esse hiato.

Outra possível razão é a cobrança excessiva: tendemos a adotar essa postura quando temos muitas – e excelentes – referências, nas quais nos inspiramos e cujos resultados almejamos. Se você olha para o seu trabalho e tenta se comparar a Michelangelo, Mozart ou qualquer outra autoridade incontestável da sua área, é óbvio que nunca vai parecer bom.

Significa que você precisa parar de buscar mais referências? Óbvio que não. Você está é no caminho certo.

Também há um outro grande problema, que é quando a autoestima de um/a artista é baixa por causa das influências externas. Como quando críticos amargurados chamam seu trabalho de lixo, por exemplo, ou quando a família desestimula, ou quando a pessoa se vê cercada de gente negativa que faz qualquer um se sentir inferior.

É complicado.

Pode até ser que a sua arte nunca chegue ao patamar que você deseja, porém há duas coisas a serem levadas em consideração: 1) isso não justifica você mantê-la inacabada, esquecida e muito menos abandonada; 2) se prestar atenção, conseguirá sim enxergar seu processo de evolução.

Sua arte não vai agradar todo mundo. Quanto mais cedo aceitar essa ideia, melhor.

Sua arte talvez não ganhe uma exposição no Louvre, nem o nobel da literatura ou o Oscar. Mas se é capaz de impactar, entreter, gerar reflexões e ou encantar, ainda que somente uma pequena quantidade de pessoas, é motivo suficiente para que exista. Quem esconde tesouro é pirata, e pirataria é crime.

Quanto a observar o próprio processo de evolução, depende da frequência com que você pratica. Se você toca um instrumento, escolha um exercício para treinar todos os dias, grave a primeira tentativa e a ouça uma semana depois. Faça o mesmo após um mês, se quiser.

O avanço será um fato perceptível, nenhuma influência externa poderá refutá-lo e isso te motivará.

Você provavelmente já viu aquele meme que diz: “Ele é artista, precisa ficar sendo elogiado o tempo inteiro”. Não é mentira. Poucas vezes paramos pra contemplar e avaliar o próprio avanço, mas a verdade é que quando esses elogios e aprovação partem de nós mesmos, menor é a necessidade de receber aplausos.

Trata-se de continuar fazendo exatamente aquilo que você já tem feito, mas prestando mais atenção em si mesmo/a. E pode ser que o feito não esteja perfeito, mas você perceberá que está melhor do que costumava ser.

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O que são NFT’s e o que pensamos sobre o assunto?

NFT é a sigla para Non-fungible Token, que significa Token não-fungível. De acordo com a CNN, “o NFT é uma espécie de certificação digital que se tornou a nova febre da geração de colecionadores virtuais. Ele permite ter a titularidade oficial do arquivo original, embora seu uso e reprodução, incontroláveis, continuem livres na internet”.

Como se trata de uma novidade, é normal chegar com uma avalanche de dúvidas à respeito do assunto e eu não sou uma exceção. Por isso, incorporei dois vídeos de dois influenciadores brasileiros muito importantes no meio das finanças e negócios: Breno Perrucho (Jovens de Negócios) e Thiago Nigro (O Primo Rico).

O conteúdo é apresentado de forma bastante didática e acessível, vale muito a pena conferir.

Eu entendo perfeitamente que o tema em questão é complexo para quem é pouco ou nada familiarizado com assuntos relacionados à economia, criptoativos, investimentos ou novas formas de negócios digitais.

Tanto o Breno quanto o Thiago alertam para a possibilidade de riscos: e se virar uma bolha? Considero perfeitamente natural que toda novidade seja encarada com bastante desconfiança, principalmente quando a mesma movimenta quantias exorbitantes de dinheiro. Em que mundo a gente poderia sequer imaginar que o certificado de originalidade de uma arte digital seria vendido? E pelo preço de um Monet?

Há um outro fator muito importante a ser levado em consideração, que é a relação entre os NFTs e os criptoativos: pode-se comprar um NFT através da Ethereum, uma criptomoeda negociável de valorização crescente – que só perde para a Bitcoin.

Embora um número cada vez maior de brasileiros decidem se aventurar no mercado de criptomoedas todos os dias, a verdade é que a grande maioria da população ainda desconhece ou não compreende o básico sobre o assunto. Também acredito que a quantidade de pessoas que nunca sequer ouviram falar em Bitcoin represente a maioria em nosso país.

Por isso é muito difícil chegar à qualquer conclusão. É cedo demais. Porém, quem é que não gostaria de ter sua arte negociada em valores tão inalcançáveis para nós meros mortais? Os vídeos falam sobre hábitos de colecionadores e usaram como exemplos pessoas famosas e autores de memes famosos. Mas e quanto aos artistas iniciantes e artistas locais? Será que possuem chances reais e palpáveis de conquistar um lugar ao sol no universo das NFTs?

Só o tempo dirá.

Mas calma, eu não dediquei um texto inteiro para chegar à um final inconclusivo. Mesmo tendo tantas ressalvas, desconfianças e pouco conhecimento nesse tipo de negócio, acredito que devemos compreender os princípios por trás deles, e quanto mais cedo menor.

Eu por exemplo, acredito fortemente que o dinheiro físico deixará de existir no futuro e haverá a predominância de moedas digitais. Mas ainda não sinto que há segurança o bastante para comprar Bitcoin. E por quê?

Porque bicicleta com asas não é avião.

Para que o primeiro avião do mundo realizasse um voo bem sucedido, foram necessárias muitas tentativas e erros. Diferentes modelos foram desenvolvidos e testados ao longo de várias décadas, porém hoje em dia ninguém duvida que o Boeing possa te levar ao Japão.

Se hoje em dia são negociados certificados de autenticidade de artes e outros produtos digitais, sem dúvida alguma estamos testemunhando um passo rumo à uma transformação definitiva. Acontece que essa transformação ainda não está concluída e não chegou em seu estágio final. Novos modelos ainda precisam ser desenvolvidos e testados, mas o elemento principal que solidificará essa nova filosofia de negociação será o tempo.

Claro, o conselho que dou aos leitores e leitoras é dentro de uma zona de segurança. Não digo que riscos devem ser evitados, mas sim calculados. Se quiser se aventurar, esteja ciente do quanto você está disposto/a a perder – e jamais descarte essa possibilidade, pois mesmo o Breno e o Thiago que se dedicam ao estudo e prática de investimentos há anos estão sujeitos à perdas.

Portanto, o meu conselho é apenas que você não ignore essa novidade que é o mercado de NFTs. Se puder, leia pelo menos um pouco sobre o assunto todos os dias. Converse com pessoas que já tiveram a experiência, participe de fóruns, pergunte bastante, reflita e debata, mas mantenha o foco no entendimento do princípio ao invés da prática.

Seja curioso/a.

Veja também:

Vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais?

Já adianto que a resposta é não. Não vale a pena mudar o estilo da sua arte para vender mais.

Algum tempo atrás, realizei uma pesquisa com estudantes e profissionais das artes sobre perspectivas, carreira, vendas e aprendizado. Como já esperava, vi muitas respostas diferentes, mas me agradou saber que a maioria dos participantes disseram que não é preciso mudar o estilo para vender mais. E isso é muito importante.

Em um dos textos anteriores, eu falei sobre o fato de algumas expressões artísticas terem muito mais chances de vender do que outras. É o caso do pop e do funk na música, do romance na literatura e da ação no cinema, por exemplo. Como esses gêneros são os favoritos da grande maioria, é verdade que os outros atingirão um público menor em comparação.

Mas não significa que não atingirão público nenhum. E também não significa que esse público não possa crescer.

Desde pequeno eu ouço que sucesso de público é sempre proporcional à falta de qualidade, e hoje em dia acho essa crença muito problemática. Mais do que isso: é uma afirmação covarde.

Também fiquei feliz ao ler que muitos participantes da pesquisa opinaram positivamente sobre o marketing digital, reconhecendo seu potencial e importância para a atualidade. Ao mesmo tempo, observei que quem expressou uma opinião negativa sobre o assunto não parecia conhecer muito a respeito, o que ficou claro em algumas justificativas.

Por isso, acredito que não se trata de abrir mão do estilo com o qual você se sente mais à vontade em expressar, menos ainda da qualidade. Trata-se simplesmente de assumir as rédeas, aprender a promover a visibilidade do seu trabalho e conhecer as melhores estratégias de vendas que se adequem à sua arte.

Não é simples como parece. Muitos negócios que oferecem produtos ou serviços excelentes, até mesmo nos setores considerados mais prósperos, vão à falência por não dominar esse tipo de conhecimento.

À respeito dessa resistência com relação a assumir a autonomia sobre as vendas e buscar maior presença online, não pude deixar de observar alguns padrões: muitas vezes ela parte de artistas mais introvertidos e sérios. Porém, isso não precisa ser um obstáculo.

Já nem sei quantos anos se passaram desde que vi pela primeira vez na televisão um comercial das Casas Bahia com o Fabiano Augusto – o cara do “quer pagar quanto?”, pra quem não sabe –, mas a presença dele foi tão marcante que povoa a memória do brasileiro até hoje. O rapaz gesticulava bastante, era comunicativo, dinâmico e parecia se sentir bastante à vontade fazendo o que fazia.

Funcionava? Sim. É o único jeito de vender bem? Não. Mas muita gente pensa que sim.

Quanto à presença online, é ainda mais fácil de entender a relutância: má representação. As palavras “youtuber” e “blogueiro” já são em si bastante estereotipadas, ainda que todo internauta do mundo esteja ciente da variedade de conteúdo disponível. Afinal, se você diz que tem um canal no youtube ou um blog, as pessoas automaticamente te imaginam rasgando livro em vídeo de hate, imitando uma foca em cima de uma cama toda coberta de nutella, ou fazendo dancinhas ridículas e passando vergonha conscientemente.

A verdade é que existe uma grande possibilidade de você “viralizar” fazendo coisa que não presta na internet. Mas essa é a única maneira de atrair um público fiel e clientes em potencial? Não.

A comunicação não se resume ao ridículo.

Você não tem que mudar a sua arte. Você tem que mudar a maneira de apresentá-la.

Paulo Coelho, por exemplo, sempre posta em seu instagram fotos e vídeos de leitores que adquiriram seu mais novo livro e deram um retorno positivo sobre o mesmo. Isso é fazer marketing e promover seu produto, sem dancinha. E quantas vezes você já viu bandas compartilhando o print de um fã ouvindo sua música? Atores em um set durante o intervalo das gravações?

Isso é importante para todos os setores.

É o cliente satisfeito que comprou um tênis e divulga a loja. É o morador satisfeito que fez uma reforma em casa e divulga o profissional que realizou o serviço. É o aluno satisfeito que divulga o curso. E é o fã que divulga o artista favorito.

Exiba a apreciação do seu público com orgulho. Quanto mais as pessoas virem elogios a seu respeito, mais elas sentirão que vale a pena conhecer o seu trabalho. Isso não é enganar. Isso não é manipular. Não é imoral.

Significa que você precisa transformar as suas páginas ou redes sociais em catálogos? Também não. Apresente um conteúdo diversificado, que não só promova a sua arte como também mostre a sua rotina de criação e que abra as portas para a criação de um relacionamento com o seu público.

Vá além do “compre meu produto”. Venda a mudança que o mesmo traz à vida das pessoas.

Mude o texto do seu anúncio sem mexer em uma única virgula da sua arte. Assim você venderá melhor o seu produto, não a sua alma.

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Como conciliar seu processo criativo ao emprego formal?

Antes de começar, eu gostaria de dizer que não, eu não tenho todas as respostas e soluções para todas as condições sociais. Estou completamente ciente disso e, portanto, não ofereço uma transformação milagrosa na vida de quem precisa encarar mais de duas horas em trânsito todos os dias para ir e voltar do trabalho e ainda cuidar de filhos e resolver imprevistos.

Gostaria de ter uma solução para casos como estes, que sei que são comuns. Mas não tenho.

Portanto, este texto é para você, artista que trabalha em tempo integral numa profissão sem relação com sua arte, mas que ainda dispõe de algum tempo livre no dia a dia para se dedicar ao ofício.

1 – Se o que falta é tempo, você precisa aprender a administrá-lo

Não é estranho quando lemos a biografia de algum/a artista que hoje é ícone histórico e descobrimos que o/a mesmo/a era boêmio/a, abusava de substâncias ilícitas, precisava de abrigo e ajuda de amigos e parentes, mas quando produzia sua arte faturava uma fortuna.

Ainda que você tenha amigos e parentes capazes de sustentar e tolerar seus vícios e maus hábitos, esse é um estilo de vida que eu definitivamente não recomendo.

Mesmo com um bom conhecimento de marketing, estratégias de lançamento e uma boa rede de contatos, a verdade é que assumir as próprias rédeas da expansão de seu público e das vendas da sua arte trará resultados a longo prazo. E você precisa comer e pagar suas contas hoje.

Portanto, não é errado você ser paciente e trabalhar em um emprego formal fora da sua área, desde que entenda que aquilo é um sacrifício necessário e temporário.

Porém, quanto menos você souber administrar o seu tempo, mais meses – talvez anos – você precisará encarar aquele emprego que não é o seu sonho, e, consequentemente, mais distante se encontrará da carreira que almeja.

Muitos/as artistas, jovens principalmente, torcem o nariz sempre que escutam a palavra rotina e quase vomitam só de ouvir falar em disciplina. Acreditam em dormir tarde e acordar tarde, na espontaneidade, na pressão de fazer algo na última hora, e que um dia o problema da procrastinação se resolverá sozinho.

Você não tem que se cobrar demais. Você tem que se cobrar aquilo que é capaz de fazer.

Por isso, faça todo o planejamento do seu mês, da sua semana e do seu dia. No trabalho, você com toda certeza tem um horário para chegar, um para o intervalo e outro para sair. Comece por aí: tenha uma agenda e anote esse fluxo em todos os dias úteis do mês atual. Por exemplo: “08h – início do trabalho; 12h – intervalo; 18h – fim do expediente”.

Se você nunca parou pra observar em quanto tempo percorre o trajeto do trabalho até em casa, comece a observar, pois isso faz muita diferença. Imprevistos acontecem, por isso marque no cronômetro os minutos gastos durante toda a semana e faça uma média.

Quanto mais longo o trajeto, mais aconselhável é manter a cabeça ocupada: podcasts, leituras, vídeos, o que puder te ensinar ou informar enquanto você estiver no ônibus, trem ou metrô. Se você dirige, contente-se com conteúdos de áudio, óbvio.

Planeje o horário de acordar e de ir se deitar. Talvez você tenha que passar a dormir mais cedo, mas eu definitivamente não recomendo diminuir suas horas de sono. Uma noite mal dormida resultará em um dia mal aproveitado.

Inclua na agenda seus horários de descanso: mesmo sem se sentir cansado/a, faça uma pausa no mesmo horário todos os dias, se for possível. Se tiver celular com internet ao seu alcance, busque por “meditação guiada” no youtube, recarregue suas energias e retorne com mais disposição.

Tendo tudo isso anotado na agenda, dedique os espaços livres à criação. Talvez você pense que dessa maneira estará se acostumando à ideia de que a arte não é sua prioridade, mas não é bem assim. Primeiro porque esse tempo restrito de dedicação será maior do que num calendário caótico. E segundo porque é preciso fortalecer o hábito.

Fazendo uma comparação: correr durante 10 minutos todos os dias, de segunda á sexta, é melhor do que correr 50 minutos na segunda e ficar parado/a o resto da semana. No fim, serão 50 minutos de todo jeito, mas todo esse intervalo em inércia atrapalha o seu desempenho. Faz sentido?

A mente precisa desenvolver o hábito de criar. E se você começar a fazer isso amanhã, pode ter certeza de que terá muita dificuldade: sono, cansaço, falta de vontade e bloqueio criativo. Porém, depois de um mês seguindo uma rotina, suas habilidades começarão a fluir com mais facilidade.

“Ah, mas de nada adianta planejar tudo se a vida tem imprevistos”. Bom, eu duvido que você enfrentará imprevistos todos os dias.

“Ah, mas isso não funciona pra mim porque eu sou de peixes e -”. Vai dormir.

Não prometi uma solução fácil nem rápida, né.

2 – Se o problema é dinheiro, aprenda sobre finanças

Mas é claro que o problema é dinheiro, se não por qual motivo você estaria encarando um emprego infeliz? Sabia que você não é obrigado/a a pagar por pacotes de tarifas bancárias nem pelo seguro do seu cartão do crédito? E já observou que esses valores não param de subir? E que às vezes o banco desconta taxas tiradas de sabe-se lá que orifício, por serviços que você nunca contratou e sem te avisar? Sabia que você pode pedir a isenção e o estorno dessas taxas? Sabia que os rendimentos da popuança sempre estão abaixo da inflação e você acaba perdendo poder de compra?

Sabe porque tanta gente ganha uma fortuna num golpe de sorte e no ano seguinte volta pro zero? Ou o contrário, gente que perde tudo mas recupera o patrimônio? Trata-se de entender o dinheiro. Esqueça bordões como “só se vive uma vez”, “dinheiro é pra gastar”, “só ganha dinheiro quem explora os outros” e afins. Pessoas que não entendem absolutamente nada sobre economia são as que mais difundem esse anti-conhecimento que só vai te manter no exato lugar onde você se encontra.

Não significa que você precisa se matricular numa faculdade de economia – se quiser pode – ou que eu vá bancar o coach ou pedante nas próximas linhas. De modo algum. Mas vou te incentivar a ir atrás de conteúdos responsáveis sobre o assunto. Os canais da Nathália Arcuri e da Nath Finanças, por exemplo, são excelentes. Nem é preciso se tornar especialista em finanças ou ter ânsia por empreender para entender que muitos hábitos de consumo sabotam a realização dos seus sonhos.

Eu já fui um gastador convicto, não podia ter dinheiro na conta que fazia sumir. Hoje sei o quão importante é montar uma reserva de emergência e tento fazer um extra quando é possível.

Que fique claro que também não é objetivo deste texto promover a meritocracia. A verdade é que, se essa mudança de hábitos não transformar positivamente os seus resultados, de qualquer maneira você irá evoluir como pessoa por dar o melhor de si.

E isso inspira as pessoas.

3 – Não tenha vergonha de pedir ajuda

Esse tópico é muito importante. Acredito que a maior parte dos artistas de todo o Brasil poderão crescer na carreira quando pararem de se encarar como rivais ou concorrentes. Essa história de arte como palco pra disputa de ego precisa acabar. Ou melhor, nunca deveria ter existido.

A classe tem que ser mais unida.

No seu círculo de convivência, é fundamental que você se cerque de pessoas que te apoiam, que acreditem em você, que entendam seus objetivos, respeitem seus sonhos e te ajudem a crescer.

Por isso, parte do seu tempo também deve ser dedicada à colaborações, parcerias, ajudar os seus colegas com o que estiver ao seu alcance, e, se não houver muito o que possa fazer, deixe que te ajudem. Se estiver precisando de material, peça emprestado. Se estiver precisando de algum espaço, peça para usar. Peça feedbacks, compartilhamentos nas redes sociais, tire dúvidas.

Quem te ajudar também estará crescendo contigo.

E esteja disposto/a a retribuir, quando isso não exigir um grande sacrifício do seu tempo.

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